Opinião » EditorialPAZ NA ESCOLA
Pesquisa feita pela Universidade Federal do Paraná com estudantes do ensino fundamental e médio de quatro cidades brasileiras, inclusive Governador Valadares, em Minas Gerais, verificou que 66% dos alunos disseram ter sofrido ou cometido agressões contra colegas nos últimos seis meses. Em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Educação contestou o dado, afirmando que aqui o índice não passa de 20%.
O problema é generalizado no país e até no exterior. O cinema norte-americano produziu vários filmes sobre a violência na escola. Esta não se manifesta apenas entre alunos, o que poderia ser interpretado como consequência de rivalidades exclusivamente juvenis, mas também contra professores e o próprio estabelecimento escolar. Não pode ser ignorada também as ações praticadas pelos próprios professores.
A questão parece ter origem externa à escola. Certamente provém da sociedade, em especial da família, que há tempos, por força da excessiva liberalização de nossos costumes, não está dando conta de transferir valores morais como respeito e disciplina a seus descendentes. Essa má formação se manifesta na escola, que é o espaço de convivência imediato em que se opera a socialização do indivíduo.
Sem estar preparada para isso, a escola se ressente da pressão dessa demanda, maior nas instituições públicas, por causa da democratização do ingresso e da heterogeneidade do corpo discente. As consequências são a má qualidade do ensino e a violência, esta concretizada em agressões, ameaças, roubos, assédios, maledicências etc, que vitimam sobretudo aqueles indivíduos mais frágeis, como as mulheres e os mais novos.
A competição na sociedade contaminou a escola. É preciso trabalhar no sentido de fazê-la retornar à sua função original. As atividades extraclasse podem ser um caminho. Em Brasília e São Paulo, estão sendo restaurados os grêmios estudantis. Talvez assim possam ser criados ambientes de confraternização e colaboração, como ocorre hoje em muitos locais de trabalho.
Publicado em: 03/03/2009