Mulheres ficam em situação financeira complicada, com nome sujo na praça, por entregarem o total controle orçamentário para companheiros; elas contraem "dívidas sexualmente transmissíveis"
Por amor, a vida financeira de uma mulher pode virar um inferno. Falta de planejamento, entrega de todo o controle financeiro para o parceiro, empolgação e até um pouco de inocência na hora de gastar ou investir em um negócio conjugal podem transformar sonhos em pesadelos. Eliana Bussinger, escritora e administradora, recebe um total incontável de emails de mulheres chorosas, revoltadas, perdidas em um abismo de contas deixadas por ex-companheiros. No rastro da insolvência feminina, Eliana escreveu um tratado simples (veja na arte abaixo) para qualquer mulher se proteger do que ela intitula de "dívidas sexualmente transmissíveis". Eliana diz que muitas mulheres contraem dívidas pelos mesmos motivos que estão contraindo doenças ocasionadas no sexo.
A pressão que alguns homens impõem para dispensar o sexo com proteção é muito semelhante àquela imposta para colocar a mulher em situação crítica de endividamento. "Elas emprestam dinheiro a seus parceiros por ingenuidade e medo", explica. As mulheres, segundo ela, sofrem pressão para que seus nomes sejam usados na compra de um carro, na abertura de negócios ou para arcar com dívidas em bancos e financeiras. "Fazem isso, muitas vezes, sem ler contratos ou compreender as conseqüências da falta de pagamento", condena. Anilda Carvalho de Almeida, 36, encaixa no perfil descrito por Eliana. É uma brasileira com dívida, nome sujo na praça e desempregada, realidade bem diferente da de quando se casou, grávida, aos 16 anos. Após um relacionamento de nove anos, o ex-marido a abandonou com o filho. "No primeiro ano de casamento, abri uma empresa de peças de automóveis para ele no meu nome", conta.
A firma não foi desativada e o nome de Anilda foi incluído na lista suja da Receita Federal sem que ela nunca tivesse sido empresária na vida. As dívidas da cabeleireira desempregada somam quase R$ 1.000 na Receita Federal e outro valor, ainda desconhecido, na Receita Estadual. "Não posso abrir nada no meu nome, nem fazer financiamento. Minha vida está parada há quase 20 anos", lamenta. Atormentada por inúmeros conflitos em noites insones, Anilda diz ter muito arrependimento. "Eu queria ser veterinária, mas me casei com uma pessoa descontrolada nas finanças", disse, olhando para a república de mulheres onde mora, no centro de Belo Horizonte. O caso dela ilustra o levantamento publicado pela revista norte-americana "Money", que mostra que sete em cada dez mulheres admitem discutir por causa de dinheiro. Oito em cada dez afirmam que o companheiro é motivo de tensão no casamento. Quando o assunto é finanças, os casais costumam transitar por interesses diferentes e é nessa esteira que a escritora paulistana Eliana Bussinger desenvolveu o livro "As leis do Dinheiro para Mulheres".
Força de trabalho
No Brasil, as mulheres já são quase a metade da força de trabalho e um terço dos lares são comandados por elas. "Mesmo assim, são pior remuneradas", disse a autora. Querendo assumir o controle de suas vidas, as mulheres estão em todos os setores da economia. "Estão aprendendo a fazer dinheiro, embora ainda não façam parte do mundo da administração e dos investimentos com a mesma expressão que os homens", explica Bussinger. Tendo em vista esse panorama, Eliana Bussinger escreveu o livro de educação financeira especificamente para a mulher brasileira, para que ela possa se posicionar em relação ao futuro e aos novos modelos culturais.
O livro apresenta fórmulas com explicações, exercícios e estudos de casos para que as mulheres possam definir e mensurar objetivos, calcular riscos, escolher a forma mais adequada de investimento.