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 FOTO: EDITORIA DE ARTE |
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PolíticaBRIGA DE PASTORES
Carlos Willian ameniza tom de críticas
Deputado chegou a classificar de honrosa a atitude de Mário de Oliveira de se antecipar à convocação do Conselho de Ética
LUCIANE LISBOA
O deputado Carlos Willian (PTC-MG), que seria alvo de um suposto plano arquitetado pelo também parlamentar Mário de Oliveira (PSC-MG), para assassiná-lo, amenizou ontem o tom das críticas proferidas contra seu possível algoz.
Ontem, Willian considerou "honrosa" a atitude de Oliveira, que afirmou anteontem que irá antecipar- se à convocação do Conselho de Ética da Câmara de Deputados, se apresentando voluntariamente ao órgão amanhã. "É honroso da parte dele procurar o conselho e colocar-se à disposição para as investigações. Isso mostra que ele está disposto a colaborar com às investigações", afirmou Willian à reportagem, por telefone.
A mudança no discurso do deputado do PTC causa, no mínimo, estranheza, tendo em vista que ele vinha adotando uma postura de bastante indignação, desde que foram publicadas as primeiras notícias denunciando a existência de um plano para matá-lo (veja texto abaixo).
Reforçando o tom mais ameno adotado por Willian, ontem surgiram, nos bastidores da política em Brasília, rumores de que os dois deputados, que foram amigos e companheiros de religião por mais de 20 anos - Carlos Willian era pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), que é presidida nacionalmente por Mário de Oliveira - teriam chegado a um entendimento.
Entendimento
O deputado Mário de Oliveira não foi encontrado para comentar a informação. Já Carlos Willian negou que haja acordo, mas admitiu que membros da IEQ estariam se mobilizando para resolver o caso. "Não estive com ele (Mário de Oliveira), ninguém dele me procurou. Da minha parte, não existe entendimento, nem para ajudá- lo, nem para atrapalhá-lo", ressaltou.
Logo depois, o deputado declarou que há mesmo uma "força-tarefa" do lado de Oliveira tentando uma aproximação. "Eles estão conversando lá para isso, mas da minha parte não tem nada." Segundo Willian, após o plano de homicídio ter vindo à tona, a questão não pode ser resumida em um simples entendimento entre as duas partes, já que está fora do alcance de ambos qualquer decisão sobre os processos instaurados, tanto no âmbito criminal, como no político.
"Não depende de mim nem dele. O que houve foi uma denúncia do Ministério Público, referente a uma tentativa de assassinato contra mim. Politicamente, também não depende de mim, porque quem entrou com uma representação contra ele no Conselho de Ética foi o presidente do meu partido, Daniel Tourinho (PTC)."
Perdão
O deputado Carlos Willian disse que não cogita uma reconciliação com Mário de Oliveira, depois de tudo o que foi revelado. "O que aconteceu foi muito grave. Mesmo eu sendo uma pessoa religiosa, se ele viesse até mim para me pedir perdão, eu penso que ele estaria reconhecendo que realmente foi o mandante do crime, que montou um esquema para me matar", afirma.
Willian frisou que, agora, a única coisa que vai fazer em relação a esse assunto é esperar. "Vou esperar pela investigação do Conselho de Ética e do Supremo Tribunal Federal (STF). Eu fui pessoalmente pedir à ministra Hellen Gracie para dar prioridade ao meu caso, e ela, prontamente, disse que vai agilizar o processo."
Parlamentar reforça sistema de segurança da sua casa
O deputado federal Carlos Willian (PTC-MG), vítima de um suposto plano de assassinato que teria sido arquitetado pelo colega Mário de Oliveira (PSC-MG), passou o final de semana na capital mineira com a família.
O deputado, que volta hoje para Brasília, declarou que ainda está bastante abalado com os acontecimentos da última semana, mas que tem contado com o apoio da mulher e dos filhos para superar o trauma. "Estou com minhas crianças. Graças a Deus, e tenho certeza disso, eu escapei ileso dessas tentativas planejadas para acabar com a minha vida. Sei que sou protegido por Ele", ressaltou. No entanto, Willian revelou que, depois de tudo o que passou, teme pela segurança de sua família.
"Estou trocando todo o sistema de segurança da minha casa. Minha preocupação maior é com eles", disse o ex-pastor. Conselho de Ética O deputado Mário de Oliveira, que teve processo de cassação aberto no Conselho de Ética e deve ser citado no órgão amanhã, terá prazo de cinco sessões ordinárias no plenário (a partir da data de seu indiciamento), para apresentar sua defesa. A previsão da relatora do processo de Oliveira no Conselho de Ética, deputada Solange Amaral (DEM-RJ), é que até o recesso parlamentar, que começa no dia 15 de julho, o caso já tenha avançado bastante. Solange declarou considerar o caso "muito sério. Além disso, a relatora garantiu que não irá permitir que duas coisas ocorram neste processo: "condenação prévia, e engavetamento". (LL)
Antes de romper, deputados eram amigos de longa data
Os deputados Mário de Oliveira (PSC-MG) e Carlos Willian (PTC-MG), respectivamente o acusado e a vítima de uma suposta "conspiração de morte", foram amigos, companheiros de religião e pastores da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) por mais de 20 anos. Willian, que é advogado, chegou a ser assessor parlamentar de Oliveira e presidente da Rádio Evangélica 107 FM, de Belo Horizonte, que pertence à IEQ, que é presidida por Oliveira.
Os dois também dividiram por muitos anos os palcos do Sermão da Montanha, evento evangélico que chegou a reunir 130 mil pessoas na praça do Papa, na capital, e que agora acontece na região da Pampulha. O rompimento entre os pastores aconteceu, na versão de Carlos Willian, em 2005 quando ele, então vereador em Belo Horizonte, decidiu ser candidato a deputado federal, contrariando a orientação da igreja.
Willian venceu o pleito e assumiu a vaga na Câmara de Deputados, assim como Mário de Oliveira. No dia da posse, o presidente da IEQ teria ofendido Carlos Willian, que fez uma representação na Corregedoria da Casa.
Tentativa de homicídio
Mas o mais grave ainda estava por vir. No último dia 19 de junho, a polícia de Osasco (SP), que investigava um homem chamado Alemão e que seria o autor de um homicídio ocorrido no dia anterior, recebeu um telefonema de que o suspeita estava em um shopping da cidade. Quando a polícia chegou ao local, Alemão conseguiu fugir, mas Odair da Silva, que estava com ele, foi preso.
Ao periciar um cartão de memória apreendido com Silva, a polícia de Osasco não avançou na investigação do homicídio, mas descobriu um plano para matar o deputado Carlos Willian. Ao ser interrogado, Silva disse que o mandante do assassinato era o pastor Mário de Oliveira. O plano era matar Carlos Willian no último dia 21, quando ele desembarcasse no aeroporto de Confins com destino a Belo Horizonte.
O assassinato não aconteceu porque o parlamentar integrava a comitiva do presidente Lula, que estava em visita à capital mineira. A investigação do caso foi encaminhada pela Polícia Civil de Osasco ao Supremo Tribunal Federal (STF). O PTC, partido de Carlos Willian também decidiu pedir a investigação do caso na Câmara de Deputados e acionou o Conselho de Ética da Casa, que já instaurou o processo. A expectativa é que Mário de Oliveira, segundo ele mesmo disse anteontem, se explique ao conselho amanhã. (LL)
Publicado em: 02/07/2007
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