Peguem no site da Petrobras "Conselho de Administração" e leiam a composição. Na presidência a ministra Dilma Rousseff, a seguir o ministro Guido Mantega, o ex-ministro Silas Rondeau, Sérgio Gabrielli, Francisco Roberto de Albuquerque, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o presidente do Banco Real, Fábio Coletti Barbosa, o multibilionário Jorge Gerdau, e Sérgio Franklin Quintella, irmão do ministro Franklin Martins.
Esse último estaria proibido de sentar no conselho da estatal pela lei do "nepotismo", mas Rousseff, Mantega, Coutinho (presidente do BNDES) se encontram proibidos no que tange à acumulação de cargos prevista na Constituição.
Não deixa dúvida o artigo 37 no inciso XVII: "a proibição de acumular cargos estende-se a empregos e funções e abrange fundações, autarquias, empresas públicas, sociedade de economia mista (como Petrobras), suas subsidiárias e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo Poder Público".
Os ministros se encontram em cargos, regiamente remunerados, desrespeitando uma norma incontestável da Constituição. Aliás, mais incontestável é impossível.
Eles "se lixam" para essa situação. Perigosamente "se lixa" também a Dilma Rousseff, que ambiciona a Presidência da República e fornece, assim, o pior exemplo de quem está no vértice do poder. Pode-se entender que nesse quadro viram as costas ao absurdo a Ouvidoria Geral, a Advocacia Geral da União e até a Procuradoria Geral da República, tão solícitas no enquadramento dos barnabés e omissas, como nesse caso, ao óbvio que atinge as figuras de proa da República.
Assim, com um pé no governo e outro nas estatais, os ministros acumulam individualmente salários que, segundo informações nunca desmentidas pela Petrobras, chegam a R$ 76,5 mil mensais, redundando em R$ 918 mil a cada ano. Até o ex-ministro Silas Rondeau, protegido de José Sarney, que se demitiu às pressas num ruidoso episódio de propinas, permanece lá, ganhando seus R$ 76,5 mil a cada mês.
Enquanto isso, a classificação de risco medida por agências internacionais sobe no caso da Petrobras por conta da contaminação política que faz dela, nos momentos mais críticos da vida nacional, um instrumento à disposição de um partido e não da nação.