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Danilo Mendes produz a própria cerveja em casa e ensina a quem quiser aprender

FOTO: PEDRO SILVEIRA
Economia

Sucesso
A loura gelada está sofisticada
As cervejas tipo pilsen dominam 80% do mercado mundial, mas, no Brasil, as artesanais mais do que dobraram seu espaço entre 2004 e 2009, e hoje têm seguidores que fazem delas quase uma religião
ANA PAULA PEDROSA

Malte, água, lúpulo e fermento. A combinação desses quatro ingredientes dá origem a mais de 1.500 tipos de cervejas com aromas, cores, texturas e sabores totalmente diferentes. E vem conquistando os paladares mais exigentes. As mais conhecidas são as do tipo pilsen, as "louras", produzidas em massa e que representam cerca de 80% do consumo mundial de cerveja. Mas as que mais crescem são as artesanais e especiais, que representavam cerca de 4% do mercado nacional em 2004 e hoje chegam a 9%.

Segundo a Associação de Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais (Acerva Mineira), o mercado de cervejas comuns cresce cerca de 5% ao ano, enquanto as especiais crescem 45%. "De uns três anos para cá, o consumidor está mais atento à variedade do mercado", afirma o diretor financeiro da Acerva Mineira, Danilo Mendes. Ele ministra cursos para pessoas que querem aprender a fabricar sua própria cerveja. "Quem conhece a cerveja especial acaba deixando a comum de lado", afirma. Danilo fabrica sua cerveja e brinca com os sabores. "No Natal, faço com especiarias. No inverno, uso sabores mais fortes", conta.

Microcervejarias. As cervejas especiais são produzidas, em geral, em microcervejarias. No Brasil são 80. No mundo, a Bélgica é considerado o país com maior variedade de cervejas especiais. "Existem 80 tipos de cerveja e na Bélgica é possível encontrar todos eles", diz o autor da "Larrouse da Cerveja", Ronaldo Morado. Ele cita ainda a Alemanha e a Inglaterra como centros tradicionais de produção da bebida. Morado levou três anos para escrever o livro e usou a experiência acumulada em viagens a diversos países. Na opinião dele, as cervejas especiais não substituirão as pilsen, mas ainda têm muito mercado para conquistar.

Para conseguir diferentes tipos de cerveja, os produtores usam malte, lúpulo e fermentos de tipos e em quantidades variadas. Assim, é possível obter aromas e sabores de frutas, café e outros sem acrescentar outro ingrediente à fórmula.

Prazer. O preço da cerveja especial vai de R$ 3 a R$ 300 a garrafa, mas o valor mais alto que o da bebida comum não intimida os apreciadores. "Em vez de tomar uma caixa de cerveja comum, a pessoa toma três ou quatro garrafas da especial e tem uma experiência", diz o sommelier especializado em cerveja e editor do site Mestre Cervejeiro, Daniel Wolff.

Ele explica que a bebida tem inúmeras possibilidades de harmonização com a comida. "Tem um estilo de cerveja para cada prato. Cada estilo desperta uma sensação diferente", afirma.



Expansão. A mineira Backer avalia em 20% o crescimento neste ano, ancorada até em quiosques como este no ItaúPower Shopping

FOTO: PEDRO SILVEIRA
Expansão. A mineira Backer avalia em 20% o crescimento neste ano, ancorada até em quiosques como este no ItaúPower Shopping
Expansão
BH é polo de microcervejarias
Para empresários, concentração dá visibilidade ao produto mineiro

Não bastasse ser a capital do bar, Belo Horizonte também é conhecida como polo de microcervejarias, com cinco fábricas. A concentração, em vez de gerar concorrência, gera visibilidade para o produto. Segundo o diretor financeiro da Associação de Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais (Acerva Mineira), Danilo Mendes, há mercado para 20 microcervejarias na cidade e seu entorno.

