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A estudante Dariane Araújo 'encostou' a impressora do computador porque a reposição do cartucho era muito cara e a despesa não cabia no orçamento da família

FOTO: DANIEL DE CERQUEIRA
A estudante Dariane Araújo 'encostou' a impressora do computador porque a reposição do cartucho era muito cara e a despesa não cabia no orçamento da família
Cláudia Volpini diz que, antes de comprar, é preciso computar despesas com uso

FOTO: ACMINAS/DIVULGAÇÃO

FOTO: EDITORIA DE ARTE
Economia » Consumidor

Barato para comprar, caro para usar
Eletroeletrônicos e até imóveis podem inviabilizar orçamento por despesas como peças de reposição e condomínio
ANA PAULA PEDROSA

Na casa da família Araújo, impressora virou só um objeto encostado num canto. Em 1995, a família adquiriu o equipamento, mas não levou em conta o custo de utilização. Resultado: em dez anos, a máquina só foi reabastecida duas vezes. "O cartucho era muito caro, durava pouco e não tinha jeito de recarregar. Não valia a pena", diz a estudante Dariane Araújo. Como no caso dela, muita gente não usa os produtos que adquire porque se esquece de incluir na conta o custo da utilização mensal.

Com crédito farto, renda em alta e inúmeras possibilidades de financiamento, ficou fácil para o consumidor realizar seus desejos. Mas o sonho de consumo pode virar pesadelo com os gastos com acessórios, periféricos ou manutenção. "Quando vai incluir um custo, o consumidor não tem que olhar só o preço da prateleira. Tem que calcular quanto aquilo vai pesar no seu orçamento", diz a presidente do Conselho de Comércio da Associação Comercial de Minas (ACMinas), Cláudia Volpini.

Despesa planejada
Ela explica que o raciocínio vale para todo tipo de bem, desde os menores até a casa própria. "Não adianta comprar um imóvel e não poder arcar com o condomínio, o IPTU, nem comprar um carro se, no orçamento, não cabem o combustível, o IPVA, as taxas, as peças de reposição e as revisões", afirma. No caso da Dariane Araújo, a impressora foi riscada da lista de bens da família. "Ficava só ocupando espaço e juntando poeira", diz a estudante. Ela afirma que, se for comprar outra impressora, vai pesquisar primeiro o preço do cartucho.

O editor de imagem Leonardo Alves Amorim aprendeu a lição na prática. Ele conta que a mãe se desfez de um forno elétrico porque o equipamento encarecia muito a conta de luz, fato que não foi levado em conta no momento da compra. Com casamento marcado para o ano que vem, ele diz que está procurando eletrodomésticos que gastem pouca energia, mesmo que custem um pouco mais. "Estou olhando mais a economia mensal", afirma.



Planejamento ajuda a economizar

Para não entrar numa canoa furada e comprar um produto que não possa manter, o primeiro passo é pesquisar. “Não considere somente o preço que consta na prateleira. Na verdade, o preço que você irá efetivamente pagar pelo produto consiste no valor inicial, acrescido aos custos de utilização mensal”, diz o editor do Solucionathica.com, site voltado para instrução financeira e investimentos, Diego Chagastelles.

Ele observa que a garantia oferecida pelo fabricante também é um indicador importante, porque mede o tempo que o usuário estará livre de gastos com eventuais defeitos. O professor da Faculdade de Tecnologia do Comércio da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (Fatec/CDL-BH), Marco Antônio Costa de Freitas, aconselha também a desconfiar de ofertas milagrosas.

“Em muitos casos, o lojista quer desovar o produto porque tem algo inconveniente no seu manuseio. Pode ser a manutenção cara, o desgaste com o uso, a falta de peças de manutenção”, afirma. Os dois especialistas dizem que é importante comparar o custo-benefício entre produtos de diversas marcas para encontrar a opção mais adequada. Em muitos casos, porém, o consumidor não tem como fugir dos preços altos dos acessórios, porque o problema não é restrito a uma marca ou modelo.

É o caso do DVD. Enquanto o aparelho é vendido por pouco mais de R$ 100, um disco recém-lançado não sai por menos de R$ 30. Ou seja, três DVDs custam praticamente o preço do equipamento.

“O que é caro é a informação que está gravada nele. Por isso, o preço não cai”, diz Marco Freitas. A servidora pública Lucíola Gomide Dutra sabe disso. Fã de séries de TV, ela só compra os episódios que deseja meses depois do lançamento. “É muito caro, dá até vontade de piratear. Não faz sentido”, reclama. Ela diz que prefere ter os discos em casa a alugá-los, porque gosta de rever várias vezes. (APP)

Publicado em: 24/09/2007



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