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Como candidato ao Senado, Aécio não tem concorrente; ganharia com folga, mas tiraria uma vaga de um de seus aliados.

Vice ou não vice

A reação irada do grupo de Aécio Neves à pesquisa encomendada por Ronaldo César Coelho, banqueiro carioca, ex-deputado do PSDB e amigo do governador desde tempos imemoráveis, jogou mais lenha na fogueira.

Avaliar a essa altura o que representa junto ao eleitorado um vice para a candidatura presidenciável não faz muito sentido. Entretanto, segundo a revista "Veja", Aécio acrescentaria 8% do eleitorado nacional, levando Serra a uma vitória no primeiro turno. Não deixa de ser, portanto, uma variável  desprezível. Ela se incorporará às próximas pesquisas e ficará até o decurso de prazo arquivá-la definitivamente.

A longa campanha foi deflagrada sem sutilezas por Lula, que tem levado Dilma Rousseff "a tiracolo" nos eventos que seu mandato lhe concede, abusos inclusos. Presença e prestígio de Lula já são de tamanho tal que o vice pouco acrescentará diretamente, mas sim no bojo de uma coligação partidária, levando como dote a propaganda em rádio e TV.

A receita indica que o vice precisa completar lacunas do titular, mas também a maior de todas as suas virtudes é não atrapalhar. Na campanha, o vice é chamado em causa pelos defeitos que pesam sobre ele e pela capacidade de contaminar o processo eleitoral. Exceções existem; Aécio parece ser uma delas.

Se José Serra for o escolhido do PSDB, a princípio, o vice deverá ser do maior partido coligado, porém, o bom trânsito no Congresso de Aécio conjugado à irresistível vontade de uma aliança vitoriosa do DEM certamente poderão quebrar a regra e unir os dois tucanos.

Certo é que uma demonstração de concordância de Aécio com a solução indicada pela pesquisa agora acabaria com a polêmica tucana. Aécio ainda acredita que Serra poderá optar por se recandidatar a governador, enquanto a ele não se apresenta mais essa possibilidade, deixando-lhe o caminho desimpedido. A decisão, seja qual for, virá do PSDB sem prévias, apenas indicada pelas pesquisas e sua avaliação.

Aécio, não sendo o escolhido do PSDB, diz que optaria por uma vaga ao Senado por Minas. Mas, nesse caso, entraria em outra casa de marimbondos que respondem pelos nomes do senador Eduardo Azeredo e do seu principal eleitor em 2002, o ex-presidente Itamar Franco. Como candidato ao Senado, Aécio não tem concorrente; ganharia com folga, mas tiraria uma vaga de um de seus aliados.

Gastaria também uma importante moeda de troca para ajustar a composição em volta de Antonio Anastasia, que ele quer como seu sucessor.

Enfim, muitas circunstâncias conspiram para que ele se junte a Serra em 2010.





E-mail: vittorio.medioli@otempo.com.br

Publicado em: 27/10/2009

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