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Panos quentes
Os usuários não têm dúvidas, só faltava a autoridade de trânsito e os concessionários do serviço reconhecerem a má qualidade do transporte coletivo por ônibus oferecido à população. Por isso um novo BHBus vem sendo gerado, trazendo mudanças estruturais tendo em vista melhorar a prestação desse serviço.
O ponto crítico do serviço é a superlotação. As empresas vão ter de diminuir o número de passageiros em pé. Existe hoje uma relação por metro quadrado, mas ela não é respeitada. As autoridades vão aumentar essa relação, mas prometem colocar seus agentes para fiscalizar seu cumprimento.
Só isso, no entanto, não é o bastante. As autoridades sabem disso, tanto que prometem também exigir dos concessionários que aumentem a frota e a quantidade de viagens. Vão mexer nas concessões, com novas empresas, nas linhas, sem passagem obrigatória pelo centro, e nas frotas, com adoção de carros sanfonados.
São mudanças que certamente precisam ser feitas para que o belo-horizontino possa dispor de um serviço de ônibus de melhor qualidade. Sem alternativa quanto a outro meio de transporte, já que o metrô é solução de longo prazo, o certo é a autoridade de trânsito investir nos ônibus, melhorando a prestação desse serviço.
As maiores cidades do mundo têm um sistema de ônibus de qualidade. Não há razão para que também não o tenhamos. Mas para isso é preciso atacar em outras frentes. Por exemplo: o transporte individual tem de ser desestimulado tanto pela criação de dificuldades ao seu uso como pela oferta de um sistema de transporte público eficiente.
Hoje, se vende a idéia de que o automóvel ou a motocicleta resolvem o problema. É falso. Também aumentar a frota e o número de viagens dos ônibus não vai adiantar. Vai é agravar os congestionamentos. O investimento no transporte coletivo não se faz apenas dessa maneira, mas também por intervenções em outras áreas a ela correlacionadas.
Publicado em: 17/07/2008