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A velhice é tida como castigo pelo “crime” de não ter morrido antes de envelhecer

Faltam apenas uns 15-16 anos para meu primeiro centenário de existência

Belo Horizonte se dá ao luxo de ter até um maníaco que está importunando as pessoas
em geral , principalmente as mulheres de cabelo comprido


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Relembranças

Manoel Lobato

Na minha adolescência o mês de março marcava o recomeço de meus estudos como aluno interno no Colégio Evangélico de Alto Jequitibá. O nome do lugar passou a ser Presidente Soares durante algum tempo e voltou a ser Alto Jequitibá. Deve ter existido uma árvore chamada Jequitibá nas redondezas do antigo distrito de Manhumirim. Hoje Alto Jequitibá é cidade independente. O colégio em que estudei ainda existe, com novo nome: Colégio Evangélico Reverendo Cícero Siqueira, homenagem ao antigo diretor desse educandário.

Pode ser que o nome Alto Jequitibá seja também por causa da altitude, porque o lugar fica próximo de Caparaó, ponto culminante do Estado de Minas Gerais. Fui para o internato do Colégio Evangélico no começo de 1939. Eu iria fazer 14 anos no final daquele ano, pois nasci em dezembro de 1925. Saí do internato com 21 anos, no final de 1946. Fui para a então capital do Rio de janeiro e me tornei jornalista, como redator de um vespertino chamado "Folha Carioca". Ainda não havia o curso de jornalismo. Fiz o curso de farmácia. Fui até o orador da turma. Com 33 anos terminei também o curso de direito. Tentei advogar durante uns pares de anos na comarca capixaba denominada Barra de São Francisco, nos limites com Minas Gerais. A cidade mineira chamada Mantena era apelidada de Gabriel Emílio e seria um distrito de Barra de São Francisco. Acredito que a força política de Minas Gerais teria sido mais influente nessas demandas jurídicas por causa limítrofe. Nos dias atuais tudo está em paz, com serenidade. A região progrediu bastante.

Morei em Barra de São Francisco durante 17 anos. Eu era recém-formado em farmácia quando fui para a região. Mudei para Belo Horizonte no início de 1965, quando possuí uma drogaria no bairro da Lagoinha, perto da Rodoviária. Faz pouco tempo que saí da Lagoinha. Eu me aposentei como farmacêutico.

Faltam apenas uns 15-16 anos para meu primeiro centenário de existência. Nem sei se terei vontade de começar meu segundo centenário. Nem vou comentar o tema, que é discutível por natureza.

Eu me lembro do bairro da Lagoinha quando não havia os viadutos nem a estação da Rodoviária. O progresso da capital mineira modificou o bairro, tornando-o mais desenvolvido, com um comércio bastante intenso. É o que ouço dizer. Nunca mais perambulei por aquelas bandas.

A capital mineira se tornou muito movimentada. Belo Horizonte se dá ao luxo de ter até um maníaco que está importunando as pessoas em geral, principalmente as mulheres de cabelo comprido.

A velhice é tida como castigo pelo "crime" de não ter morrido antes de envelhecer. Pelo menos, já ouvi dizer isso. Tento, portanto, cumprir o castigo: vou vivendo e deixo que meu semelhante viva. Não sei analisar meus próprios dias.

Marco Túlio Cícero que nasceu em Arpino, perto de Roma, no ano 106 antes de Cristo escreveu sobre a velhice. Ele afirmava que é uma arte saber envelhecer. Nem sei por causa de quê. O fato é que o centurião Herênio, a mando de Marco Antônio, matou o político Cícero, que foi orador, filósofo, deixando uma obra diversificada.

 



Publicado em: 01/03/2010

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