Liberdade é um bem de valor incalculável. Liberdade é fazer o que se quer sem incomodar, prejudicar, ofender, constranger um semelhante.
A liberdade de atirar uma pedra no lago não é a mesma liberdade de atirar uma pedra na cabeça do vizinho. Se qualificássemos de "liberdade" a pedrada, estaríamos aceitando o homicídio. Qualquer selvagem consegue enxergar conceitos que os próprios animais respeitam.
Ainda, a luz não é tudo. Aliás, seria nada se não parasse onde começa a escuridão. A liberdade não é só fazer o que se quer, é fazer respeitando os demais indivíduos. Claro.
A "lei Azeredo", que disciplina o uso da Internet, em linhas gerais, tende a separar a pedra jogada no lago daquela jogada na cabeça de alguém. Colocar ordem nas leis genéricas existentes para evitar que os crimes no mundo virtual anulem seu incalculável valor.
O senador Azeredo, profundo conhecedor da área de informática, debruçou-se sobre a tarefa de reunir, atualizar, melhorar as leis e dar harmonia ao todo. Realizou o que, se não foi perfeito, chegou a sobrevoar obstáculos ideológicos e a receber o consenso do senador Aloizio Mercadante.
A lei Azeredo limita a possibilidade de abandalhar a Internet e de infernizar os usuários bem-intencionados. É norteada por um intuito preventivo, como seria a construção de uma passarela antes de acontecerem dezenas de atropelamentos no mesmo local. Sabe-se que aí as vítimas aumentarão em breve, e agir com rapidez permitirá economizar transtornos e lágrimas.
Evidentemente, não pode ser deixado à mercê da anarquia o meio mais democrático e econômico de acesso ao saber, ferramenta usada, ainda, por quem trabalha, seja ele pequeno ou grande, pobre ou rico.
Os delinquentes migraram para a Internet pela facilidade de assaltar bancos, estabelecimentos comerciais, aplicar golpes, chantagear sem sair de casa, destruir reputações e manter o anonimato que facilmente se perde nos abismos do sistema.
Quem não sabe disso?
Certamente não aqueles que, com carapuça de vítimas da lei Azeredo, reuniram-se na Assembleia de São Paulo na noite de quinta-feira, alguns despreparados surfistas como Eduardo Suplicy, outros em "defesa da liberdade" da pirataria.
Afinal, o que se pretende é a obrigatoriedade de identificação ao se embarcar na Internet, assim como se faz ao se embarcar num avião. Como está, o sistema é um mar para piratas.
Isso não pode continuar.