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 Discussão. A presidente da APPMG, Joana D’arc Gontijo, e o presidente da Fapaemg, Mário de Assis FOTO: pedro silveira |
| Discussão. A presidente da APPMG, Joana Darc Gontijo, e o presidente da Fapaemg, Mário de Assis |
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CidadesPolêmica. Quinze mil exemplares já foram distribuídos no Projeto de Aceleração da Aprendizagem, em MG
Livro didático com palavrões é motivo de controvérsia
Secretaria de Educação descarta recolher o material didático das escolas
FLAVIANE PAIXÃO
Um fragmento da obra literária "Capão Pecado", de Reginaldo Ferreira da Silva, o Ferréz, suscitou um debate entre professores e pais de alunos do 8º e 9º anos do ensino fundamental do Projeto de Aceleração da Aprendizagem do Estado. O capítulo 15 da publicação foi incluído no material didático usado pelos estudantes, mas o texto contém palavrões e expressões chulas, usadas para descrever a rotina de personagens que vivem em uma área de vulnerabilidade social de São Paulo.
"Sou avesso a esse tipo de literatura em sala de aula. Se a pessoa vai a uma biblioteca, ela escolhe o livro. O aluno não teve opção", disse o professor e escritor Henrique Nunes Paixão, que aboliu o material didático de suas turmas, em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Nunes ainda alegou que o livro cedido pela Secretaria de Estado de Educação (SEE) - "Viver, Aprender Unificado" - não condiz com a realidade dos estudantes, que têm dificuldade de aprendizagem e passaram por pelo menos duas reprovações.
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O público leitor do livro tem idade mínima de 15 anos. O material didático, segundo ele, chegou com atraso. Somente em julho passado os adolescentes tiveram contato com a obra. Com o avançar da leitura, descobriram-se os termos.
O presidente da Federação das Associações de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg), Mário de Assis, afirmou que irá enviar hoje um ofício ao governador Aécio Neves cobrando explicações. O Ministério Público também deverá ser acionado. "Nenhum pai reclamou para a federação. Mas não me sentirei confortável caso meus filhos se dirijam a mim com os mesmos termos usados no livro", ponderou Assis.
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Por outro lado, a presidente da Associação de Professores Públicos de Minas (APPMG), Joana Darc Gontijo, avalia que as expressões foram usadas em um contexto específico, que pretendia explorar as diversas formas de linguagem. "Não tem nada além do linguajar do dia a dia. Está mostrando a realidade nua e crua do brasileiro pobre. Indecente e imoral é roubar. Não estou defendendo o palavrão, mas houve um objetivo, que era mostrar uma comunicação mais simples", analisou Joana. Os professores deverão ser convidados pela associação para discutir o material.
Em nota, a SEE esclareceu que o livro foi examinado e aprovado pela equipe pedagógica da secretaria para ser usado na faixa etária que corresponde ao projeto. Foram distribuídos 15 mil exemplares aos alunos do programa. Ainda conforme a secretaria, o livro não será recolhido.
"O debate precisa sair da esfera moral. Recolher o livro seria lamentável. É um pecado privar os alunos de uma leitura crítica desse conteúdo", observou o pedagogo e professor da PUC Minas Luiz Carlos Rena. Outra observação do especialista é que o autor literário não precisa restringir sua liberdade. "Vale a pena debater e não condenar", disse.
Apesar de não ter tido contato com o livro, a estudante Natália Malta, 15, classificou o palavreado como impróprio. "Não acho correto para um livro. Me assusta um pouco."
OUÇA ABAIXO TRECHOS DAS ENTREVISTAS COM O PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DE PAIS E A PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES:
Mário de Assis, presidente da Federação de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais
Joana D'Arc Gontijo, presidente da Associação de Professores Públicos de Minas Gerais
Flash
O texto literário que suscitou a polêmica tem cinco páginas e está inserido no capítulo "Outras Histórias, Outros Mundos, Outras Vidas"

São Paulo
Material constrange crianças
Esta não é a primeira vez que o uso de palavrões em livros didáticos levanta polêmica na relação entre pais e escolas no Brasil. Em maio passado, frases de duplo sentido e termos chulos foram descobertos em livros de alunos que cursam a 3ª série do ensino fundamental (faixa etária de 9 anos) de São Paulo. O material foi recolhido pelo governo.
Mas a polêmica não é novidade em São Paulo. Um livro didático de geografia, usado por alunos da 6ª série do ensino fundamental nas escolas públicas, indicava o Paraguai duas vezes em um mapa da América do Sul e excluía o Equador. Na época, a Secretaria de Educação informou que o problema era da editora, mas trocou os exemplares errados. (FP)
Publicado em: 30/09/2009