Despoluição do rio é projeto do governo e sonho da população
Previsão de conclusão da Estação de Tratamento de Esgoto Central, que recuperará a bacia do Betim, é em 2010; ETE será uma das mais modernas do país
O projeto de despoluição do rio Betim e do riacho das Areias, realizado através de uma parceira entre a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Prefeitura de Betim, teve início em 2001. Para isso, estão sendo construídas e revitalizadas as estações de tratamento de esgoto, as chamadas ETEs. A primeira delas a entrar em funcionamento foi a Teixeirinha. Atualmente, a cidade conta com unidades desse tipo nos bairros Cidade Verde, Salomé e Santo Antônio. A ETE central já está em construção no bairro Cachoeira, com previsão de entrega para março de 2010.
Para o engenheiro civil e sanitarista da Prefeitura de Betim, Artur Vargas, essa é uma das estações de tratamento de esgoto mais modernas do país. Em Minas Gerais, essa é a primeira ETE que une dois sistemas de tratamento. Em apenas dois anos, estaremos devolvendo ao meio ambiente uma água 90% limpa", declarou o engenheiro. Ele explica que, somente no sistema de tratamento de esgotamento sanitário, os investimentos são da ordem de R$ 73 milhões. As obras incluem a construção de seis reatores anaeróbios, dois reatores aeróbios, leitos de secagem e a implantação de redes de interceptores na região central de Betim. Conhecer para administrar. A partir dessa premissa, o Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (Cibapar) oferece outro bom exemplo de como salvar o rio. Trata-se do Plano Diretor do Paraopeba. O estudo levanta informações para tentar salvar um dos principais rios de Minas e seus afluentes, incluindo o rio Betim. A entidade, que é formada por representantes dos setores público, privado e da sociedade civil, garante ser possível estabelecer um plano de ações, com metas de qualidade pela salvação das águas em pontos mais necessitados.
O Plano Diretor de Recursos Hídricos pode ser considerado o principal instrumento de gestão para se promover uma administração ambiental efetiva, não só para o rio Paraopeba, mas também para os seus afluentes, como é o caso do rio Betim, que servirá de fator decisivo para garantir equilíbrio entre a oferta e a demanda das águas, além da recuperação e conservação da biodiversidade aquática.
O autônomo José Ferreira de Souza, de 23 anos, na contramão do pensamento coletivo, mantém um sonho. Para ele, ainda é possível resgatar esse rio que transformou a cidade em uma das mais importantes do país. "As pessoas precisam se conscientizar. Como estamos na primavera, conseguimos encontrar flores belíssimas nas proximidades do rio Betim, como orquídeas e outras flores do campo. No calor, trombamos com as capivaras e os cavalos que vêm aqui para se refrescar. Precisamos acreditar mais, viver com mais harmonia para que, em futuro próximo, a gente tenha o nosso rio despoluído". A torcida é para que o sonho de José contagie o restante da população e se transforme em realidade.
A bacia do rio Betim situa-se na sua maior parte em área urbana, abrangendo uma extensão de 23,5 Km. Para revitalizar o rio, é preciso avaliar todos os aspectos que envolvem as bacias. Através do Plano Diretor da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, um estudo estará sendo feito para tentar salvar a bacia do Paraopeba e também o rio Betim. Hoje, o rio é um determinante do rio Paraopeba. Segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (CBH-Paraopeba), o investimento nesse projeto será de R$ 432 mil.
Ao longo do rio Betim, mesmo com tantos problemas são encontrados peixes como o cascudo, bagre africano, sarapó, mandim e piaba. Ainda assim, animais como cavalos, capivaras, garças, patos, cisne, urubu, ratos, lagartos, cobras, periquitos, andorinhas e corujas também sobrevivem dele.
Mesmo com o mal cheiro do rio, muitas pessoas fazem caminhadas todos os dias. Atividades, como a criação de gado, ainda persistem com o passar do tempo. Ao longo do rio Betim percebemos que a sua história se confunde com as histórias dos moradores do seu entorno. Um fato que marcou a vida do pescador Marco de Souza, 52, em janeiro de 1979, foi ele ter encontrado um bebê nas margens do rio Betim, próximo ao local que hoje abriga a avenida sanitária Porto Alegre. Caminhando próximo às margens do rio, por volta das 6h45, de repente, ouviu o choro de uma criança. No primeiro momento, ele achou que era um gato miando. Quando ele chegou mais próximo, avistou um saco plástico preto no qual uma criança estava embrulhada em uma manta azul. "Esse momento marcou a minha vida. De vez em quando, me pego pensando onde estará esse bebê que hoje é um homem feito. Será que ele tem família e é feliz?", questiona, emocionado.
A dona de casa Kênia Cristina Alves vive nas margens do rio no bairro Cachoeira e acabou aprendendo a conviver com a poluição e a sujeira características do rio. Tanto que ao ser entrevistada sobre ele, diz: "O rio não incomoda. Nasci e quero morrer nas margens dele".