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Deixando a terra

Os jovens mineiros do interior, mesmo amando a cidade natal, só pensam em deixá-la e mudar para a grande metrópole ou qualquer cidade de maior porte. O sonho de todos é praticamente igual. Estudar numa escola de bom nível, que habilite a um emprego bem remunerado para, em seguida, poder viver dentro de um ambiente contemporâneo assim como conhecem pela televisão ou constatam nas raras viagem que lhes são permitidas.

Em síntese, conversando com eles, percebe-se que todas as perspectivas e planos para o futuro se baseiam na simples quanto indispensável migração de suas origens. Quando surge a primeira oportunidade, ninguém a perde e mesmo à custa de grande sacrifício largam o convívio familiar para enfrentar as incógnitas da mudança. Os mais afortunados se hospedam na casa de parentes que já se instalaram ou se aproximaram da modernidade e, desse quartel, partem à procura de bolsas de estudo ou de biscates para contemporizar o ingresso em cursos profissionalizantes e, ao mesmo tempo, do primeiro emprego para custear os gastos desses estudos. Algo de complicado como tentar gerar a galinha antes do ovo. Porém, o jeito é esse e não tem outra saída para quem não dispõe de uma família suficientemente abastada para mantê-lo na cidade grande.

Esses heróis formam hoje um exército anônimo que procura se inserir e rodar junto às engrenagens da máquina que atrai a si tudo que se encontra em sua volta. Uma espécie de grande aspirador que não economiza ninguém.

Os últimos censos espelham a intensidade desse fenômeno refletindo uma alarmante estagnação da população dos pequenos municípios. Também já são numerosos os casos de retração, que indicam a inviabilidade de sobrevivência de alguns como unidades administrativas autônomas.

Carece, em geral, de uma política eficiente para inverter o processo de concentração urbana, que destaca o Brasil no ranking dos países de maior migração interna. Esse fenômeno, além de injusto e doloroso, é altamente penalizante para toda a sociedade, que se encontra condenada a pagar um custo social elevadíssimo com o caos das grandes metrópoles que vêm se transformando, a cada dia, em verdadeiras torres de Babel.





E-mail: vittorio.medioli@otempo.com.br

Publicado em: 24/02/2009

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