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Para muitos destes militantes, as eleições serão uma guerra pela própria sobrevivência

Aleivosias e calúnias

As baixarias veiculadas nos últimos dias em blogs da internet contra o governador Aécio Neves, que as classificou de "aleivosias" e "calúnias", foram uma amostra de como deverá ser a próxima campanha presidencial, a primeira que o PT irá disputar sem ter Lula como candidato. Os especialistas preveem para 2010 uma campanha de nível mais baixo do que a 1989, quando os marqueteiros de Fernando Collor não vacilaram em patrocinar a divulgação de depoimento da ex-namorada de Lula, Miriam Cordeiro, em que ela acusava o candidato petista de ser racista e de ter lhe proposto a fazer aborto.

Uma das razões para se prever uma pesada campanha em 2010 é a ativa participação que se espera de parte dos milhares de militantes políticos que passaram a desfrutar das benesses do poder nestes últimos sete anos, por conta do aparelhamento da máquina governamental verificado a partir de 2003. Para muitos destes militantes que hoje ocupam cargos importantes em ministérios ou empresas estatais, as eleições serão uma guerra pela própria sobrevivência (ou melhor, pelo emprego), na qual farão o que for preciso para alcançar a vitória nas urnas.

Outro motivo para se prever uma campanha de baixíssimo nível em 2010 é a força crescente desta poderosa arma de comunicação sem limites e sem responsabilidades em que se transformou a internet. Em 1999, não havia Twitter e nem blogs para disparar petardos contra adversários. Nas eleições de 2006 a internet já tinha a dimensão atual, mas o passeio eleitoral que Lula deu em Alckmin tornou dispensável o emprego de armas mais pesadas pela tropa de choque petista.

Nas eleições para prefeito em 2008, tivemos em Belo Horizonte uma demonstração do poder de fogo eleitoral da internet. A campanha de Leonardo Quintão surpreendeu o candidato da aliança PT-PSDB no primeiro turno, ao espalhar por email uma enxurrada de denúncias contra Marcio Lacerda. A campanha de Lacerda fez um pesado contra-ataque no segundo turno, no qual, em meio a acusações fortes contra Quintão, incluiu a veiculação de um vídeo do humorista Tom Cavalcanti que representou a pá de cal nas chances do candidato do PMDB.

O tiroteio desencadeado contra Aécio na internet nos últimos dias, confirmando os prognósticos pessimistas sobre o pleito de 2010, em nada afetou a sua disposição de brigar pela candidatura do PSDB na disputa pela sucessão de Lula. Ao manter seu ultimato para forçar o partido a definir o seu candidato até dezembro, Aécio criou uma nova situação que o colocou no centro da cena política - e, portanto, na mira do alvo dos adversários. Com a iniciativa, Aécio, de certa forma, antecipou o calendário eleitoral, fazendo começar mais cedo que previa o festival de baixaria que deverá marcar as eleições presidenciais de 2010.





Teodomiro Braga escreve neste espaço aos sábados E-mail: teodomiro@otempo.com.br

Publicado em: 07/11/2009

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