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 Segundo pesquisa do DataTempo, a torcida atleticana é a maior de Belo Horizonte, com um ponto percentual a mais de adeptos em relação aos rivais celestes FOTO: CHARLES SILVA DUARTE - 9.2.2008 |
| Segundo pesquisa do DataTempo, a torcida atleticana é a maior de Belo Horizonte, com um ponto percentual a mais de adeptos em relação aos rivais celestes |
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EsportesHá mais gente torcendo contra o vento do que na China Azul
Atleticanos superam cruzeirenses na capital mineira de acordo com os dados da pesquisa DataTempo, com supremacia em cinco das nove regionais de Belo Horizonte; no levantamento, os americanos aparecem em terceiro, na frente de Flamengo e Corinthians
FLÁVIO HENRIQUE
Para torcedores arqui-rivais como atleticanos e cruzeirenses, admitir em qualquer âmbito que o outro lado está em vantagem não é tarefa fácil. Seja sobre qual assunto for: quem revela mais jogadores, qual time tem o hino mais bonito e, é claro, qual clube tem mais torcida. Às vezes, a paixão costuma cegar as vistas para determinados fatos ou argumentos.
Mas os números não são de levar em conta os fatores subjetivos. Os resultados da pesquisa de opinião realizada pelo DataTempo entre os dias 7 e 8 de fevereiro apontam que, em Belo Horizonte, há mais alvinegros que celestes. São 38,16% de entrevistados que se declaram torcedores do Galo contra 37,16% que afirmam predileção pela Raposa. Seria a primeira vitória alvinegra sobre o rival no ano do centenário do Atlético?
A margem de erro da pesquisa DataTempo é de 3,16% para cima ou para baixo, com um intervalo de confiança de 95,5%. Apesar da diferença a favor da massa atleticana estar dentro dessa margem, é preciso ressaltar que os dados são uma boa análise, visto que foram levantados para o universo da capital mineira. Na recém-pesquisa publicada sobre torcidas do Datafolha publicada em O TEMPO (13.1.2008), o Cruzeiro tem boa vantagem no número de torcedores no Estado (veja resumo da pesquisa em quadro desta página) e uma margem menor na capital mineira (38% contra 34%). Foram feitas 11.741 entrevistas em 390 municípios do país.
Diferentemente de pesquisas anteriores de órgãos e veículos distintos, o América aparece em terceiro lugar na preferência dos torcedores, na frente de Flamengo e Corinthians. Nos dados levantados pelo DataTempo o clube alviverde aparece com 5% de admiradores, enquanto os rubronegros têm 0,8%. Os flamenguistas são seguidos de perto por botafoguenses, corintianos, seleção brasileira e vascaínos, cada um com 0,3%. Entre os demais times mineiros também são citados o Villa Nova (0,2%), o Democrata-SL e o Ipatinga (0,1% cada).
Segundo time
Quase 50% dos torcedores entrevistados dizem categoricamente que só torcem para um time. Já o América surge como a segunda equipe dos belohorizontinos com um percentual de 6,1%. Nessa pergunta o Flamengo demonstra força ao aparecer como segundo time de 5,6% dos entrevistados. Na contrapartida, a seleção brasileira, que é vendida às vezes como uma paixão nacional, é indicada por apenas 2,6% dos torcedores como segunda equipe.
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 FOTO: EDITORIA DE ARTE/FOTO: DANIEL DE CERQUEIRA |
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Religião, política e futebol se misturam
A pesquisa realizada pelo DataTempo também cruzou os dados de qual time os entrevistados belo-horizontinos torcem com religião e política. E o resultado é que os seguidores do manto alvinegro são mais presentes entre os evangélicos (34,1%), em outras religiões (42,4%) e entre os ateus e os que dizem não professar nenhuma crença (37,3%).
Já os fiéis celestes predominam entre os católicos ouvidos pelo levantamento do instituto mineiro: 39,6% partidários da religião do papa Bento XIV são cruzeirenses, enquanto 39,2% dizem que são adoradores do Galo e 4,7% têm fé no América. Por falar no Coelho, eles são mais atuantes no segmento evangélico/crente, com 6,5%.
Homens de pouca fé, 15,7% dos que não possuem religião ou são declaradamente ateus, não acreditam em nenhum time. Quanto à política, pode se dizer que os atleticanos estão no poder. É que 43,7% dos petistas, partido do presidente Lula, torcem para o time de Lourdes. Já 35,3% dos militantes do partido da estrela são cruzeirenses e 5,4% torcem para o Coelho.
Já no PSDB, partido ao qual é filiado o vice- presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, a predominância é de torcedores azuis. 43,9% são cruzeirenses, 35,5% são alvinegros e 4,7% torcem para o time americano. E para variar, a divisão maior aparece no PMDB, pois os números entre atleticanos e celestes se aproximam nesse partido: 41,9% torcem para a Raposa e 39,5% admiram o clube atleticano.
