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Mesmo sem nunca ter trabalhado na área, Átila Mendes foi contratado

FOTO: CHARLES SILVA DUARTE
Mesmo sem nunca ter trabalhado na área, Átila Mendes foi contratado
Gustavo Rodrigues começou como aluno e hoje forma técnicos para a Tracbel

FOTO: LUCAS PRATES
Economia » Emprego

Profissional qualificado é artigo raro
Diante da dificuldade de encontrar mão-de-obra especializada, empresas preferem investir na capacitação
QUEILA ARIADNE

Os números do desemprego assustam. Só na Grande Belo Horizonte são 326 mil desempregados. Mas por trás dessas estatísticas existem empresas que querem contratar e não conseguem por falta de qualificação. De garçons e cozinheiros até técnicos em manutenção, engenheiros de minas e executivos, a dificuldade para encontrar um bom profissional é tão grande que alguns empresários preferem deixar a experiência de lado e investir na capacitação para transformar um candidato em funcionário.

A Tracbel, distribuidora de máquinas pesadas, investe cerca de R$ 300 mil por ano para formar técnicos em mecatrônica. Diante da escassez de mão-de-obra especializada para lidar com a tecnologia desses equipamentos, a empresa firmou uma parceria com a Volvo e desde 2005 vem formando alunos que, ao final do curso, são contratados. Assim que Gustavo Rodrigues, 26, se formou em engenharia mecatrônica, há três anos, ele ingressou na Tracbel como trainee. Fez o curso e hoje é instrutor.

"São profissionais muito específicos, então como a Tracbel não os encontra prontos no mercado, investe na formação", explica. Para ingressar no projeto é preciso ter concluído o ensino médio, preferencialmente com formação técnica. As turmas são de dez a 15 pessoas, formada por alunos de todo o Brasil. O curso dura uma ano, sendo seis meses em um módulo teórico, na sede da Tracbel, em Contagem; e seis meses práticos, na região onde o aluno mora. Enquanto os alunos estiverem no curso, a Tracbel se responsabiliza pelas despesas com hospedagem.



Qualificação na empresa dribla falta de experiência

Depois de procurar durante meses um dobrador, o dono da gráfica Pampulha, Jairo Lopes Júnior, desistiu de contratar alguém com experiência. Ele resolveu apostar na capacitação própria e contratou Átila Mendes, 35, que nunca tinha operado uma máquina de dobradura. “Não encontrei ninguém com qualificação, então resolvi apostar nele, que não tem experiência mas tem boa vontade e vai aprender já nos moldes da empresa”, afirma Júnior, dono da Gráfica Pampulha. Profissionais aparentemente simples como cozinheiro e técnicos em manutenção também estão difíceis de encontrar.

O hospital Luxemburgo, que está em processo de ampliação dos leitos, está com um grande desafio pela frente: encontrar cozinheiros e técnicos em manutenção. De acordo com a analista de recursos humanos da Fundação Mário Penna, Bárbara Pedrosa, no momento o hospital precisa contratar 12 cozinheiros e cinco técnicos para reparos, mas não encontra ninguém qualificado. Segundo a analista de RH, a Fundação Mário Penna mantém parceria com agências de emprego, com o Sine, com o Senac e várias outras instituições, mas não consegue achar pessoas que se enquadrem ao perfil.

“Em alguns casos tem mais oferta de vagas do que profissionais disponíveis no mercado”, comenta. Se para profissões comuns já é difícil, para aquelas que exigem conhecimentos específicos a situação é ainda pior. O diretor da empresa de criação de websites Graffikpix, Farid Sarsur, sofre todas as vezes que precisa contratar alguém. A escassez é tão grande em Belo Horizonte, que metade dos currículos que a Graffikpix recebe vem de São Paulo. A dificuldade faz com que a formação acadêmica não seja prioridade.”Como é uma área nova, as universidades ainda não lançaram cursos superiores.” (QA)

Publicado em: 05/08/2007


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