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 Amanhã acontece a última apresentação do show Metrópole FOTO: bruno figueiredo |
| Amanhã acontece a última apresentação do show Metrópole |
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CidadesCidadania. Em sua quinta edição, programa já atendeu 3.000 jovens
Valores de Minas encerra atividades com espetáculo
Estudantes entre 14 e 24 anos têm aulas de música, dança, teatro e circo
Fábio Freitas
Especial para O Tempo
Até dois anos atrás, a estudante Gislaine da Silva Reis, 17, costumava ouvir dos irmãos que ela não sabia "nem bater palma". "Eu sou gordinha e, na época, era mais e na escola os amigos me botavam apelidos maldosos", lembra. Moradora de uma periferia de Ibirité, Gislaine diz que já viu muita violência no local.
Mas quem conheceu a menina tímida e sem autoestima não a reconheceu, anteontem à noite, durante a apresentação de encerramento da 5ª edição do Programa Valores de Minas. "Hoje eu falo que sou bonita. Toco vários instrumentos de percussão, canto e faço teatro", conta.
Criado em 2005 pelo Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) e pelo governo de Minas, o programa oferece a jovens carentes de escolas estaduais, com idades entre 14 e 24 anos, aulas de teatro, circo, música, dança e artes plásticas. A cada ano, são abertas 500 vagas para um curso que dura nove meses. "O foco do programa é melhorar a autoestima desses jovens, fortalecer a identidade deles", afirma Andrea Neves, presidente da Servas.
A cada edição, o programa é encerrado com um espetáculo que engloba todas as áreas artísticas, criado com ajuda dos alunos. Neste ano, a apresentação foi criada inteiramente por eles.
O espetáculo "Metrópole" mostrou personagens que fazem parte das experiências vividas pelos estudantes, a maioria moradores de periferias e favelas. Samba, capoeira, rock, hip-hop, acrobacias, canto e artes plásticas se completaram na coreografia de 400 alunos.
Em uma das músicas, um grupo canta que as pessoas estão acostumadas a pensar que "quem mora no aglomerado é ladrão", e que "é esse o sonho que eu busco, de paz e felicidade".
"A realidade dos meninos é tão penosa que algumas pessoas, em vez de falarem favela, dizem aglomerado, como se fosse solucionar o problema", afirma Andrea Neves. A última apresentação do espetáculo será amanhã no Plug Minas (rua Santo Agostinho, 1.271), no bairro Horto, às 19h.

Repercussão
Turma compartilha aprendizado
A ideia do programa é fazer com que os estudantes levem os conhecimentos adquiridos para comunidades, igrejas e escolas. Eles têm aulas mais aprofundadas, como História da Arte, Filosofia e Produção Cultural.
Os cursos oferecidos no projeto são divididos em três módulos de três meses, e os alunos têm aulas de quatro a cinco dias por semana. No primeiro, os alunos passam por oficinas em todas as áreas artísticas. No seguinte, eles escolhem aquela que mais gostaram para estudar de forma mais aprofundada. “Às vezes, o aluno já vem com certeza do que quer, mas acaba descobrindo outra área em que se dá muito melhor”, diz Samira Ávila, diretora artística da apresentação. (FF)
Publicado em: 19/12/2009