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 Flagrante. Flanelinha fica com chaves dos carros e renova o talão para motoristas que usam o rotativo como estacionamento particular FOTO: BRUNO FIGUEIREDO |
| Flagrante. Flanelinha fica com chaves dos carros e renova o talão para motoristas que usam o rotativo como estacionamento particular |
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CidadesFalta de educação. Muitos motoristas têm o costume de trocar o Faixa Azul, mas sem sair do local
Irregularidades roubam 17mil vagas nos rotativos
Mecanismo deveria gerar 65.420 vagas, masatualmente índice é de 48 mil
FLÁVIA MARTINS Y MIGUEL
A falta de educação e o desconhecimento dos motoristas que utilizam o estacionamento rotativo da capital impedem que mais de 17 mil condutores possam ter o mesmo direito. Muitos têm o costume de trocar o Faixa Azul sem retirar o carro da vaga. A atitude é proibida e o infrator pode receber multa, ter o veículo removido e perder pontos na carteira.
Em Belo Horizonte, há 14.130 vagas físicas que deveriam gerar uma rotatividade de 4,5 carros por espaço. Se os limites de tempo - uma hora, duas horas ou cinco horas - fossem respeitados, seriam geradas 65.420 vagas.
Mas, segundo a BHtrans, devido às irregularidades, a rotatividade é de 3,4, ou seja, um carro a menos por espaço. Com isso, são geradas atualmente 48 mil vagas. Mais de 25% das vagas ficam comprometidas.
Com isso, todos os dias, motoristas que procuram um estacionamento rotativo têm seu direito rechaçado pelos desavisados e por aqueles que simplesmente não dão a mínima para o convívio em sociedade.
Uma pesquisa da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) mostrou que cerca de 40% dos entrevistados não sabiam que a troca de Faixa Azul na mesma vaga é proibida. "Ficamos muito surpresos quando percebemos o alto número de pessoas que desconhecem a lei. Isso vem escrito no talão do Faixa Azul há pelo menos dez anos", analisou o gerente de estacionamento rotativo da BHTrans, Sérgio Rocha.
A tentativa de levar vantagem é facilmente flagrada em qualquer rua ou avenida da região Centro-Sul da capital. No quarteirão de rua Guajajaras, entre as ruas Espírito Santo e Rio de Janeiro, o flanelinha afirmou que as dezenas de carros que estavam estacionados permanecem no local diariamente pelo menos duas horas acima do tempo permitido. "Tem faculdade aqui perto, então pela manhã e à tarde fica cheio. Eles trocam a folha de vez em quando. Às vezes, nem trocam", contou o guardador credenciado.
Na rua Bernardo Guimarães, entre Paraíba e avenida Brasil, donos dos automóveis estacionados optaram por ignorar a exigência do Faixa Azul. Dos 28 carros estacionados, apenas três acharam conveniente respeitar a lei. Um dos vários flanelinhas que trabalham nas imediações confirmou que a maioria dos motoristas trabalha na região e já é costume permanecerem no local por mais de seis horas, mesmo o limite sendo de duas horas.
A atitude acaba anulando o princípio básico do sistema rotativo, implantado há mais de 30 anos."Esse tipo de comportamento fere o objetivo principal que é proporcionar vaga para todo mundo. E ainda é pouco inteligente porque acaba compensando mais colocar o carro em locais cobertos e seguros" , afirmou Rocha.
Conivência
Motoristas e flanelinhas são cúmplices em ação
A estratégia da fiscalização em estacionamentos rotativos utiliza como aliado o efeito surpresa, segundo Sérgio Rocha, da BHTrans. Essa é a única forma de coibir as descaradas tentativas de burlar o sistema de estacionamento público na capital.
A cumplicidade do cidadão com os flanelinhas é um dos piores vícios que contribuem para aumentar o caos e as infrações que acabam acontecendo como efeito cascata. “Se não existisse a conivência com o guardador, esses problemas não existiriam. O dono tem que ser ousado para dar a chave ao flanelinha, porque a responsabilidade é toda dele.”
O flagrante da troca de folhas na mesma vaga é muito raro de ocorrer, como admite o gerente.
Lei. Os fiscais são orientados a dar aos motoristas informações sobre a lei, ao invés de multas porque, na maioria dos casos, a infração não é intencional. (FM)
Desavisados
Regra não é conhecida por condutor
Dos oito motoristas abordados pela reportagem em algumas ruas que apresentavam a oferta de estacionamentos rotativos, apenas um afirmou conhecer a obrigatoriedade de liberação da vaga após o término do tempo indicado na placa.
A maioria desavisada dos condutores achou “sem lógica” e um “trabalho desnecessário” para os condutores que terão que mudar de local para estacionar o veículo e com isso correr o risco de não conseguir a vaga.
A enfermeira, Lílian Lima, 40, a única condutora que afirmou saber que não pode lançar mão da troca do Faixa Azul na mesma vaga. confessou preferir o modelo europeu de estacionamento público, que cobra a mais à medida que o usuário permanece ocupando o espaço.
“O problema é que não tem onde colocar o carro na cidade. Que cobrem mais para quem quer ficar. Está sempre tudo lotado”, opinou a enfermeira Lílian. (FM)
Publicado em: 26/05/2008