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LITERATURA

Afonso Borges se rende à prosa 

Afonso Borges é o convidado da próxima edição do Sempre Um Papo, autor lança o livro "Olhos de Carvão"

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Grupo Zé da Guiomar, Celso Adolfo, Lula Ribeiro e Chico Amaral se apresentam na noite de autógrafos
PUBLICADO EM 17/06/17 - 03h00

 

Na primeira vez que fez, da palavra, um ofício, Afonso Borges contabilizava apenas 15 anos. À época morando em Muriaé, Zona da Mata, o belo-horizontino se debruçava sobre a máquina de escrever para colaborar com um pequeno jornal local. Com o tempo, o nome do jornalista e produtor cultural acabou se atrelando ao fomento da literatura – a princípio, em Minas, depois, no Brasil. Há 31 anos, ele comanda o bem-sucedido projeto “Sempre um Papo” e, não bastasse, está à frente da curadoria do vultoso Festival Literário de Araxá (Fliaraxá). 
 
Agora, Borges estabelece outra relação com as palavras com o lançamento do livro “Olhos de Carvão” (Record). Na verdade, a fronteira de leitor já havia sido ultrapassada outras vezes: Borges já assinou três livros de poesia, além de um infantil, também escrito em linguagem poética. Mas este é seu primeiro mergulho na prosa. Com 26 contos em 112 páginas, sua estreia no gênero tem causado boa impressão. “Estou bem impressionado com a receptividade do livro! E noto que as pessoas também estão bem impressionadas com os contos”, comenta o autor.
 
Agora, são aqueles pelo qual ele batalhou pela divulgação que se descobrem no lugar de entusiastas do prosador Borges. “Um gênero tão difícil, tão ingrato. Mas não para Afonso Borges, que os abraçou com paixão e conseguiu criar algo novo: um estilo”, elogiou a escritora e historiadora Mary del Priore. “Era apenas natural que Afonso escrevesse e que, na escrita, fosse breve como suas frases, mas com a densidade de sua vivência literária”, analisou, por sua vez, o escritor Sérgio Abranches. Estes, diga-se, são apenas alguns exemplos de elogios colhidos.
 
Fabular o real
 
Afonso Borges lembra que muitos dos contos saíram de sua experiência como repórter policial. O choque com uma realidade crua já havia despertado nele a necessidade de fabular o mundo à sua volta. “Às vezes, o real precisa de uma camada de ficção”, decreta. Além das acontecimentos que reportou, ele lança mão de experiências pessoais. “Vou me valendo de tudo, viagens, lugares...”. Ao transformar estes fatos cotidianos – ou mesmo fantásticos – em literatura, Borges dosou no verniz ficcional. “Tem só uma camadinha de ficção”, assegura.
 
Com a maioria dos textos ocupando apenas uma lauda e meia, o autor prioriza uma narrativa rápida. Além de curtos, cada conto tem duas histórias, que se intercalam entre parágrafos. Seu objetivo é claro. “Quis transmitir o máximo de ação com o mínimo de texto”, declara.
 
E, vale dizer, as histórias vieram de forma quase espontânea. Estas narrativas entrelaçadas dizem da forma como se consome informação nos dias de hoje. “Enquanto lemos um texto aqui, deixamos várias abas abertas, outra janela com outra informação ao lado... Então, o texto tem um pouco disso, desse novo jeito de ler”, define.
 
Outras características são marcantes em “Olhos de Carvão”. O lirismo, para ele, está encarnado em si. “Sou muito influenciado pela poesia. Antes de tudo, sou um poeta”. Com frases muito pontuadas e sintéticas, há também algo da estética do texto jornalístico, que, claro, também é um ofício pelo qual se identifica.
 
Lançamento do livro “Olhos de Carvão”
Mercado Distrital do Cruzeiro (rua Opala, s/n, Cruzeiro). Segunda (19), às 19h. Entrada franca. R$ 29,90 (livro) 

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