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 Indisciplina. O estudante L.F., 14, quebrou o dente e os óculos de um colega de classe; a mãe foi obrigada a comparecer à escola FOTO: Leo Fontes |
| Indisciplina. O estudante L.F., 14, quebrou o dente e os óculos de um colega de classe; a mãe foi obrigada a comparecer à escola |
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CidadesEducação. Estudo revela que 66% dos alunos do ensino fundamental e médio já se envolveram em ato de violência
Agressão na escola predomina
Feita em 4 cidades do país, pesquisa incluiu Governador Valadares, em MG
Valquiria Lopes
Receber um apelido depreciativo, ser empurrado ou ser alvo de isolamento por um grupo de colegas faz parte de relatos de grande parte dos alunos da rede pública e privada do país. A constatação é de uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná. Conforme o estudo, aproximadamente 66% dos alunos do ensino fundamental e médio disseram ter sofrido ou cometido agressões contra os colegas nos últimos seis meses. O resultado foi obtido por meio de um questionário aplicado, no ano passado, a 849 alunos de 11 a 17 anos matriculados entre a 5ª série do ensino fundamental e o 3º ano do médio, em quatro cidades brasileiras: Governador Valadares (Vale do Rio Doce), Teresina (PI), Goiânia (GO) e Curitiba (PR). A analise dos conflitos vivenciados pelos alunos em relação à escola teve como objetivo apontar as principais demonstrações do fenômeno do bullying - termo de origem americana que classifica atos de violência, intencionais, repetitivos e sem motivação evidente contra pessoas na mesma condição.
Entre os casos mais citados pelos alunos entrevistados, estão a violência física, as ameaças e os apelidos depreciativos. É o que conta o aluno L.F., 14, aluno de uma escola municipal no bairro Aarão Reis, região Nordeste de Belo Horizonte. "A gente apelida muito os colegas. Tem uma menina na escola que tem bigode. Um colega meu apelidou ela de barbuda. Ela fica furiosa e, por isso, bate em todo mundo", disse. Segundo a mãe de L., a dona de casa Vanderlúcia da Silva, 36, já chegaram a ela reclamações de que o filho teria quebrado os óculos e um dente de dois colegas na escola durante uma briga. "Ele disse que um deles cuspiu no prato da merenda e que o outro colocou o pé na frente dele na fila e o derrubou", diz. Segundo o autor da pesquisa, o psicólogo e doutorando em Educação pela Universidade Federal do Paraná, Josafá Cunha, o resultado da amostragem pode ser atribuído a qualquer instituição de ensino brasileira. "Em escolas rurais, escolas em comunidades pacíficas ou de classes muito seriadas, encontram-se agressão e vitimização entre os colegas", afirma.
Depressão
Alerta.
O trabalho do núcleo paraense constatou que alunos vitimizados apresentam quatro vezes mais indícios de depressão. Entre agressores e vítimas agressivas, o índice é sete vezes maior.


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 Redes estadual e municipal têm prograas anti-violência FOTO: Alex De Jesus |
| Redes estadual e municipal têm prograas anti-violência |
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Relacionamento
Fenômeno está ligado a múltiplos fatores
A questão da violência nas escolas não pode ser atribuída apenas ao ambiente escolar. É o que explica o psicólogo, mestre em educação e professora da Universidade Federal de Minas Gerais, em Walter Ernesto Ude. Segundo ele, o fenômeno está relacionado a questões como relações de gênero, busca de visibilidade, violência no ambiente familiar, falta de diálogo, competição e consumismo. A visão do especialista é compartilhada pelo coordenador de projetos especiais da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, Ismair Sérgio Cláudio.
Ambos acreditam que, para sanar os problemas entre alunos, é preciso unir diversos atores sociais, entre eles a família, os conselhos tutelares e a polícia. Ismair Cláudio discorda da pesquisa paranaense e afirma que os índices de violência nas escolas não ultrapassam 20%. (VL)
Frase
"A escola não dá conta de enfrentar a questão da violência sozinha. Ela precisa trabalhar articulada com outros atores sociais, como a família, por exemplo"
Walter Ernesto Ude
psicólogo, mestre em educação
Quebradeira
Escola pública de Betim é alvo de vandalismo
A Escola Estadual Maria José Campos, no bairro Sagrado Coração de Jesus, em Betim, na Grande Belo Horizonte, foi alvo de vândalos na madrugada de ontem. Foram arrombadas as salas da direção, vice-direção e dos professores. Armários também foram arrombados, e os vândalos espalharam tinta por vários lugares. Também foram roubadas uma televisão de 29 polegadas, duas câmeras digitais e um computador. Apesar dos equipamentos levados, os responsáveis pela escola acreditam que a ação foi motivada por possível vingança. Os autores da ação ainda não foram identificados, mas na avaliação de uma pedagoga da escola, os próprios ex-alunos podem estar envolvidos.
"Eu acredito que sejam alunos revoltados por algum motivo que desconhecemos. Já recebemos várias ameaças por telefone de que a escola seria destruída", denunciou a pedagoga que terá sua identidade preservada. De acordo com a pedagoga, a ação foi percebida no início da manhã de ontem, quando ela e a direção da escola chegaram ao prédio. "Nosso vigia disse que chegou aqui por volta das 22 horas de ontem e já encontrou tudo revirado, mas ele não disse porque não avisou a gente nem a polícia", disse a pedagoga da instituição. (Daniel Silveira / Portal O Tempo Online)
Publicado em: 28/02/2009