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Marca. Babu vê certa vantagem em interpretar um tipo bandido, pela carga expressiva que o papel oferece

FOTO: ARQUIVO AGÊNCIAOGLOBO
Marca. Babu vê certa vantagem em interpretar um tipo bandido, pela carga expressiva que o papel oferece
Magazine

Perfil. O ator Babu Santana faz teatro e televisão, mas afirma: "O cinema roubou meu coração"
Um bandido convincente
DOUGLAS RESENDE
A cara carrancuda, o farto corpo que carrega uma massa de 97 kg em 1,83 m de altura e o temperamento extravagante fazem do ator Babu Santana uma presença forte em cena. Seja no teatro, em espetáculos do grupo Nós do Morro, no cinema, nas várias produções em que o ator tem trabalhado nos últimos anos, ou na televisão, em seriados e na novela "Duas Caras", da TV Globo.

Apesar de na vida real Babu - nascido há 28 anos no morro do Vidigal, no Rio de Janeiro - encarnar um personagem simpático, humilde, generoso e pai de Laura, 5, e Carlinhos, 4, aqueles elementos que caracterizam sua figura e que vão com ele para a cena têm lhe feito cair em uma série interminável de personagens maus, ligados à bandidagem. No cinema, começa com Roque, de "Uma Onda no Ar", que preferia o caminho do "dinheiro fácil" do crime para manter a rádio Favela, e chega até Bijú, o "chefe de cela" que abusa do poder em "Estômago", atualmente em cartaz nos cinemas de Belo Horizonte. "Antes eu até tinha medo de ficar estigmatizado. Porém, eu não classifico meus personagens de bandido e não-bandido, mas da colocação e do peso que eles têm na história. Além disso, tudo o que pode vir contra mim eu uso de mola propulsora", diz Babu, prevenindo-se de possíveis preconceitos. Ele vê ainda certas vantagens em interpretar o tipo bandido, pela carga expressiva que ele geralmente carrega e pelas "ferramentas" que exige em cena.

Babu Santana iniciou profissionalmente sua carreira de ator no grupo teatral Nós do Morro, fundado há 22 anos, no mesmo Vidigal. Mas apesar de se manter firmemente engajado no trabalho do grupo - inclusive, estréia em breve o espetáculo "O Alienista", musical adaptado do conto de Machado de Assis -, o ator parece ter encontrado no cinema a veia principal para injetar seu talento.

Em apenas 28 anos de vida, ele já participou de 17 produções, entre 2002 e 2008. "O cinema roubou meu coração. Não pelo volume de trabalho, mas como processo", declara Babu. "O teatro é quase uma religião pra mim. Mas eu me vejo muito como ator de cinema. Ali tem todo um movimento, desde quando surge o argumento na sua cabeça, a preparação do ator. É interessante também como o cinema agrega as pessoas numa produção que pode durar dois anos. E você se sente especial com o tanto de cuidado que recebe. Já o teatro é a higiene corporal do ator", diz Babu, que acaba de terminar as filmagens de "Plastic City", produção chinesa realizada em São Paulo, e se já prepara para começar as filmagens de "Chic no Último", que terá direção de Alain Fresnot.

Trajetória
Desde que iniciou sua carreira de ator, Babu Santana trabalhou em diversas obras,
cinematográficas, teatrais e televisivas.

Cinema

"Uma Onda no Ar" (de
Helvécio Ratton, 2002)
"Cidade de Deus" (de
Fernando Meirelles, 2002)
"Quase Dois Irmãos" (de
Lucia Murat, 2004)
"Redentor" (de Cláudio
Torres, 2004)
"Batismo de Sangue" (de
Helvécio Ratton, 2006)
"Estômago" (de Marcos
Jorge, 2007)
"Maré, Nossa História de
Amor" (de Lucia Murat,
2007)
"O Estado do Mundo" (de
Ayisha Abraham e Chantal
Akerman, 2007)

Teatro

"Burro sem Rabo, ou..." (do
Nós do Morro, 2004)
"Sonhos de uma Noite de
Verão" (do Nós do Morro,
2005)

Televisão

"A Diarista"
"Duas Caras"


Babu em 'Estômago', papel que lhe rendeu o Prêmio Especial do Júri do Festival do Rio 2007

FOTO: ZENCRANE FILMES/DIVULGAÇÃO
Babu em 'Estômago', papel que lhe rendeu o Prêmio Especial do Júri do Festival do Rio 2007
“Uma Onda no Ar”
Uma história familiar
A estréia de Babu Santana no cinema aconteceu em Belo Horizonte, na produção de “Uma Onda no Ar”, do diretor Helvécio Ratton, com quem trabalhou também em “Batismo de Sangue”.

