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Embates. Em Tarija, simpatizantes da oposição fizeram novos protestos e foram contidos com gás lacrimogêneo

FOTO: Antonio Pocoata/associated press
Embates. Em Tarija, simpatizantes da oposição fizeram novos protestos e foram contidos com gás lacrimogêneo
Mundo

Atentado. Governo boliviano culpa opositores por explosão em Tarija que interrompeu o envio de gás natural
Gasoduto explode e Bolívia reduz exportação ao Brasil
Do total exportado ao país, serão cortados cerca de 10%, disse a estatal
LA PAZ, BOLÍVIA. Um trecho de um gasoduto explodiu no sul da Bolívia ontem "em um atentado terrorista" após opositores do presidente Evo Morales terem ocupado um campo petrolífero e uma estação de gás natural, obrigando a Bolívia a reduzir o envio de gás ao Brasil, informou o governo boliviano. O presidente da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Santos Ramírez, disse ontem que a exportação de gás natural ao Brasil será reduzida em 3 milhões de m³, dos atuais 30 milhões que são exportados por dia ao Brasil. Isso equivale a cerca de 10% do total exportado. A YPFB estima que o reparo do gasoduto deve durar dez dias. O governo boliviano culpa a oposição por ter explodido o gasoduto.

A YPFB diz que os oposicionistas fecharam uma válvula do sistema, na estação ocupada, o que criou pressão e levou à explosão. O incidente ocorreu no Departamento de Tarija, perto da fronteira da Bolívia com o Paraguai e a Argentina. Morales imediatamente ordenou o envio de tropas para os Departamentos (Estados) do leste do país, para proteger as instalações de petróleo e gás tomadas pelos opositores, que estão cada vez mais violentos. No Brasil, até o começo da noite de ontem, o Ministério das Minas e Energia dizia que o fluxo de gás natural para o país permanece normal, mas que a situação é acompanhada com atenção. Um porta-voz da Petrobras disse que não tinha informações sobre quebras no fornecimento de gás. A empresa brasileira Comgás, que distribui o gás natural em São Paulo, também não informou alterações.

Impacto. Qualquer corte no fornecimento de gás natural teria conseqüências sobre a economia brasileira. A Bolívia fornece atualmente 50% do gás natural consumido pelo Brasil e o gás boliviano tem uso intensivo em São Paulo, nas indústrias e residências. Existem informações de que os opositores também cortaram o fornecimento total de gás para a Argentina. A informação partiu da empresa Chaco, que opera campos no Departamento de Chuquisaca, mais ao norte. "Nós tivemos que interromper as operações em Vuelta Grande", disse Juan Callau, gerente de relações institucionais da Chaco. O gás extraído no campo de Vuelta Grande é exportado principalmente à Argentina mas também ao Brasil. A Argentina também é altamente dependente do gás boliviano. De acordo com dados do governo argentino, metade da eletricidade do país é gerada por termelétricas a gás. Manifestantes de direita tomaram escritórios públicos e bloquearam rodovias na Bolívia nos últimos dias, em protestos contra Morales.


Diplomacia
Morales expulsa embaixador dos EUA
LA PAZ. O presidente da Bolívia, Evo Morales, declarou ontem “persona non grata” o embaixador dos Estados Unidos em La Paz, Philip Goldberg, que acusou de incentivar a divisão do país e promover o separatismo. “Peço ao nosso chanceler que envie ao embaixador uma mensagem comunicando a decisão do governo para que retorne urgentemente a seu país”, disse Morales em La Paz. Um porta-voz dos EUA declarou que as acusações contra Philip Goldberg são “infundadas”. Em Santa Cruz, sindicatos que apóiam Morales prometeram iniciar um bloqueio de estradas. Opositores autonomistas bloquearam estradas e centrais de distribuição de gás nos Departamentos de Beni, Pando, Santa Cruz e Tarija. A reação do camponeses pode provocar o desabastecimento de alimentos.
Publicado em: 11/09/2008



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