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Em retiro

Belo Horizonte estava às moscas ontem, apesar da permanência na cidade de um milhão e tanto de habitantes. Como a cidade não oferece atrativos e programas no carnaval, a população se recolhe silenciosa e conformada às suas casas, numa espécie de retiro coletivo.


Incerteza

A Vale voltou a vender com força para a China: os embarques de minério de ferro já contratados pelos chineses chegam a 30 milhões de toneladas, neste primeiro trimestre. Mas as exportações totais da mineradora não devem passar de 50 milhões de toneladas, muito abaixo dos 80 milhões comercializados no primeiro trimestre de 2008. Ao mesmo tempo, a AngloAmerican, outra grande mineradora atuante em Minas, decidiu cortar 19 mil funcionários, ou 11% de seu pessoal no mundo, até o final do ano. O futuro do setor mineral, tão importante para o Estado, continua um poço de incertezas.




O advogado
paulista Alex Santiago, filho do corregedor da Polícia Federal Antônio Santiago. Alex mantém grandes amigos na capital mineira.


Justiça privada

Um número crescente de empresas e pessoas já cuida de indicar, nos novos contratos, a Câmara Arbitral como fórum para resolver eventuais litígios. Também advogados, como o mineiro Eduardo Linke, só estão aceitando causas que podem ser resolvidas nessas câmaras, uma espécie de justiça privada implantada nos anos 90 em várias capitais. Elas reúnem especialistas em áreas do direito, aptos a arbitrarem conflitos de diversos tipos. E suas decisões são aceitas pela Justiça comum. Em BH funciona uma câmara. A mais famosa de todas é a da Fundação Getúlio Vargas, no Rio, com uma equipe de árbitros altamente capacitada.


Falência pública

As câmaras privadas de Justiça viraram uma alternativa à morosidade do sistema judiciário público. Recentemente, foram adotadas várias medidas para desafogar o trânsito de ações nos tribunais de cima. Mas o congestionamento maior é na base, na primeira instância, onde os juízes já se veem com uma monta de serviço impossível de despachar: cerca de 70 milhões de processos. E o volume não para de aumentar. Assim como os anos de espera por uma sentença. A Justiça pública brasileira está falindo.


Patrus reage

Patrus Ananias entra em campo para construir sua candidatura ao governo de Minas. E recuperar o terreno perdido para seu concorrente no PT, o ex-prefeito Fernando Pimentel. O ministro começou a intensificar sua agenda de encontros com prefeitos e lideranças do interior. Rogério Correia, coordenador regional do Ministério do Desenvolvimento Agrário, está preparando uma dúzia de eventos com o ministro. Outros aliados devem fazer o mesmo.


Força da pasta

Na última quinta-feira, uma palestra de Patrus Ananias atraiu a Uberaba centenas de políticos e técnicos: como gestor de uma das maiores redes sociais do mundo, ele tem plateia certa onde quer que vá. Os programas do Ministério do Desenvolvimento Social foram turbinados pelo governo, em resposta à crise econômica. Agora, o MDS tem verbas orçamentárias ampliadas e o apoio da Caixa. E além das transferências de renda pelo Bolsa Família, realiza com prefeituras uma penca de ações de segurança familiar: bancos de alimentos, hortas comunitárias e coisas do gênero.


Em cena

Depois da enorme exposição como candidato a prefeito de BH, o deputado Leonardo Quintão (PMDB) está na bica de pegar a presidência de uma comissão especial que está sendo criada na Câmara Federal para discutir o assunto da hora na mídia: a crise.




Com a colaboração de Marcelo Generoso (generoso@globo.com) E-mail: raquelfaria@otempo.com.br

Publicado em: 24/02/2009

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