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Comprimidos de ecstasy, pontos de LSD, além de haxixe e cocaína foram apreendidos dentro de ônibus interceptado na BR-381

FOTO: PEDRO SILVEIRA
Comprimidos de ecstasy, pontos de LSD, além de haxixe e cocaína foram apreendidos dentro de ônibus interceptado na BR-381

FOTO: EDITORIA DE ARTE
Cidades

PM barra excursão regada a droga
Ônibus fretado levava grupo que seguia de BH para rave na Bahia com LSD, ecstasy, haxixe e cocaína - Treze jovens de classe média foram presos; eles assumem uso, mas negam o tráfico das substâncias
FLAVIANE PAIXÃO

A expectativa de um grupo jovem ter um final de ano regado a música eletrônica e drogas foi frustrada na noite de anteontem pela polícia. Foram presos 13 jovens de classe média que seguiam em um ônibus de excursão para Ituberá, na Bahia, onde iriam curtir um festival cultural, onde é realizada também uma festa rave. O grupo foi interceptado na BR-381, KM 10, na saída de Belo Horizonte para Vitória (ES), com uma vasta quantidade de substâncias ilícitas, como LSD, ecstasy, haxixe e cocaína.

Entre os detidos estão um professor de educação física, estudantes universitários, pósgraduados e duas mulheres. A maioria reside em bairros nobres da região Centro-Sul da capital e no Sul de Minas. A média de idade deles é de 25 anos. Todos alegaram que a droga era para uso próprio.

Militares do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) encontraram no veículo fretado para fazer a viagem a quantidade de 343 comprimidos de ecstasy e mais uma porção de substrato para sua produção, 238 micropontos de ácido lisérgico (LSD), 150 gr de cocaína, duas buchas de maconha e 710 gr de haxixe. Além disso, R$ 7.839 foram apreendidos com eles.

Esse foi o segundo caso na capital registrado em uma semana em que houve a combinação da festa baiana, drogas e o mesmo perfil socioeconômico de alto padrão. Na ocorrência anterior, cinco pessoas foram presas com mais de 400 comprimidos de ecstasy e 730 micropontos de LSD. O evento Universo Paralello está em sua oitava edição e começou ontem. São sete dias de festa e um público estimado em 10 mil pessoas. Houve uma tentativa de contato com a organização por e-mail, mas o retorno do pedido de entrevista não aconteceu.

Trajeto
De acordo com o soldado Félix Garzedim, que atuou na ocorrência, o coletivo partiu do terminal JK, no centro da cidade, com 36 passageiros. A viagem atrasou em três horas, mas não impediu que uma equipe de militares acompanhasse a partida de maneira disfarçada. "O veículo saiu por volta das 18h e pouco tempo depois, o abordamos no posto de gasolina. Somente liberamos para que o coletivo prosseguisse viagem depois que tudo foi vistoriado, inclusive os pertences de cada um dos passageiros", afirmou Garzedim. A liberação aconteceu depois das 23h de sexta-feira.

A Polícia Militar conferiu os documentos do meio de transporte e estavam legais para viagem interestadual. Outras 23 pessoas seguiram viagem por não estarem portando nada, conforme o soldado. Cerca de 20 homens da Rotam foram empenhados na ocorrência e até cães farejadores contribuiram na busca pelas drogas. Garzedim ainda informou que todo esse volume foi encontrado distribuído em malas, mochilas e embaixo dos bancos de passageiros.

Conduzidos
Os acusados foram levados para a Divisão de Tóxicos e Entorpecentes da capital. Um deles revelou que é comum o uso de drogas nesse tipo de festival. Esse seria o segundo ano consecutivo em que o rapaz participaria do evento, no entanto, ele afirmou que havia uma intenção da Promotoria de Justiça baiana em cancelá-lo. "Como esse evento traz muito retorno para a cidade, preferiram voltar atrás", disse.

Cerca de cinco jovens confessaram ser usuários de droga, mas garantiram que não portavam todo esse volume de entorpecente. Esse grupo ainda comentou que "só carregava consigo um cigarro de maconha". Durante o festival na Bahia é realizada uma festa rave, além de várias oficinas artísticas e de ioga. "A polícia pegou a gente numa boa e não quer dizer que somos traficantes. Eles vão ter que apurar e investigar a quem pertencia toda a droga encontrada dentro do ônibus. Cada um tem sua história aqui", disse outro homem. Ele ainda ponderou que muitos não se conheciam antes dessa viagem.