O ator não gosta de destacar um ou outro personagem que tenha marcado mais a sua trajetória. Ele acha que todos têm a mesma importância para o seu “aprendizado”. Mas a experiência de seu primeiro filme, sobre a rádio Favela, fez Babu conhecer uma história que lhe pareceu familiar. “Inicialmente eu não sabia nada da história. Fui conhecer mesmo no momento em que cheguei em Belo Horizonte. E fiquei encantado com o pessoal”, diz Babu Santana. “Uma das coisas que me deixaram admirado é que são caras que construíram aquilo com a luta deles mesmos, o que tem muito a ver com a trajetória do Nós do Morro.” (DR)


Babu e Guti Fraga no espetáculo 'Sonhos de uma Noite de Verão'

FOTO: MARINAHENRIQUES/DIVULGAÇÃO
Babu e Guti Fraga no espetáculo 'Sonhos de uma Noite de Verão'
Novo projeto
Simão Bacamarte será o próximo vilão de Babu
DOUGLAS RESENDE
Babu Santana já teve muitos papéis importantes no cinema e no teatro. Bijú, de “Estômago”, e Dudu, de “Maré, Nossa História de Amor”, por exemplo, deram a ele o Prêmio Especial do Júri do Festival do Rio 2007. Mas o ator carioca nunca foi, de fato, o protagonista.

E o que faltava para Babu veio justo de casa. Ele vai interpretar o médico Simão Bacamarte, do espetáculo “Machado a 3x4”, adaptação do conto “O Alienista”, de Machado de Assis, que o Nós do Morro adaptou em forma de musical, que estréia em 12 de junho, no Teatro Ipanema, depois de uma pré-estréia no Casarão do Nós do Morro, no próximo dia 29.

“Geralmente eu sou muito extravagante, grande e brincalhão no palco. E como esse personagem é mais contido, tem sido um desafio pra mim”, comenta Babu, lembrando que apesar de a história machadiana ter um certo tom cômico, isso não se manifesta em Bacamarte, este um sério estudioso da mente humana, que chega a uma pequena vila do Rio, para montar um manicômio, mas acaba percebendo que ele também tem algo de louco. “Essa transição do cara seco para a loucura também está sendo um desafio grande: começa como um sujeito sério que depois dá uma pirada”, diz Babu, que mais uma vez encarna o vilão da história.

Segundo o ator, “O Alienista” é o “quinto ou sexto musical” que ele faz com o Nós do Morro, onde teve a possibilidade de atuar profissionalmente. Depois de apostar em outros grupos independentes, ele foi encontrar ali mesmo, no Vidigal, onde ele sempre viveu – e ainda vive – a chance que esperava.

“O Babu é um ator muito criativo. Sempre foi. E é bacana você não estar alimentando sempre o ator bonitinho, padrão, mas o ator do estudo”, comenta Guti Fraga, fundador do Nós do Morro e diretor de “Machado a 3x4”. Em relação à versatilidade de Babu, que encara projetos de TV, cinema e teatro, Guti explica como uma “abertura para experimentação”. “Ele não tem barreiras para criar, para experimentar”, diz o diretor. “Mas o importante”, continua Guti, “é que o Babu está no caminho que o Nós do Morro tem feito há 22 anos com foco principal no trabalho, mas também como uma base filosófica, que está na coletividade, a solidadeiradade e a responsabilidade. Aqui, estando na novela das oito, em filmes ou na Broadway, você tem o compromisso de ajudar as bases. Não alimentamos estrelas, mas o estudo diário da arte. O Babu, quando não está em espetáculo, está fazendo aula como qualquer um do grupo.”
Publicado em: 21/05/2008



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