Opinião » Cartas dos leitoresDos leitores
Vida interior
Gostei do artigo "A dimensão esquecida: a vida interior", do teólogo Leonardo Boff (Opinião, 15.2). Realmente, a vida possui as dimensões do interior e do exterior e o sucesso dos mestres está na conquista da vivência equilibrada entre essas dimensões. Todos querem viver bem e para isso têm que aprender a conviver bem.
O grande problema da atualidade é que as religiões antigas, com seus dogmas, princípios e mistérios, não conseguem mais responder às perguntas que vêm do interior de cada ser humano, quando este conquista a liberdade de pensar. Quem somos nós? De onde viemos? Qual é o sentido de nossas vidas? Temos uma só vida? Quem é Deus? Por que experimentamos sofrimentos?
Enquanto aceitarmos o mistério, nada será explicado. O medo de estar pecando ou ofendendo a Deus nos imobiliza. A compreensão da vida está no autoconhecimento. É preciso entender a teologia da libertação no sentido esotérico: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (João 8,32) e "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (João 10,10).
Só podemos falar daquilo que sabemos e testemunhar aquilo que vimos.
Rosário Américo de Resende
Ex-professor
E-mail
Erro
O pesquisador Luciano Ribeiro (Dos Leitores, 14.2) deveria pesquisar mais, pois a inteligência divina é absoluta e cria tudo do nada e a nossa é relativa e não cria coisa alguma do nada! Também possuímos a liberdade e a vontade, que, juntas com a inteligência, são virtudes divinas, a nós emprestadas pelo Criador por certo tempo. No entanto, até as ciências são batidas pelas doenças. Assim, como podemos contestar os juízos divinos se não resolvemos os juízos humanos? Também não descobrimos ainda nenhum sistema bom de governo. Faltanos humildade.
Jethro Mourão da Cunha
Bairro Santa Efigênia
Elefantes e mosquitos
O Brasil tem uma herança colonial fiscalista e burocrática que o Congresso não se dispõe a solucionar para o bem do país. A Casa tende a optar por desfilar suas figuras na TV através de CPIs e deixar de lado o interesse nacional. Tal é o caso da reforma tributária. A extinção da CPMF, por exemplo, foi um desserviço prestado ao Brasil, uma rasteira nem tão sutil na Receita Federal, pois bastaria a redução da alíquota. Assistimos então a esse espetáculo vulgar de engolir elefante e engasgar com mosquito.
Sônia Corrêa Netto
Bancária aposentada
Bairro Funcionários
Futebol
Não se pode exigir dos jogadores do meu querido Galo mais do que rendem. São o refugo dos bons do mundo inteiro. Se fossem apenas regulares, não estariam por aqui. Jogariam em outros países, já que o mundo inteiro idolatra o futebol do Brasil. Em alguns países, nossos jogadores ganham mais que o time inteiro e todos acham justo. Nadam em euros. Dólar é moeda fora de moda. O que nos sobra? Não os estou criticando, não sou tão cruel assim. Mas os que vemos por aqui tratam a bola com grosseria. Romário, diante da insistência dos que perguntavam quando ia parar, respondeu: "Comparando com esses aí, eu tenho lugar em qualquer time deste país por muito tempo ainda..." Ele tem razão. Vejo jogos dos times europeus, cheios de craques daqui, depois assisto aos daqui e que tristeza me dá. Não pelo futebol deles (é o melhor que têm), mas porque não tenho mais a idade deles. Eu não tinha o costume de errar o gol na cara do goleiro. O problema é que eles eram muito bons. Fosse hoje, eu enchia o balaio.
Paulo Ângelo do Vale
Aposentado
Bairro Padre Eustáquio
CORREÇÃO
Os professores Claudio D. Shikida e Ari F. Araújo Jr., ambos do Ibmec-Minas), são os autores do artigo "Cuba não mudou" (Opinião, 21.2).
Publicado em: 23/02/2008