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 'Strandbeest', As bestas da praia, do engenheiro e artista holandês Theo Jansen. Nascidas de um computador, as criaturas se locomovem apenas com a força do vento FOTO: Artfutura/divulgação |
| 'Strandbeest', As bestas da praia, do engenheiro e artista holandês Theo Jansen. Nascidas de um computador, as criaturas se locomovem apenas com a força do vento |
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MagazineEra digital. Criação com uso da tecnologia traz novos panoramas à cultura em eventos como o ArtFutura, que vem ao Brasil
Arte e ciência em comunhão
Fabiano Chaves
Desde o final do século XX, com os avanços tecnológicos e o advento da Internet, diversos aspectos da cultura sofreram mudanças, no sentido da criação e disseminação das artes. O fato é que, cada vez mais, arte e ciência percorrem caminhos paralelos, estabelecendo um novo parâmetro no processo criativo e na difusão da arte contemporânea. No Brasil, nos últimos anos, a questão vem se expandindo através de festivais e eventos que exploram o tema. Em Belo Horizonte, por exemplo, dois eventos realizados recentemente provam que o país já está sintonizado com este tipo de produção artística. Em março, a cidade recebeu a 2ª edição do Festival de Arte Digital (FAD), em que artistas e grupos de 14 países tiveram seus trabalhos expostos em três estações do metrô da capital. Atualmente, o Museu Inimá de Paula abriga a exposição "Arte Cibernética", uma coleção do acervo do Itaú Cultural com obras criadas a partir do conceito da arte relacionada à tecnologia.
A mostra, em cartaz até o dia 13 de junho, contempla trabalhos de importantes nomes da arte digital brasileira, como Regina Silveira, Rejane Cantoni, Daniela Kutschat, Raquel Kogan e Eder Santos, por exemplo. Diante de tal crescimento das relações entre arte, tecnologia e ciência, o país agora se prepara para receber um dos maiores festivais de arte digital do mundo. Idealizado pelo diretor e curador espanhol Montxo Algora, o festival ArtFutura, desde 1990 - ano de sua primeira edição -, investe e expõe os projetos e ideias mais impactantes surgidas no panorama internacional de novas mídias, através de conferências, instalações interativas, exposições e oficinas. Realizado anualmente na Espanha, o festival pela primeira vez sai do continente europeu para realizar uma edição no Brasil. "A arte digital está, cada vez mais, avançando no país e creio que esse é o momento para apresentar o festival ao público brasileiro.
Nossa intenção é fazer uma ponte entre Brasil e Europa, promovendo um intercâmbio, uma troca de experiências entre os artistas nacionais e internacionais", afirma o diretor da Pinakotheke Cultural, Max Perlingeiro, responsável por trazer o evento ao país. Em entrevista coletiva realizada na última segunda-feira, na sede da Pinakotheke, no Rio de Janeiro, acompanhada pelo Magazine, Perlingeiro anunciou o lançamento da edição brasileira, que será realizada de julho a dezembro de 2010, com a exposição "Máquinas e Almas", um dos braços do festival. Durante o lançamento, estiveram presentes o curador do ArtFutura, Montxo Algora, a diretora do Museu da Imagem e do Som (MIS), de São Paulo, Daniela Bousso, responsável pela curadoria do núcleo de artistas digitais brasileiros no festival, e o artista digital espanhol EVRU, um dos nomes mais reconhecidos neste conceito da arte contemporânea. "Observando esses 20 anos do festival, podemos perceber que o mundo mudou com os avanços e conceitos tecnológicos. E o festival tem como uma de suas premissas oferecer soluções entre arte e ciência. Atualmente, já podemos afirmar que o artista é uma espécie de cientista", afirma Algora.
Para Daniela Bousso, a vinda do festival ao Brasil poderá contribuir para o desenvolvimento artístico e científico, colocando essa produção de arte em contato com o público brasileiro. "A missão do MIS será fundamental para discutir tecnologia e arte, cruzando conhecimentos e ideias, além de fomentar a produção desse tipo de arte no Brasil", diz ela. Ainda não estão definidos os artistas brasileiros que participarão do festival. De acordo com Perlingeiro, a exposição "Máquinas e Almas" não será a mesma apresentada na Espanha, no ano passado. "Apesar de contemplar algumas obras que estiveram na mostra de 2008, vamos ter novos trabalhos, inclusive de artistas brasileiros", adianta. O diretor da Pinakotheke afirma que o festival será realizado simultaneamente no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, no Museu da Imagem e do Som e no Ibirapuera, ambos em São Paulo.
Criatividade
"A partir do domínio da ferramenta, qualquer pessoa pode criar e se tornar artista. Penso que o conceito é uma democratização da arte".
EVRU artista digital catalão
Acesso
Interatividade à frente da criação
Nas relações entre arte e tecnologia, uma coisa é certa: não basta apenas o olhar do espectador diante de uma obra. É preciso que haja interação. "Já não é possível entender a arte separada das novas mídias, da Internet e da tecnologia digital. E a interatividade é um caminho para essa percepção da criação artística", afirma Montxo Algora. Nesse sentido, durante o lançamento do ArtFutura, no Rio, o artista catalão EVRU apresentou sua mais recente obra, o Tecura. "Resolvi criar uma ferramenta gratuita, na qual todos pudessem criar pinturas no computador. O próprio nome, Tecura (te cura) vem com essa proposta, onde todos podem aliviar seus problemas através da criação artística", afirma o artista. (FC)
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Publicado em: 06/05/2009