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 Vencedor. Felipe Marinho, 36, que perdeu a visão em um acidente em 1991, é formado em economia e brilha nas piscinas do país na categoria cegueira total FOTO: fotos Pedro Silveira |
| Vencedor. Felipe Marinho, 36, que perdeu a visão em um acidente em 1991, é formado em economia e brilha nas piscinas do país na categoria cegueira total |
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EsportesEsporte paraolímpico. Deficientes visuais de um projeto de Belo Horizonte brilham nas piscinas pelo país
Campeões na água e na vida
Felipe Marinho bateu o recorde mundial dos 100 m medley, categoria cegueira total
JORGE LUIZ
Enxergar a vida com outros olhos. Essa é a realidade dos atletas paraolímpicos Felipe Marinho e Danilo Monteiro dentro do projeto da equipe Adevibel Mattioli de natação. Os atletas são deficientes visuais e brilharam na primeira etapa nacional do circuito Brasil Paraolímpico disputado nos dias 12 e 13 de setembro, em Fortaleza/CE.
Felipe bateu o recorde mundial dos 100 m medley - cegueira total -, com o tempo de 1min21s32. Danilo quebrou o recorde brasileiro nos 100 m nado costas em piscina curta de 25 m.
Felipe Marinho tem 36 anos e, com todas as dificuldades, formou-se em economia. Os filhos Davi (6) e Sophia (7) são as suas maiores inspirações para continuar treinando.
"Perdi a visão no dia 14 de abril de 1991, num acidente de carro. Mas dei a volta por cima e tenho a natação como a minha verdadeira fonte de vida. A pena é que estamos sofrendo muito com a falta de patrocínio", desabafou.
Danilo Monteiro Celestino tem 20 anos, começou a nadar em 2007, oito anos depois de perder a visão por causa de uma miopia. "A gente sofre muito no dia a dia, mas aqui na academia, tudo se transforma", diz.
O diretor da academia é o ex-campeão mundial Ricardo Mattioli. "Só de ver os dois nadadores treinando, meus olhos se enchem de lágrimas. Daqui surgirão novos campeões", avisa.
Jogos no país são mais um incentivo
De acordo com Ricardo Mattioli, o objetivo principal de se abraçar a causa paraolímpica é formar o homem e o atleta. "Temos que tirar os meninos das ruas do Brasil e dar a eles condições dignas de vida", explicou o ex-atleta e hoje incentivador.
O Centro Esportivo Mattioli, em Belo Horizonte, conta com médicos, fisioterapeutas, fisiologistas e nutricionistas. Todos trabalham como voluntários no atendimento aos atletas paraolímpicos. (Jl)
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 Danilo quebrou o recorde brasileiro nos 100 m nado costas |
| Danilo quebrou o recorde brasileiro nos 100 m nado costas |
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Novas metas
Para-Pan é o próximo desafio
Mesmo com a falta de patrocínio, Felipe Marinho e Danilo Monteiro já pensam com ansiedade nas próximas competições. Para os dois nadadores, o maior orgulho é ter a oportunidade de sediar uma Olimpíada.
Felipe já está sonhando com uma medalha, em 2016, no Rio de Janeiro. "Estava em casa e pulei da cadeira quando o Rio de Janeiro foi anunciado como sede dos Jogos Olímpicos. A responsabilidade será muito grande e espero quebrar novos recordes", disse.
Danilo Marinho promete treinar ainda mais, porque, segundo ele, o sonho olímpico está vivo todos os dias dentro e fora das piscinas.
"A deficiência visual nos atrapalha bastante. A partir de agora, vamos divulgar ainda mais o esporte para colocar atletas qualificados representando o Brasil pelo mundo afora", afirmou.
Mas antes das Paraolimpíadas do Rio de Janeiro, o Brasil vai disputar o Para-Pan, em 2011, no Equador, e as Olimpíadas de Londres, em 2012.
Felipe e Danilo vão todos os dias de casa para o Centro Mattioli de ônibus onde treinam mais de seis horas por dia. (JL)
Futuro
Medalhas. A próxima competição dos atletas Felipe Marinho e Danilo Monteiro será a final do Circuito Brasileiro, que será disputada nos dias 30 e 31 de outubro, e 1º de novembro, na cidade de Porto Alegre.
Bronze de Moscou na família
Além de Ricardo Mattioli, que foi campeão mineiro, brasileiro e sul-americano, nas décadas de 60 e 70, a família Mattioli tem outro campeão que brilhou nas piscinas pelo mundo. Marcos Mattioli, irmão de Ricardo, foi medalha de bronze no 4 x 200 m livre dos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou. A partir daí, abriu-se o caminho para a formação de novos campeões, como Ricardo Prado e Gustavo Borges. Em Moscou, a equipe era formada por Ciro Delgado, Jorge Fernandes e Djan Madruga. (JL)
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 Trabalhos adaptados na piscina da academia Mattioli de natação, em Belo Horizonte |
| Trabalhos adaptados na piscina da academia Mattioli de natação, em Belo Horizonte |
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Jogos no país são mais um incentivo
De acordo com Ricardo Mattioli, o objetivo principal de se abraçar a causa paraolímpica é formar o homem e o atleta. “Temos que tirar os meninos das ruas do Brasil e dar a eles condições dignas de vida”, explicou o ex-atleta e hoje incentivador.
O Centro Esportivo Mattioli, em Belo Horizonte, conta com médicos, fisioterapeutas, fisiologistas e nutricionistas. Todos trabalham como voluntários no atendimento aos atletas paraolímpicos. (Jl)
Publicado em: 05/10/2009