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Economia

Jazidas. Mapeamento da área já foi comprado por cerca de 30 empresas interessadas na exploração
Norte de MG será pólo de mineração
Estudo do Indi confirma potencial e prevê investimento de mais de R$ 2,4 bi
Queila Ariadne
O Norte de Minas está prestes a passar de dono de um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado a novo pólo de mineração. Estudos do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi) confirmaram grande potencial para exploração de minério nas cidades de Rio Pardo de Minas, Grão Mogol, Porteirinha e Salinas.

O levantamento já despertou o interesse de grandes empresas. De acordo com o diretor da Unidade Administrativa e Financeira do Indi, Jamil Habib Curi, só um único projeto prevê investimentos de R$ 2,4 bilhões. "Este negócio vai gerar cerca de 3.000 empregos diretos na região", anuncia Curi.

O diretor do Indi não quis revelar o nome da interessada, alegando que o governo ainda está em fase de negociação. No entanto, garantiu que os acertos já estão na reta final.
Segundo fontes do setor de mineração, existem pelo menos três possibilidades. Uma das mais cotadas é a Votorantim Metais, que já anunciou expansão dos investimentos em Minas este ano, com aumento da capacidade de produção de zinco nas unidades de mineração de Três Marias, região Central, e em Vazante, Noroeste.

Outras possibilidades são a anglo-australiana BHP Billiton, a maior companhia de mineração do mundo, e a AngloGold.

De acordo com o subsecretário de Desenvolvimento Minero-Metalúrgico e Política Energética, Paulo Sérgio Machado Ribeiro, até agora, entre 25 e 30 empresas já compraram os estudos que trazem o mapeamento do Norte mineiro. O material é vendido pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).

Justificativas. Na avaliação de Ribeiro, a explosão de interesse pela região pode ser explicado por uma combinação de fatores que vão desde a credibilidade do governo e da vocação do Estado para mineração, até o aumento de preços das commodities internacionais. "Uma tonelada de minério de ferro, que em 2000 custava US$ 10, hoje custa US$ 70. Essa valorização foi positiva para Minas, pois despertou os olhares de grandes mineradoras e viabilizou a exploração de jazidas de menor teor", justifica Ribeiro.

Segundo Curi, a reserva do Norte de Minas tem um potencial de 10 bilhões de toneladas de minério de ferro, com teor de 35% a 45%. "Para se ter idéia da viabilidade econômica, o teor do Quadrilátero Ferrífero é de 68%", explica Ribeiro.

"Nós não queremos apenas explorar, e sim agregar valor às commodities", afirma presidente do Indi, Eduardo Lery.


Plano regional
Meta é atrair R$ 1,34 bi de investimento anual
O Norte mineiro e os vales do Jequitinhonha, Mucuri e do rio Doce estão no centro das atenções do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi). O objetivo é elevar a participação das regiões no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de 13,3% para o intervalo de 13,58% e 14%, até 2011. A meta é atrair, por ano, pelo menos R$ 1,34 bilhão de investimentos privados, para gerar mais emprego e elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Segundo o diretor de Estudos Estratégicos e Desenvolvimento Regional do Indi, Marshall Garcia, será fácil ultrapassar essa meta. “Já temos confirmados R$ 828 milhões em investimentos até 2011, incluindo a instalação da Hipolabor e da Sanval (fármacos) e a ampliação da Maísa (alimentação) e da Clairmont (óculos), em Montes Claros.”

Esses investimentos não incluem os bilhões anunciados pela ArcelorMittal e pela Aracruz Celulose. “A Aracruz vai investir R$ 8,6 bilhões até 2015, em Governador Valadares, no vale do Rio Doce, e a Arcelor vai investir R$ 1 bilhão no Vale do Jequitinhonha”, destaca o presidente do Indi, Eduardo Lery, que também está tentando trazer os fornecedores que a Aracruz tem no Espírito Santo.

Cana e álcool. Lery explica que todos os investimentos são calculados a partir das necessidades de melhoria dessas regiões. “Aproveitamos as potencialidades de cada região para desenvolver o IDH. Exemplos disso são os investimentos em usina de cana-de-açúcar e álcool do grupo Sada, no Jaíba, e o projeto de industrialização de polpas de frutas da Pomar, nessa mesma região.” (Queila Ariadne)


40 anos
Indi é escolhido como modelo para o Brasil
O Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi) chega aos 40 anos em plena forma. A entidade, que existe desde 1968, foi escolhida como referência nacional. “Fomos convidados pelo Banco Mundial para ajudar outros Estados a desenvolverem agências de fomento de negócios”, anuncia o presidente do Indi, Eduardo Lery.

A primeira equipe a ser capacitada pelos técnicos do Indi será no Nordeste.

Em 40 anos de atuação, o Indi fomentou cerca de 1.700 negócios, que geraram mais de 300 mil empregos diretos.

Para se ter uma idéia da evolução da entidade, este número é menor do que a expectativa para 2011. Incluindo os investimentos desde 2003, espera-se gerar 330 mil empregos diretos para Minas. “O Indi é a porta de entrada para os investimentos no Estado”, comemora Lery. (QA)
Publicado em: 09/09/2008



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