“É bom para todos. É um mercado ainda novo”, diz o sócio e diretor da Wals, Tiago Carneiro. A marca foi criada em 2000 como fábrica de chope e há dois anos começou a fabricar também cervejas, hoje disponíveis em cinco rótulos. Para 2010, a expectativa é crescer 30%.

A Backer, outra marca mineira, estima em 20% o crescimento para este ano. De acordo com o diretor da empresa, João Roberto Pires, as vendas crescem em várias frentes: supermercados, bares, restaurantes e quiosques que a empresa tem em shoppings da capital e no Mercado Central. Esses quiosques são uma forma de levar a cerveja para mais perto do consumidor. “As microcervejarias estão reeducando o consumidor, que é acostumado a apenas um tipo de cerveja”, diz.

Se depender dos cervejeiros da cidade, outras microcervejarias chegarão ao mercado em breve. O representante comercial Felipe Viegas, por exemplo, faz cerveja em casa, num espaço batizado de “Taberna do Vale”. São cerca de 150 litros por semana, que ele vende para amigos. Por enquanto.

“A ideia é investir para que fabricar cerveja deixe de ser hobby. Mas para isso ainda tenho que estudar muito”, diz. Na Taberna também há cursos sobre a cultura cervejeira.



Inédito. O empresário João Sampaio abriu a primeira boutique de cervejas em Belo Horizonte

FOTO: CRISTIANO TRAD
Inédito. O empresário João Sampaio abriu a primeira boutique de cervejas em Belo Horizonte
Especialistas
Bares confiam no potencial da bebida

Bares e restaurantes começam a prestar atenção no mercado e investem em cartas de cerveja. “É uma tendência que começou no Rio de Janeiro e em São Paulo e está chegando em Belo Horizonte”, diz o conselheiro da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), Túlio Montenegro.

Ele é proprietário do Chef Túlio e diz que, em breve, o bar também vai se render às cervejas especiais. “Dentro de um ano, teremos uma grande variedade de cervejas nacionais e importadas”, afirma.

Reserva. Além de procurada em bares e restaurantes, a cerveja também desponta como um bom presente. Apostando nisso, o empresário João Sampaio inaugurou em dezembro de 2009 a Reserva Especial, uma loja dedicada exclusivamente às cervejas especiais. “Já na primeira semana deu para perceber que é um mercado com potencial, disposto a receber quem investe com seriedade e paixão”, diz.

O espaço tem 120 rótulos de todas as partes do mundo e outros produtos ligados à cerveja, como copos e livros. O cliente pode montar um kit personalizado para presentear. “A pessoa pode montar um kit só com cervejas belgas ou alemãs”, exemplifica. (APP)



Importado. Thomas Karpen já criou em casa sete receitas de cerveja desde que chegou ao Brasil

FOTO: Pedro Silveira
Importado. Thomas Karpen já criou em casa sete receitas de cerveja desde que chegou ao Brasil
Hobby
Cervejeiros fazem a própria bebida em casa

O alemão Thomas Karpen já criou sete receitas de cerveja, que produz em casa, esporadicamente, desde que chegou ao Brasil, em 2005. Assim como ele, muita gente faz da fabricação caseira da bebida um hobby praticado aos fins de semana e entre amigos. “Belo Horizonte tem muito cervejeiro”, diz o alemão.

A preferência dele são as cervejas mais encorpadas, que são produzidas no segundo andar do apartamento onde mora. Para o futuro, o plano é montar um bar em Casa Branca, povoado de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde as pessoas possam apreciar as bebidas criadas por ele.

O representante comercial Felipe Viegas também produz sua própria cerveja. “Criei na minha garagem um espaço que reproduz um pub”, conta. Até a panela usada para fabricar a bebida foi desenvolvida por ele. “De tanto visitar cervejarias, eu adaptei uma panela para usar em casa”, diz. (APP)

Tributação
Pesado. Os impostos representam pelo menos 45% do preço das cervejas importadas e das cervejas especiais das microcervejarias nacionais. Em alguns casos, a carga tributária pode chegar a 70%.

Publicado em: 21/02/2010



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