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 Prevenção. Nova vacina contra a gripe canina, que afetou mais de 10 mil animais nos Estados Unidos é esperança para donos dos bichos e veterinários FOTO: PEDRO SILVEIRA - 20.9.2008 |
| Prevenção. Nova vacina contra a gripe canina, que afetou mais de 10 mil animais nos Estados Unidos é esperança para donos dos bichos e veterinários |
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Brasil » InteressaVeterinária. Vírus influenza que foi transmitido dos cavalos para os cachorros preocupa os Estados Unidos
Vacina para gripe é aprovada nos EUA - mas para os cães
Microrganismo mata 5% dos animais infectados, diz pesquisadora
DONALD G. MC NEIL JR.
THE NEW YORK TIMES
NOVA YORK, EUA. Existe um novo vírus de gripe à solta. Ele inicialmente parecia muito letal e causou pânico. Agora está claro que ele matou relativamente poucas vítimas - muitas delas têm condições ocultas. É particularmente perigoso possuir um focinho curto e arrebitado - ou seja, ser um pequinês, um pug ou um shih tzu.
Esse é o vírus da gripe canina H3N8. O vírus, acreditam os cientistas, foi transmitido dos cavados para os cães há pelo menos cinco anos, mas nunca infectou um humano. Na semana passada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou que havia aprovado a primeira vacina para essa gripe.
Apesar do medo de uma pandemia de gripe entre humanos ter mudado da letal gripe suína H5N1 para a relativamente amena gripe suína H1N1, a gripe canina H3N8 tem se propagado tranquilamente nos EUA. Ela raramente é discutida, exceto entre veterinários e donos de cães nas poucas áreas onde ela tem atingido com força: Flórida, subúrbios ao norte de Nova York, Filadélfia e Denver.
Seguindo o adágio dos virologistas de que a única coisa previsível sobre os vírus da gripe é que eles são imprevisíveis, a gripe canina tem intrigado os cientistas que a acompanham.
"Acho que ainda não sabemos o que o vírus vai fazer", disse uma das cientistas que descobriram o microrganismo, Cynda Crawford, da Escola de Veterinária da Universidade da Flórida.
Quando Cynda começou a estudá-lo em janeiro de 2004, o vírus foi apresentado a ela como uma tosse e pneumonia misteriosas que mataram um terço dos galgos de uma pista de corrida de cães na Flórida. No ano seguinte, ela encontrou o vírus em sete Estados norte-americanos e mostrou que ele poderia ser passado por cães que apenas esfregavam seus focinhos uns com os outros na rua ou compartilhavam uma tigela de água.
Além disso, os humanos poderiam carregar os vírus nas suas roupas. Ele se provou tão mortal quanto Cynda previu. Ela estima que, sozinho, ele mata 5% dos cães que o contraem.
Se acrescentarmos as mortes nos abrigos, que eliminam os vírus ao sacrificar todos seus cães e desinfetar suas jaulas, a taxa total de mortalidade sobe para 8%. Em comparação, a taxa de mortalidade da gripe espanhola em humanos em 1918 era de aproximadamente 2%.
Prevenção pode proteger de infecções e viroses de inverno
A época fria do ano chegou, alterando a rotina dos bichos de estimação. Levar os cães para passear no inverno requer mais cuidados do que em outras épocas do ano devido ao risco de viroses. A recomendação é passear em lugares onde o contato com outros animais é zero e nos horários mais quentes do dia.
Os pelos são a proteção natural dos animais e contribuem para que os bichos sintam menos os efeitos do frio, mas a tosa é uma questão de saúde. O uso de roupas é indicado, porém deixar a veste por semanas resulta em focos de bactérias e infecções.
As roupinhas são aconselháveis, mas, antes de dormir, as peças devem ser retiradas e o pelo do animal, escovado, para evitar que fique embaraçado. No inverno, o mais indicado é a tosa higiênica que, além de acertar os pelos, garante a higienização de patas (unhas), ouvidos e genitais.
Relação
Estudo. Os cães que tendem a morrer de gripe canina são braquicefálicos - têm focinhos curtos e arrebitados. Os que possuem trato respiratório curto e curvado também correm mais risco de morte.

EUA
Vírus canino é encontrado em 30 dos 50 Estados
Nova York. O vírus da gripe canina não tem se espalhado tão vigorosamente quanto Cynda Crawford esperava. Ele agora é encontrado em 30 dos 50 Estados norte-americanos, mas quase exclusivamente em ambientes onde os cães vivem próximos uns dos outros: abrigos, pet shops, canis e escolas de adestramento.
Como os donos desses estabelecimentos aprenderam a rejeitar cães doentes, da mesma forma que diretores de escolas que enfrentam a gripe suína mandam as crianças doentes para casa, o progresso da doença foi diminuído.
“Provavelmente mais de 10 mil cães já foram infectados”, disse Cynda. “Mas não dá para dizer se foram 20 mil ou 30 mil. Em uma população de 70 milhões, essa cifra é uma gota no oceano”, explica.
Outro cientista que participou da descoberta do vírus da gripe canina, Edward J. Dubovi, da Escola de Veterinária da Universidade Cornell, disse que “o vírus provavelmente ainda não está tão bem adaptado aos cães quanto poderia estar”. Ele precisou de cinco mutações para conseguir ser transmitido de cavalos – onde ele circulou por 40 anos – para cães.
Mais uma ou duas mutações, no entanto, “podem torná-lo um problema muito grave”, acrescentou Dubovi. “Mas, no momento, é preciso certa densidade de cães para que ele continue se disseminando”, diz. (DGMJ)
Publicado em: 07/07/2009