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Nem o governador

Dentro de três semanas começa o Campeonato Brasileiro e os nossos times correm risco de estrear sem patrocinador na camisa. A situação está tão difícil que nem o governador Aécio Neves conseguiu ajudar Atlético e Cruzeiro. No Rio, o caído Vasco, pegou, através da influência do governador Sérgio Cabral, uma verba milionária da Eletrobrás. Vascaíno tradicional, Cabral pediu ao presidente Lula, e ele mandou a estatal dar. Alguém pode dizer que não é tão simples assim. Mas, no Brasil, é!


Política

O que complica são as amarras políticas. Aécio é PSDB, nome presidenciável, muito possivelmente contra o PT, do presidente que quer ter o PMDB na chapa, de preferência, com o governador do Rio de vice. Para ajudar a Raposa e o Galo, só resta a Aécio as empresas mineiras. As privadas não têm cacife, e o governador fica constrangido de usar as estatais.


Planejamento

A única empresa "mineira" que poderia patrocinar Atlético e Cruzeiro seria a Fiat Automóveis, mas ela anunciou ano passado que, em função da crise, estaria fora do futebol este ano. Vem batendo recordes de venda nos últimos meses, porém, o planejamento de 2009 já estava fechado. Quem, sabe em 2010, mas tudo vai depender do andar da carruagem!


"Para ajudar a Raposa e o Galo, só resta a Aécio as empresas mineiras"


Juízo

Os dois clubes estão trabalhando em sintonia na busca de patrocinadores e valorização das marcas. Kalil e Perrella são línguas soltas, mas acima de tudo, inteligentes. Sabem que agressões mútuas só denigrem a imagem deles e dos clubes. Vamos ver se aguentam se conter nesta decisão do campeonato. Por enquanto só trocaram farpas normais, "na bola"!


Corrida

Na luta por patrocínio estatal, a dupla está junta e fala a mesma língua. Têm autorização recíproca para negociar em nome do outro. Na iniciativa privada, cada um corre por si, atrás de empresas nacionais e multis. Mas a dificuldade é a mesma, especialmente para subir a média que é paga a eles.


Melhorou

Até cinco anos atrás, os clubes do Rio e SP recebiam de R$ 8 a R$ 13 milhões por ano pelo patrocínio master. Galo e Raposa, menos de R$ 2 milhões. De 2006 para cá, com a chegada do Antônio Claret ao marketing, o Cruzeiro conseguiu se aproximar dos R$ 5 milhões. O Galo também melhorou, mas ainda não ultrapassou a barreira dos R$ 3 milhões.


Diferença

O Corinthians recebe da Batavo R$ 18 milhões; o São Paulo, R$ 15 da LG. No Rio, as estatais despejam dinheiro: R$ 14 milhões da Eletrobrás, no rebaixado Vasco, e R$ 9,6 milhões da Liquigás, no Botafogo. No Sul, Grêmio e Inter também contam com uma estatal forte: o Banrisul paga R$ 3,8 milhões a cada.


Mixaria

Em Minas, tudo é difícil quando se fala em dinheiro. Cruzeiro e Atlético estão irritados com o Rio Branco de Andradas. Motivo simples: uma placa estática no Mineirão, que é vendida por eles neste campeonato, no mínimo, por R$ 15 mil, foi negociada pelo clube de Andradas por R$ 1.500 no jogo que o time tinha o mando contra o Galo. É Minas Gerais, uai!




E-mail: chicomaia@otempo.com.br

Publicado em: 19/04/2009

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