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Foram duas derrotas constrangedoras, mas o presidente do Senado, Renan Calheiros, continua sua trajetória impávido. Primeiro, o Conselho de Ética aprovou, pelo massacrante placar de 11 votos a 4, a cassação do senador por quebra de decoro. Em seguida, a Comissão de Constituição e Justiça confirmou a decisão, ao deixar claro que o processo está de acordo com a Constituição. A derrota foi ainda mais acachapante: 20 a 1. Tudo indica que Renan será mesmo julgado pelo plenário na próxima quarta-feira. Ou tenta blefar ou, mais provável, seja exatamente isso que deseja. Afinal, a votação do Conselho de Ética foi aberta; em plenário, será fechada, podendo inclusive a sessão ser secreta. A oposição faz contas para ter certeza de que a cassação virá.
No Conselho, não deixou de surpreender a posição dos senadores petistas, que votaram em bloco contra Renan, apesar dos apelos deste ao presidente da República, no sentido de receber um apoio decisivo. Afinal, trata-se de um aliado do governo que caminha para a forca. Parece claro que, até o momento, o presidente Lula não jogou todas as fichas. A derrota no Conselho era prevista, bem como na Comissão de Constituição e Justiça. No plenário, amparado pela votação fechada, ficará bem mais fácil garantir a continuidade de Renan à frente do Senado. E uma orientação firme aos petistas poderá mudar o rumo dos acontecimentos, alterando alguns votos. Mas há problemas.
A essa altura, a opinião pública já deixou claro que não aceitará de bom grado uma absolvição: as provas e indícios contra Renan são fortes e variadas. Lula, que já enfrenta dificuldades para aprovar projetos de seu interesse e críticas pesadas da mídia, deve estar pisando em ovos para se decidir quanto ao que fazer. Qualquer que seja sua posição, não escapará incólume da artilharia apontada em sua direção.
Publicado em: 07/09/2007