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MÚSICA

Agora cult, Odair José volta a BH 

O músico chega a capital mineira para lançar seu 36º álbum, o crítico disco,"Gatos e Ratos", será apresentado no Teatro Bradesco, no próximo sábado (25)

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ODAIRJOSE
O show - Odair José vai cantar as novidades e clássicos como “Pare de Tomar a Pílula”
PUBLICADO EM 18/03/17 - 03h00

Mais para “Bob Dylan da Central do Brasil” que para o “Terror das Empregadas”. É com o status de artista cult que Odair José, 68, chega a Belo Horizonte, após ausência de 15 anos dos palcos daqui, para lançar, no próximo sábado (25), seu 36º disco, “Gatos e Ratos”. Vir à cidade, segundo ele, é um desejo antigo. “Estou começando a rodar o Brasil e não é à toa que BH vai ser a segunda capital que visito”.

O novo disco, conta, segue a linha roqueira do trabalho antecessor, “Dia 16” (2015). “Essa pegada de guitarra é algo que sempre me acompanhou. Mesmo quando enchia os discos de violinos, como as gravadoras exigiam, levava a guitarra para o ao vivo”, relembra.
 
Seu disco de estreia não deixa dúvidas. O álbum “Odair José” (1970), explorava as distorções da guitarra do até então desconhecido Raul Seixas. “Minhas músicas sempre tiveram a identidade da rua”, orgulha-se. Quando perdeu essa conexão, diz, não se sentia mais Odair José. 
 
“Meio fragilizado pelas exigências do mercado, acabei caindo na mesmice. O que produzi entre 1980 e 2000 não é relevante. É algo que não vão me ver tocando nos shows”, lamenta. “Mas agora não tenho mais idade para deixar de fazer o que quero”, decreta, satisfeito.
 
Para quem insiste em ver nele um cantor brega, o músico, autor de clássicos como “Pare de Tomar a Pílula” e “Eu Vou Tirar Você Desse Lugar”, tem resposta pronta. “Quando me questionam se mudei, digo que sim. Mudei, voltei a ser eu mesmo”.
 
Tocar na ferida
 
Mais que um gênero musical, o goiano considera o rock n’ roll uma linguagem política. E esta é outra característica de que se orgulha acompanhar toda sua carreira. “Muita gente já canta sobre amor, muita gente já canta sobre balada e cerveja. Não quero ser melhor que eles, mas quero ser uma alternativa”, propõe Odair.
 
Em “Gatos e Ratos”, as letras são carregadas por um tom político e crítico. “Não quero ser a palmatória, mas quero ser o despertador”, crava o compositor. Em “Moral Imoral”, canta sobre a homofobia; “Açúcar Mascavo” diz sobre o abuso das drogas; “Carne Crua” aponta uma elite que disputa espaço com grupos minoritários.
 
Entre as inquietações que o inspiraram para “Gatos e Ratos”, está uma certa decepção. “Não pensei que veria essa piora do ser humano enquanto sociedade. A hipocrisia é algo que me incomoda”, afirma, acerca do crescimento do pensamento conservador no país e no mundo.
 
Em BH
Odair adianta que o show inclui composições de “Dia 16”, do polêmico “O Filho de José e Maria” (1977), além de seus clássicos. “Mas nenhuma música entra apenas por ser popular. Selecionei aquelas que dialogam com o conceito do show, que quer divertir, mas também despertar as pessoas para uma reflexão”.
 

Na história da Música brasileira

Censura Depois de Chico Buarque, Odair José foi o músico mais censurado pela Ditadura Militar (1964-1989). O compositor entende que isso aconteceu por não se furtar a cantar sobre temas polêmicos. Entre 1972 e 1977, ele cantou sobre a prostituição, a situação da empregada doméstica, a maconha, a pílula anticoncepcional, o amor livre, o divórcio, a homossexualidade. “Tudo isso era uma ferida na época”.

Igreja Grande aposta de Odair José, “O Filho de José e Maria” (1977) recebeu resistência não só do governo, como também da Igreja Católica. Quarenta anos depois, a ópera rock que fala de um Jesus contemporâneo, envolvido com drogas e questionando sua sexualidade, é cultuada nos círculos de fãs da música brasileira e pode ser relançada este ano.

Homenagem Em 2006, o CD “Vou Tirar Você Desse Lugar – Tributo a Odair José” reuniu 18 artistas consagrados da cena pop-rock nacional.

 

 

Odair José
Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244, Lourdes). Sábado (25), às 21h R$ 60 (inteira)

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