Familiares e advogados aguardam informações na Tóxicos

FOTO: PEDRO SILVEIRA
Familiares e advogados aguardam informações na Tóxicos
Demora do almoço foi motivo de reclamação

Os familiares e advogados dos jovens de classe média detidos ontem em uma pequena sala da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes de Belo Horizonte andavam impacientes pelos corredores da delegacia e reclamavam da demora para se servir o almoço oferecido aos acusados e para se iniciar os depoimentos. Os acusados foram presos pouco depois da 23h na BR–381, na saída da capital para Vitória (ES). A primeira refeição ocorreu às 9h e foram servidos pastéis comprados pela própria polícia. O almoço chegou por volta das 14h e os acusados começaram a ser ouvidos às 16h, logo depois dos policiais militares que participaram da apreensão. Na sala quente e lotada, poucos conseguiram comer o marmitex.

O sargento Pedro Milhem Júnior, da 2ª Companhia Falcão do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam), informou que todas as pessoas encaminhadas para a Divisão de Tóxicos e Entorpecentes foram autuadas em flagrante por tráfico ou associação ao tráfico diante da grande quantidade e variedade de entorpecentes encontrados com cada um deles e dentro do veículo.

De acordo com os familiares, os presos passaram a madrugada amontoados, sendo 11 em uma van da PM e dois em um camburão. Foi um dos advogados que solicitou o almoço. “É muito tempo de espera para uma coisa tão boba e que acontece todos os dias”, disse uma mãe. O primo de um dos detidos afirmou que era uma tática da polícia para que o verdadeiro dono da droga aparecesse. “Estão cansando eles até que em confessem ou entreguem quem levou a droga.”

A previsão otimista dos funcionários da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes era que todos deixariam o local por volta das 21h, mas o trabalho poderia se estender até a 0h. Preocupados, todos se mobilizavam para adiantar o serviço e foram depressa tirar xerox da documentação de cada acusado. Um de cada vez, para não superlotar o espaço onde eles estavam sendo mantidos, entrava um pai ou uma mãe. Um tempo apenas para dar uma espiada e falar alguma palavra de consolo. Por volta das 16h30, quatro dos treze acusados foram levados para o Instituto Médico Legal para os devidos exames. (LB)



Organizador confirmou uso de maconha no veículo

O DJ Breno, que organiza há cinco anos a excursão para o festival de música Universo Paralello, na Bahia, confirmou ontem que alguns passageiros estavam fazendo uso de maconha durante a viagem. Por esse motivo, o ônibus chegou a ser parado por algumas vezes. Ele confessou ser usuário e negou ter conhecimento da grande quantidade de drogas sintéticas que estava sendo transportada. “Não podemos vistoriar a mala de cada um. Faço essa viagem durante todo esse tempo e nunca tive problema parecido. De toda a turma que estava no ônibus conhecia apenas três, amigos de outras viagens ao festival”, explica.

Segundo Breno, a excursão funciona como uma forma de fazer dinheiro e garantir sua chegada no Universo Pararello, onde iria discotecar no próximo dia 2. Ele alega que estava no ônibus a trabalho e que nada foi encontrado com ele para justificar sua prisão, juntamente com as outras 12 pessoas. “No boletim de ocorrência feito pela Polícia Militar consta que eu não transportava droga. O problema é que encontrara um pacote de haxixe solto dentro do ônibus. Como eu era o guia e desci primeiro, acabei detido. Acho que para explicar tudo”, disse.

Breno é um dos responsáveis pela organização do evento em Belo Horizonte e disse que sua presença na Bahia seria fundamental para a entrega dos ingressos vendidos e pela acomodação de todos. O bilhete de acesso ao festival custou R$ 210 (antecipado) e R$ 310, no dia. Para desfrutar do belo visual baiano, cada um teve que desembolsar R$ 280, com o transporte de ida e volta e a garantia de acomodação em um acampamento. Uma opção mais barata era só pagar pela partida, escolha que saía a R$ 220.

A festa
O Universo Paralello Festival de Arte e Cultura Alternativa é um dos eventos mais esperados do ano para os amantes de muito agito ao som de DJs. A festa, que já é conhecida dentro e fora do Brasil, começou no dia 28 de dezembro e se estende até o dia 3 de janeiro, na praia de Pratigí, na cidade de Ituberá, localizada a 160 km ao sul de Salvador (BA). Segundo informações do site, os últimos quatro anos do festival não registram nenhum incidente. (LB/Com Marina Alves)

Publicado em: 29/12/2007



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