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 FOTO: PEDRO SILVEIRA |
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Brasil » InteressaOrigami. Surgida por volta do século VI, técnica oriental continua atraindo pessoas de todas as idades
Arteterapia: dobre e amasse papel
Formas geométricas, animais, enfeites e pingentes feitos com paciência oriental
Ana Elizabeth Diniz
"Origami é como um vírus. Depois de infectado, você não para mais", define Alexandre Ferrari, um apaixonado pela arte japonesa de dobrar papel e integrante de um grupo criado em 2006, o Origami BH, que congrega outras 11 pessoas. Eles se reúnem mensalmente para conversar e trocar "dobraduras".
E não apenas eles, mas cada um de nós já viveu seu momento de origamista na vida. "Lembra quando a gente fazia barquinhos de papel, chapéu, aviãozinho e um certo apetrecho de enfiar nos dedos, com cores, piadinhas ou mensagens românticas? Pois é, aquilo é origami", relembra a médica pediatra Sônia Maria Rocha, que se intitula uma dobradeira. "Comecei a dobrar a poucos anos e não parei mais. O origami é mágico, lúdico e a cada dia busco mais a perfeição. No consultório, quando uma criança se encanta com alguma peça eu faço uma troca: origami pelo bico", confessa a médica.
Origem. Origami é uma palavra japonesa composta pelo verbo dobrar (oru) e do substantivo papel (kami). Sua origem é tão remota quanto a história do próprio papel. Apesar de o Japão ser considerado o berço dessa técnica, diz-se também que ela pode ter surgido na China, onde a história do papel é bem mais antiga.
Alguns pesquisadores acreditam que seu surgimento foi por volta do século VI, quando um monge budista trouxe da China, o método de fabricação do papel, até então desconhecido pelos japoneses. Por ser muito caro e raro, ele somente era acessível à nobreza.
As primeiras dobraduras eram simbólicas e oferecidas aos deuses. Na era Kodai, que antecede a medieval, o estado e a religião eram unos e o origami era empregado somente em cerimônias como coroações e casamentos.
Cola. Os mais puristas entendem que a verdadeira dobradura de papel é feita sem o uso de cola e tesoura. Que a folha a ser usada deve ser quadrada e o papel, especial. Mas os origamistas de Belo Horizonte não são assim tão rígidos. "Usamos todo tipo de papel: de pão, de presente, reciclado, guardanapo, seda, sulfite, alumínio, dinheiro, embalagem de ice kiss, do chocolate Bis, dinheiro, saquinhos de chá e até papel higiênico. Mas o mercado oferece o papel japonês, mais sofisticado, encontrado apenas em São Paulo," explica Allen-Mar Gonçalves.
O origami moderno é creditado ao mestre japonês, Akira Yoshizawa, considerado uma divindade no Japão. Nascido em 1911, ele criou dezenas de modelos. Na década de 30, junto com norte-americano Sam Randlett, Yoshizawa desenvolveu um sistema de diagramas que são usados pelos origamistas. "Mas a identidade pessoal, a personalidade, a individualidade de cada dobrador impregna cada peça. Não existem dois origamis idênticos. Isso é impossível", diz Sônia Rocha.
Um dos preceitos dos dobradores é respeitar uma folha de papel. Explica-se essa atitude através da mentalidade oriental, que não tolera o desperdício. Inclusive um dos maiores ditados populares no Japão é "não se pode desperdiçar nem uma folha de papel".
E, dos mais diversos papéis, surgem peças maravilhosas e inspiradas: flor, balão, ave ou qualquer outro objeto de forma tridimensional. A técnica guarda sua sabedoria. "No origami a primeira dobradura deve ser muito bem feita, para que o papel possa ficar em pé. Assim também é na vida. As crianças devem receber uma boa educação, pois se não têm uma boa estrutura não conseguem parar em pé", ensina Kazuko Horiuchi, professora de origami.
Alexandre Ferrari ressalta o valor terapêutico do origami: "Ele é considerado um importante instrumento educativo e terapêutico. Ele estimula a parte física e o lado emocional. Estudos comprovam que trabalhar com as duas mãos exercita o dois hemisférios cerebrais, a coordenação motora, atenção, visualização espacial e a criatividade".
Curiosidade
Paz. No mausoléu erguido em homenagem aos que morreram na tragédia atômica de Hiroxima, todos os anos, no Dia da Paz , comemorado em 6 de agosto, são depositados vários conjuntos de “semba tsuru”, vindos de todas as partes do Japão e de outros países. São feitos por pessoas que se unem para pedir paz
Formas mais conhecidas de origamis
Tsuru (ave símbolo do origami)
Representa a paz, saúde, longevidade e fortuna. Reza a lenda que ao se dobrar mil “tsuru”, o chamado “semba tsuru” com o pensamento voltado para aquilo que se deseja alcançar, os nossos desejos serão realizados
Sapo
Representa o amor e a fertilidade
Kusudama
Bolas decorativas que ficam dependuradas no teto, e guardam ervas aromáticas ou medicinais. Um cristal em sua ponta irradia a energia de saúde e cura
Dragão
Na mitologia indica sabedoria e inteligência
Carpa
Simboliza riqueza, sucesso e ascensão
Publicado em: 04/05/2008