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Presente. Rebecca Young e seus gêmeos emolduram o certificado de créditos de carbono que ganharam de presente no Natal

FOTO: Peter Da Silva/The New York Times
Presente. Rebecca Young e seus gêmeos emolduram o certificado de créditos de carbono que ganharam de presente no Natal
Brasil » Interessa

Modismo. Teoricamente, recursos são destinados a reduzir a emissão de CO² em algum lugar do mundo
Presentear com créditos de carbono vira moda nos EUA
Cada certificado corresponde a três créditos e é vendido a US$25 em site
Mireya Navarro
The New York Times

Nova York, EUA. Presentear amigos e parentes com os Certificados de Redução de Emissões de Carbono (CERs) é a mais nova moda nos Estados Unidos. Eles são adequados principalmente para aqueles que possuem uma consciência ambiental e já adotaram uma postura "ambientalmente correta", como a compra de um metro quadrado simbólico na Amazônia.

Umas das empresas que vende CERs nos EUA é o Conselho Adirondack, grupo sem fins lucrativos que vigia o Parque Adirondack em Nova York. Obtidos em leilões de comercialização de carbono, os certificados são vendidos a US$ 25.

Os leilões são realizados quatro vezes por ano nos EUA por um programa de comércio de emissões de carbono, a Iniciativa Regional para a os Gases do Efeito Estufa. O programa estabelece um teto para as emissões de dióxido de carbono por empresas energéticas de Nova York e outros nove Estados do nordeste do país com o intuito de combater o aquecimento global. O dióxido de carbono é o principal gás retentor de calor ligado à mudança climática.

Sob o sistema de regulamentação estadual, uma indústria deve comprar e guardar créditos de carbono - um por tonelada - que correspondem às suas emissões monitoradas. A indústria pode revender qualquer crédito que não precisar quando diminuir suas emissões ou comprar as sobras de outras empresas caso exceda seu limite. Os leilões de compra e venda de créditos são abertos ao público e requerem uma aquisição mínima de 1.000 créditos. O preço varia entre US$ 2 e US$ 3,50 por título.

No ano passado, o Conselho Adirondack começou a participar dos leilões e a vender os certificados de crédito que ele comprou no mercado. Cada certificado representa três créditos e é vendido por US$ 25 através do seu site em inglês www.adirondackcouncil.org.

Credibilidade. Segundo o Conselho, diferentemente da captura (ou compensação) de carbono, o certificado de crédito de carbono é uma forma confiável de se conter as emissões.

Ao comprar um título de captura de carbono, uma pessoa paga uma taxa para compensar as emissões geradas, por exemplo, por uma viagem aérea. Em teoria, o dinheiro vai para um programa que reduz as emissões em algum outro lugar usando medidas como o plantio de árvores. Mas, geralmente, não há como verificar se uma árvore foi plantada, tampouco se as emissões foram reduzidas.

Quando um consumidor compra um certificado de crédito de carbono, ele está evitando três toneladas de poluição por fumaça, explicou John Sheehan, porta-voz do Conselho Adirondack.

Opinião. Apesar disso, mesmo algumas pessoas que compram os certificados não estão totalmente convencidas de que eles são o melhor mecanismo para se controlar as emissões de gases do efeito estufa.

"A abordagem de pagamento não enfatiza o quanto precisamos trabalhar mais duro para reduzir nossa emissão de carbono", reclama Dawn Rawls, que comprou alguns certificados como presente de natal para seus parentes.

Entretanto, Alan Chartock, presidente da rádio pública WAMC, disse que várias pessoas se mostram satisfeitas com a possibilidade de ajudar de alguma forma. A rádio ganhou e pôs à venda 600 certificados por um mínimo de US$ 100 cada em um leilão beneficente no início de 2009.

"Fiquei impressionado com a resposta popular", disse ele. "Fomos inundados por telefonemas. Algumas pessoas até queriam um certificado para cada um dos seus netos".

Traduzido por André Luiz Araújo

Compensando
Mercado de Carbono. É a negociação de créditos de carbono por meio de certificados aprovados pela Organização das Nações Unidas.

Crescimento. Esse mercado duplicou no último ano, movimentando mais de U$ 120 bilhões em todo o mundo.

Medição. Para calcular sua emissão de gases do efeito estufa, entre no site www.thegreeninitiative.com/pt/calculadora

CO² afeta os oceanos
NOVA YORK. Outra consequência do aumento das emissões de carbono é que os oceanos estão ficando mais barulhentos. Compostos químicos na água do mar absorvem o som, pois a energia das ondas sonoras estimula certas reações. Quando o oceano fica mais ácido, devido à absorção do CO2 atmosférico, acontecem menos reações e menos energia acústica é usada. Assim, os sons ficam mais altos e viajam mais longe. (NYT)



A ONG inglesa fundada por Paul Dickinson incentiva as empresas a reduzirem suas emissões

FOTO: Suzanne DeChillo/The New York Times
A ONG inglesa fundada por Paul Dickinson incentiva as empresas a reduzirem suas emissões
Consciência
Empresas divulgam emissões

Nova York. Várias empresas de todo o mundo estão se unindo em um amplo experimento global para rastrear e reduzir as emissões de dióxido de carbono geradas pela indústria. Com isso, elas economizam dinheiro e tentam passar uma mensagem de empresa ambientalmente correta.

Relatórios detalhados sobre as emissões são repassados voluntariamente para a organização não governamental (ONG) Projeto de Divulgação de Carbono. A ONG inglesa analisa os números e divulga o panorama das emissões de setores industriais de vários países. Segundo especialistas, o projeto voluntário está persuadindo as empresas a mudar suas práticas energéticas bem antes de muitos governos começarem a regular as emissões.

Cientistas estimam que a indústria e as empresas energéticas produzem quase 45% das emissões de gases retentores de calor, que contribuem para o aquecimento global. Apesar de alguns governos estarem convencidos de que conter essa poluição é crucial para proteger a atmosfera, não se vê no horizonte um pacto ambiental global, como mostraram as negociações na conferência do clima de Copenhague, em dezembro.

Até que uma regulação mais ampla seja definida, muitos investidores e empresários dizem que os programas de divulgação voluntária podem ser a melhor forma de incentivar as forças de mercado a mudarem de atitude. (Leslie Kaufman/NYT)

Publicado em: 06/01/2010



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