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Roseli Guedes já perdeu a conta de quantos cartões tem

FOTO: CRISTIANO TRAD
Roseli Guedes já perdeu a conta de quantos cartões tem
Economia

Pesquisa. Segundo a Fecomércio Minas, metade dos consumidores não sabe sequer o valor da anuidade
Consumidor usa cartão por impulso e não conhece juros
Para não cair em armadilhas, melhor caminho é planejar orçamento pessoal
ANA PAULA PEDROSA

O cartão de crédito é a porta de entrada para as compras não planejadas e, por consequência, para o endividamento. De acordo com uma pesquisa da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio Minas), 53,6% das pessoas usam o cartão para compras que não estavam previstas e 63% não sabem sequer a taxa de juros cobrada pela operadora. Além disso, metade dos consumidores não sabe quanto paga de anuidade.

"O cartão é usado por impulso, em compras emocionais, e provoca um endividamento que não é consciente", diz a coordenadora do departamento de economia da Fecomércio Minas, Silvânia Araújo. "O cartão é um facilitador de consumo. A pessoa gasta por impulso, como se o dinheiro não fosse dela e só ‘descobre’ que tem que pagar quando a fatura chega", concorda o professor de finanças pessoais e ex-presidente do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Ofir Viana Filho.

A comerciante Roseli Guedes já sentiu na pele o que os especialistas explicam em teoria. Ela tem vários cartões - diz até que já perdeu a conta de quantos são -, compra por impulso, deixa o pagamento para o mês seguinte e tem limites de compras mais altos do que sua renda mensal. Com essa combinação explosiva, perdeu o controle do orçamento e até hoje enfrenta dificuldades para quitar uma dívida que começou com R$ 800 e já quadruplicou de valor. "Hoje, eu evito andar com cartão na bolsa. Procuro deixar a maioria em casa. Realmente, é melhor pagar à vista", afirma.

Com o cartão, o comerciante não tem risco de inadimplência, mas, segundo Silvânia Araújo, ele também sente os efeitos do descontrole do consumidor. "Como os juros são externamente elevados, a renda fica comprometida e inibe futuras compras", diz.

Três perguntas. Para evitar cair nas armadilhas do crédito fácil, o professor Ofir aconselha que o consumidor se faça três perguntas antes de comprar: é necessário? É a melhor hora para comprar? Está dentro do meu orçamento? Se as três respostas forem positivas, o consumo está liberado.

Ele completa que o pior caminho é justificar o gasto com o "eu mereço". "Todos nós merecemos o que há de melhor, mas merecimento não combina com planejamento orçamentário", diz.



Abusivo
Taxa anual é de 315%, a maior do mundo

Os juros cobrados pelos cartões de crédito no Brasil são de 12,6% ao mês, em média, ou 315% ao ano. Em outros países, a taxa anual é de 10% a 20%. Além disso, os juros dos cartões são os mesmos desde abril de 2009, enquanto outras formas de financiamento, como cheque especial e CDC, reduziram os percentuais. Ainda assim, 38% das pessoas não pagam o valor total da fatura e caem no rotativo e nos juros.

"Os juros são extremamente altos e isso não é brincadeira", alerta a coordenadora do departamento de economia da Fecomércio Minas, Silvânia Araújo. Ela completa que, se bem administrado, o cartão pode ser um aliado no planejamento orçamentário porque concentra as compras, ajuda a ter um panorama dos gastos e, se usado na melhor data de compras e pago em dia, dá prazo para pagamento sem cobrança de juros.

É o caso da gráfica Rosilene Nery, que planeja seus gastos mensais com o cartão. Para não correr o risco de gastar mais do que tem, ela anota todas as compras na agenda com a data e o valor do que consome. "Não tenho costume de parcelar minhas faturas. Prefiro pagar tudo de uma vez por causa dos juros cumulativos", afirma. (APP)

Publicado em: 13/07/2010



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