Opinião » ArtigosACÍLIO lara resende.Prefeito sofre desgaste que só o tempo poderá dizer
Não se faz política sem vítimas. Aécio e Pimentel sabem disso
Aécio sabe que se o PSDB aceitar a sugestão de união informal estará correndo o risco de decretar o início do seu fim
Jornalista - aciliolresende@uol.com.br
A tentativa de união entre Aécio Neves e Fernando Pimentel (não apenas entre PSDB e PT), para a eleição este ano, em Belo Horizonte, de um candidato filiado ao PSB, esteve (e está) amparada, também (não tenho bons motivos para desconfiar dela), numa causa nobre - a defesa de um projeto inteligente e único para Belo Horizonte, embora nela esteja embutido o futuro dos seus dois inventores. Sua inviabilidade, porém, até agora, pelos rumos afinal tomados, dificilmente será superada sem traumas. É como dizia Tancredo Neves: "Não se faz política sem vítimas".
Essa história de que a aliança se rompeu em razão do fantasma das eleições de 2010 pode ser apenas uma desculpa. Até porque seria legítima a meta de Pimentel e Aécio, isto é, o de ser, no caso do primeiro, candidato, em 2010, a governador de Minas, e o de ser, no caso do segundo, também em 2010, candidato a presidente da República. Como administradores, os dois têm tido sucesso. Seria estranho se ambos estivessem disputando, por exemplo, a presidência do Bradesco ou a do Hospital Mário Pena. E a união em torno do socialista Márcio Lacerda, um neófito em política, amigo de Pimentel e secretário de Aécio (e aqui residem, também, algumas queixas), se deve, provavelmente, à pobreza do cenário político. Fiquemos, então, com o velho brocardo latino: "Suum cuique tribuere" (o seu ao seu dono). Banco ou hospital não é seara de nenhum dos dois. A política, certamente, o é.
Que quis dizer a direção nacional do PT quando afirmou que o PSDB não pode ser aceito ao seu lado, formalmente, na disputa para a Prefeitura de Belo Horizonte? Não pode aqui, mas em outras cidades pode? Aqui, disseram, só se for informal... Felizmente, a resposta do governador deu mais força ao que disse Roberto Freire, atual presidente do PPS: "A decisão do Diretório Nacional do PT de vetar oficialmente a aliança, mas aceitar informalmente o apoio do governador, é um ato de extrema arrogância, feito com estudada perfídia para desmoralizar e desqualificar quem o aceita", disse na sua última passagem por Belo Horizonte. Ou seja, para usar de novo o latim, a informalidade representaria, para os tucanos, evidentemente, uma "capitis diminutio" (diminuição de capacidade). E, como se sabe, a decisão contra a aliança, mesmo informal, partiu do dirigente máximo do PT, o deputado federal Ricardo Berzoini, e foi apoiada pelos dois ministros mineiros Patrus Ananias e Luiz Dulci.
São estranhas e às vezes engraçadas as rejeições que alguns políticos despertam nos eleitores. De minha parte, por exemplo, por ser feito da mesma massa, confesso que não consigo engolir esse ilustre deputado e dirigente petista (e mineiro, nascido, salvo engano, em Juiz de Fora), que impôs a decisão do veto à aliança proposta por duas lideranças mineiras, e aceita pela maioria das executivas estaduais, tanto do PSDB quanto do PT. Vejo-o sempre como aquele "ministro da Previdência perseguidor de velhinhos"... Como líder, o que importa, para ele, é o partido, como acontecia no mais atrasado e enrustido dos socialismos do passado.
Não é fácil a solução para o impasse: Aécio sabe (e Pimentel também) que se o PSDB aceitar a sugestão de união branca ou informal estará correndo o risco de decretar, em Minas, muito cedo, o início do seu fim. E não é isso o que deseja o governador, que saiu vitorioso da tentativa até agora incerta. E isso não se pode dizer de Pimentel, que está sofrendo, dentro do PT, um desgaste que só o tempo saberá dimensionar.
Publicado em: 19/06/2008