Galo na parte alta da pirâmide social
Na pesquisa do Data- Tempo, a predileção daqueles com renda familiar maior e com nível de escolaridade mais avançado é pelo Atlético. Entre aqueles com ganho mensal acima de dez salários- mínimos, 42,7% são torcedores do Galo, enquanto 35,1% apontam a Raposa como time de coração.
Entre os que ganham de 5 a dez salários mínimos, também há mais alvinegros. São 38,5% que torcem para o clube alvinegro e 34,9% são adeptos da Raposa. Ao passo em que a renda salarial diminui, a preferência pelo Cruzeiro aumenta. Na faixa daqueles que ganham entre dois a cinco salários-mínimos, 38,7% são celestes e 38,2% admiram o Galo. Já na faixa salarial mais baixa há um domínio maior de cruzeirenses. Entre os que recebem até dois salários mínimos, 38,3% declaram torcer pela Raposa. Já 34,7% são alvinegros.
Quanto ao América, contrariando o senso comum de que o time é de elite, o Coelho atinge um percentual de 5,2 entre os que ganham até dois salários mínimos, por exemplo. Já entre os que recebem acima de dez salários, esse percentual é de 3,5%.
Escolaridade
Em termos de escolaridade, vale destacar que há um número a mais considerável de atleticanos entre aqueles que têm curso superior (42,2% contra 30,1% de cruzeirenses). (FHS)
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 FOTO: EDITORIA DE ARTE |
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Celestes mais velhos e mais novos
De acordo com a pesquisa divulgada pelo DataTempo, os cruzeirenses estão mais presentes nas bordas da faixa etária. Há mais celestes entre os que têm 55 anos ou mais (32,5 contra 27,7 alvinegros) e na faixa que vai dos 18 aos 24 anos (45,5 da Raposa e 43,1 são atleticanos).
Cabe ao Atlético maior porção na meia-idade (45 a 54 anos) e na idade adulta (25 a 34). É curioso perceber ainda que os arqui-rivais estão rigorosamente empatados na faixa de 35 a 44 anos. Por sua vez, o América abocanha razoável parte dos torcedores acima dos 55 anos, com 8,4% de admiradores nessa faixa.
Sexo
Os homens torcem mais pelo Atlético segundo o levantamento DataTempo. São 41,3% de alvinegros e 37,8% de cruzeirenses. Já entre as mulheres, a preferência é celeste. 36,6% do belo sexo torce pela Raposa, enquanto 35,2% das entrevistadas dizem ser atleticanas.
Galo vence em cinco regionais do município
A pesquisa DataTempo destrinchou a preferência dos torcedores levando em conta os locais em que eles moram. Belo Horizonte é dividida em nove regionais e os dados mostram que em cinco delas há mais torcedores atleticanos, enquanto nas outras quatro residem mais cruzeirenses.
Ao observar o mapa de Belo Horizonte nesta página, é possível notar que o domínio alvinegro se estende da Regional Leste a do Barreiro, passando por Centro- Sul e Oeste.
Já a quantidade celeste é maior do centro para o norte da cidade. A China Azul tem mais presença nas regionais Pampulha, Noroeste, Nordeste e Venda Nova. Por sua vez, o Atlético tem mais torcida no limite ao norte do município.
O percentual mais alto atingido pelos atleticanos está na Regional Norte, onde 44,1% dos entrevistados apontam o Galo como time de coração. Só que a diferença em relação ao rival é maior na Regional Oeste: são 42,9% alvinegros contra 28,6% de celestes. Na contrapartida, a regional em que existe o percentual baixo do Atlético é a Nordeste, com 33,3% dos entrevistados.
Já o número mais alto conseguido pelos celestes está na Regional Noroeste, onde 45,2% declaram amor pela Raposa. Mas é na Nordeste que a diferença em relação ao rival se torna mais ampla: 40% da China Azul contra 33,3% da massa alvinegra. O lugar com menor percentual de cruzeirenses é justamente a região Oeste: 28,6%.
América
A regional que conta com o maior percentual de americanos é a Norte, com 11,8% dos entrevistados. Já na Regional Oeste, que tem desde bairros com moradores de alto poder aquisitivo, como Buritis ou Santo Agostinho, e outros de realidade financeira mais simples, como o Cabana ou o Morro das Pedras, a presença americana é a menor registrada pela pesquisa DataTempo: 0,8%.
Outros dados curiosos que valem a pena ser destacados sobre as regionais é que na Oeste 24,6% (quase 1/4) dizem que não torcem para nenhum time. Por outro lado, na Pampulha, região que abriga o Mineirão, apenas 4,8% dos entrevistados responderam que não torcem para equipe alguma. (FHS)
Publicado em: 17/02/2008