Acessar a internet em um apartamento da região Centro-Sul de Belo Horizonte é fácil. O usuário pode escolher entre pelo menos cinco empresas, comparar preços e velocidades. Mas, à medida que o endereço se distancia dos pontos mais nobres, fica mais difícil encontrar uma empresa disposta a estender seus cabos. Assim, muita gente que tem computador em casa não pode acessar a rede. Correção: não podia. O acesso à internet via rádio, que já foi considerado clandestino e pouco confiável, firmou-se como opção de qualidade.
"Não tinha nada aqui", conta o representante comercial Jésus José Ribeiro Filho, morador do bairro Novo Amazonas, em Betim. Segundo ele, só depois de ter internet via rádio instalada no prédio é que surgiu uma grande empresa oferecendo banda larga fixa. "Facilitou a vida, ficar ligado 24 horas por dia é uma tranquilidade", resume. "E fica mais em conta por envolver todo o prédio, então pago R$ 59 por mês por uma conexão de 1 Mbps", conta.
Como em qualquer tecnologia, a tendência do preço da conexão é cair. "O wireless (conexão sem fio) começou a ser uma tecnologia mais viável economicamente, a qualidade dos rádios está melhorando, então ganhamos no mercado corporativo e de pessoa física", afirma Epaminondas Lage, diretor comercial da Planetarium, provedor que atua em Belo Horizonte desde 1996.
Ele diz que sua empresa só não cresce mais pela capacidade de investimento limitada. "Trabalhamos com recursos próprios, então não podemos aumentar o número de clientes na velocidade que gostaríamos", diz. "Hoje as pessoas compram computador igual se comprava enceradeira, as classes C e D estão efetivamente tendo acesso à tecnologia. E computador sem internet é quase nada".
Na casa do aposentado Celso Luiz do Patrocínio, do bairro São Francisco, em Belo Horizonte, o computador era realmente quase nada, mesmo com internet. "Precisava abrir alguma página ou e-mail e demorava dois, três minutos", conta o usuário, que trocou sua banda larga fixa de uma empresa de telefonia pela internet via rádio. "Baixo qualquer coisa mais rápido, é quase instantâneo. Sem contar que não tem filtro na tomada, não dá ruído no telefone fixo, como antes".
Cuidados. Na hora de escolher um provedor via rádio, é preciso saber se ele é autorizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No caso de prédios, é necessário reunir pelo menos três apartamentos interessados, pois o provedor instala uma antena no edifício e desce cabos até cada apartamento.
Também é preciso ter certeza de que não haverá obstáculos: um ponto de presença (antena) deve estar a cerca de 5 km da sua casa, na cidade, para garantir um bom acesso. "Mas dependendo da topografia, conseguimos chegar a até 50 km de distância sem repetição", explica Lage. O preço é a partir de R$ 45 por mês para conexão de 300 Kbps.