Ronaldinho Gaúcho, Vágner Love e Robinho comemoram a vitória sobre os equatorianos em boate na Barra da Tijuca
RIO DE JANEIRO - Após a goleada sobre o Equador pelas eliminatórias da Copa 2010, por 5 a 0, jogadores da seleção brasileira comemoraram por até oito horas em festa em casa noturna na Barra da Tijuca, com 300 convidados. Antes da partida, Ronaldinho, Robinho e Vágner Love já tinham alugado a boate The Cat Walk, por R$ 20 mil, na Barra, zona oeste do Rio.
O valor incluía comida e som. Os atletas começaram a chegar ao local por volta das 2h da madrugada. Antes, tinham passado por camarote no Maracanã, em evento social. Na boate, a comemoração só acabou no final da manhã de ontem, a contragosto dos jogadores, que queriam continuá-la. Aos músicos, DJs e técnicos do som que permaneceram desde aa 17h de quarta-feira à disposição dos organizadores da festa Ronaldinho pediu, às 10h30, que eles continuassem trabalhando até o meio da tarde.
O craque justificou a razão: como seu vôo para Barcelona só partiria às 18h, ele gostaria de ir direto da boate para o aeroporto internacional do Rio de Janeiro. Exaustos, os profissionais recusaram-se e desligaram a aparelhagem, o que gerou reclamações de Ronaldinho, Vágner Love e das dezenas de pessoas que ainda balançavam na pista da casa noturna. Até sambistas disseram a eles que tinham que ir embora, porque à noite fariam um show com o pagodeiro Belo, em liberdade condicional após condenação por tráfico de cocaína.
Ronaldinho e Vágner Love, para não serem flagrados pelos fotógrafos, deixaram a boate cobertos por um pano preto no trajeto até o carro que os aguardava. Eram 11h de hoje. Robinho tinha saído mais cedo. Ele foi fotografado por sites especializados em celebridades.
Cerveja e uísque
A festa teve a participação de artistas do samba, do pagode e do funk, convidados especialmente pelo trio de atletas festeiros. Entre eles, integrantes do Exaltasamba, Fundo de Quintal, Kiloucura e Os Morenos. O sambista Dudu Nobre também cantou. O cantor Latino esteve na festa, mas não subiu ao palco. Um dos pontos altos da noitada foi a interpretação de músicas funk por Vágner Love. O atacante acompanhou o DJ Tralha, um dos especialistas no gênero. Requebrou as coreografias funk, enquanto bebia cerveja, a bebida também ingerida por Robinho. Ronaldinho preferiu uísque.
Robinho saiu mais cedo, por volta das 5h, e ficou muito aborrecido com insinuações de que, aos berros, teria pedido a amigos, pouco antes, que comprassem 40 camisinhas. Também estiveram na boate outros jogadores da seleção do treinador Dunga, como Josué, Júlio Batista, Daniel Alves e Alex Silva. Todos subiram ao palco durante a festa para cantar com os pagodeiros. Até o atacante Somália (Fluminense), de muletas após cirurgia grave no joelho, esteve na boate para se juntar aos colegas. Todos têm jogos no final de semana por seus times. Robinho joga pelo Real Madrid, no sábado. Ronaldinho enfrenta o Villarreal, no mesmo dia.
A The Cat Walk esteve envolvida em um escândalo em julho. Um de seus sócios, o empresário iraniano Jafar Hajebrahim, foi preso pela Interpol. Ele havia sido condenado na Inglaterra a 14 anos de prisão, por tráfico de cocaína. O assessor de imprensa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rodrigo Paiva, disse que não sabia da festa e que a entidade não faria comentários a respeito. "Cada um faz o que quer, cada um cuida da sua vida", afirmou.
Em entrevista recente, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, atribuiu boa parte do fracasso da seleção na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, ao comportamento de alguns atletas que, segundo Teixeira, voltavam bêbados ao hotel nas noites de folga. (Agência Estado e Folhapress)
RIO DE JANEIRO – Dunga se irritou com as críticas à seleção após o 0 a 0 com a Colômbia. E não mudou o humor nem depois do 5 a 0 no Equador. Na próxima rodada das eliminatórias, o Brasil pega o fraco Peru, em Lima, e o técnico prevê uma batalha tão difícil quando a do Maracanã, na quarta-feira. “Temos de rever conceitos, não vi um Equador frágil como vocês (jornalistas) estão dizendo. Eles têm um time forte e nos deram muito trabalho”, disse o treinador. “Vamos ter essa mesma dificuldade diante do Peru.” Dunga parece ter contagiado seu time. Todos “temem” o Peru. “Durante um mês vão falar bem no nosso sistema. Porém, se formos mal no Peru... Cabe a nós não deixar esse ritmo cair”, afirmou Kaká, autor de dois gols no Rio.
As palavras do técnico poderiam soar como soberba, afinal ele não deu o braço a torcer nem depois de goleada. Mas eram sérias, numa clara de demonstração de contenção de euforia. “Mostramos nosso real futebol contra o Equador, mas o torcedor não pode achar que vamos golear todos os jogos. É necessário humildade, pés no chão, respeitar o próximo adversário”, pregou o volante Gilberto Silva. “No Maracanã foi maravilhoso. Mas passou e nem sempre isso vai acontecer.” Quem mais demonstra empolgação é Juan. “Depois de dois jogos difíceis, mostramos estar preparados e temos a obrigação de repetir essa apresentação na próxima rodada”, afirmou o zagueiro. (Agência Estado)