Jovens escritores se reúnem para realização de evento literário de caráter mais acessível que o de Paraty, no Rio
Daqui a 15 dias, a Festa Literária Internacional de Paraty, mais conhecida como Flip, vai dar início à sua quinta edição. Antes disso, porém, vem, em São Paulo (29 de junho a 1º de julho), a Flap, sigla que remete a outro evento literário, mas sem nenhum outro significado a não ser se contrapor àquele que acontece na cidadezinha fluminense.
"Na verdade, a gente até cria concursos para as pessoas dizerem o que acham que é Flap", brinca Ana Rüsche, uma das integrantes do Projeto Identidade, que reúne os jovens escritores que, em 2005, criaram a Flap. Aliás, a Flap, que em agosto também será realizada no Rio de Janeiro, não se parece com a Flip só no nome.
"Tem muitos palestrantes que participam lá e também participam aqui com a gente. O Marcelino Freire, por exemplo, é um desses", conta Ana. Mas as semelhanças param por aí, até porque a Flap nasceu justamente para se opor à festa de Paraty.
"Em 2005, todos nós queríamos ir à Flip, mas, para os eventos de lá, é preciso comprar ingresso, ficar em Paraty é caro e tal. Isso tudo faz com que o acesso em Paraty fique muito restrito. Então resolvemos fazer a nossa própria festa literária, com eventos que não ficassem restritos a um determinado grupo ou muito centralizados", explica Ana.
"Também tentamos não ficar apenas nas celebridades literárias. Abrimos o espaço para mesas grandes, que também recebem formadores de opiniões, educadores, jovens escritores", acrescenta a escritora.
Uma das vantagens que o pessoal do Projeto Identidade acredita que a Flap tem sobre a Flip é a informalidade. "O evento acontece dentro do espaço do grupo de teatro Satyros. Não há um palco, é uma arena mesmo. As pessoas se sentem próximas do escritor, é muito louco isso porque não há nenhum distanciamento, inclusive físico. E os leitores se sentem livres para se posicionarem perante os autores, até para cobrar posições. É uma intensificação dos diálogos", avalia Ana. Este ano, o tema da Flap é "Contaminações".
"A idéia é debater as mais variadas fontes de contaminação da literatura hoje. Serão abordadas formas artísticas cujo desenvolvimento está diretamente relacionado com a produção literária atual, mas que, ou são diminuídas como se fossem artes inferiores, ou não têm sua relação com a literatura colocada em destaque", diz.
Por Contaminações também será discutida a relação da literatura brasileira com a literatura dos demais países da América Latina, segundo ela. "Com a integração na ordem do dia, é preciso entender a complexidade dos muros que dividem o Brasil de seus vizinhos para compreender e estimular essa tão nebulosa influência recíproca", conta Ana, citando como exemplos dessa contaminação a participação do cartunista Lourenço Mutarelli que, como define, é um escritor que também tem outra função.
Ana diz que é vontade do Projeto Identidade levar a Flap para cada vez mais localidades. "Começamos em São Paulo, depois veio o Rio. Queremos muito fazê-la em Belo Horizonte também. Quanto mais a gente conseguir espalhar a literatura, melhor", afirma.
AGENDA - Veja programação completa da Flap no blog www.flap2007.zip.net.