As pesquisas CNT/Sensus e DataFolha divulgadas nos últimos dias mostram dois aspectos positivos para o governo, nos quais mídia e oposição não apostariam há dois meses: a avaliação do governo subiu, voltando aos patamares próximos dos 80%, que em política é quase unanimidade, e Dilma Rousseff cresceu nas pesquisas de intenção de voto enquanto José Serra perdeu pontos.
Esses resultados podem ser explicados pelos seguintes fatores: o sucesso das medidas anunciadas pelo governo para conter a crise financeira internacional e os 30 minutos de exposição do PT em cadeia de rádio e TV, quando a ministra foi a estrela. A performance de Dilma consolida sua posição como candidata do PT à Presidência da República, embora o DataFolha traga um elemento importante que impede o enterro total da hipótese do terceiro mandato: 49% dizem rejeitar tal hipótese, quando em 2007 esse percentual era de 63%.
Quem sabe ler pesquisas não se surpreende com o avanço da ministra, pois até 30% significaria que ela está dentro do patrimônio eleitoral do PT. Fenômeno seria ela ultrapassar essa faixa. Nesse caso, estaria havendo transferência de votos do presidente Lula, dado com o qual a oposição teria dificuldades de conviver. O maior impacto das informações reveladas pela CNT/Sensus e Datafolha resulta da recuperação da popularidade do presidente. Numa época de crise, com forte queda do emprego e do PIB, Lula mantém a popularidade e divide a opinião sobre a conveniência do terceiro mandato.
No PSDB, o resultado da pesquisa fortalece o governador de São Paulo, José Serra. Embora a vantagem dele em relação a Dilma tenha caído 13 pontos percentuais (de 35, na pesquisa de março de 2008, para 22), ele continua liderando as pesquisas. Pela CNT, a vantagem, que era de 29,4 pontos percentuais em março, hoje caiu para 16,9. A recusa de Serra a entrar em campanha e o impasse na escolha do nome do PSDB não ajudam o governador paulista, mas é intrigante a constatação de que, embora mais conhecido, em nenhum momento ele tenha atingido os 50% que lhe dariam um mínimo de tranquilidade na competição.
Aécio Neves foi ultrapassado pela ministra. Pesquisa do DataFolha de março mostrava o governador com 17% e Dilma com 12%. Hoje, ele aparece com 14% ante 19% da ministra. A vantagem na CNT/Sensus é ainda maior: Dilma tem 27,8% e Aécio, 18,18%. Em março, esses percentuais eram de 19,9% e 22%, respectivamente.
Em junho, o PSDB também terá ampla exposição em programas de rádio e TV. Serão 30 minutos ao todo, entre um programa nacional de 10 minutos e 20 minutos de inserções ao longo da programação diária. Tanto José Serra quanto Aécio poderão recuperar alguns pontos percentuais ou, pelo menos, parar de cair. Em que pese a distância das eleições, essas duas pesquisas reforçam algumas tendências: a polarização entre PT e PSDB não parece ameaçada; Dilma Rousseff mostrou-se viável e consolida-se como candidata do PT; ficará difícil para o PSDB abrir mão do seu candidato mais forte para enfrentar uma disputa tão acirrada. A julgar pelo desempenho de Dilma em quase um ano, começa a surgir a impressão de que, se Lula mantiver a performance e ela aprender a arte de representar o governo de maior aprovação do último meio século de história do Brasil, o jogo começará a ficar difícil para seu adversário.
Principalmente porque, enquanto ela vai se transformando na herdeira de Lula, não se sabe até agora o que a oposição tem a oferecer.
