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Musical

Eu queria ser Cássia Eller

Tributo a Cássia Eller fica quatro semanas em cartaz no CCBB

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Trajetória <MC>Tacy de Campos é vocalista do grupo “Os Marginais”, que presta tributo à Cássia Eller
Tacy de Campos é vocalista do grupo “Os Marginais”, que presta tributo à Cássia Eller
PUBLICADO EM 31/07/14 - 17h14
Ninguém foi tantas como Cássia Rejane Eller (1962- 2001). Criança que não conheceu a verdade, poeta que não aprendeu a amar, neguinha, fera, bicho, anjo, mulher, mãe, filha, irmã, menina. Paradoxal como quem precisa dizer que ama e manda morar com o diabo, Cássia deixou registros antológicos de canções de Cazuza, Caetano Veloso, Renato Russo, Nando Reis, Chico Buarque, Riachão, Waly Salomão, Luiz Capucho, além de memoráveis versões de Edith Piaf, Os Mutantes, Beatles e Nirvana. Não é à toa que o compositor Péricles Cavalcante fez uma música em que decretou que se fosse outro artista queria ser Cássia Eller. 
 
Cássia, que partiu em 2001, aos 39 anos, agora ganha uma das maiores homenagens à sua história. O musical que leva seu nome entra em cartaz em Belo Horizonte na próxima sexta (8) e cumpre temporada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) até 1º de setembro. 
Com direção de João Fonseca e Vinícius Arneiro, “Cássia Eller – O Musical” segue a trilha que Fonseca iniciou com os musicais de Tim Maia e Cazuza e traz a cantora Tacy de Campos no papel principal. Sem formação de atriz, a curitibana é a grande revelação do espetáculo, como foi Tiago Abravanel em “Tim Maia – Vale Tudo” e Emílio Dantas em “Cazuza: Pro Dia Nascer Feliz”. 
 
De voz rascante e grave, Tacy é como Cássia: mulheres de poucas palavras que se agigantam no palco. Pinçada entre mais de mil candidatas – Tacy foi escolhida depois que a produção a descobriu no YouTube –, a curitibana de 24 anos logo demonstra as semelhanças de postura e de timbre, e faz valer o apelido de “Tássya Eller” que ganhou dos amigos. 
 
Tacy abre “Cássia Eller – O Musical” com “Do Lado do Avesso”, uma das poucas composições da própria Cássia, de costas para o público. Em “Lanterna dos Afogados”, de Herbert Vianna, Tacy escancara voz e peito: sem camisa, encara o público, tal qual Cássia no Rock In Rio 3, poucos meses antes de sua morte. Coisa pouca e simples perto da tarefa de ter que ser outra pessoa. Isto, sim, é o que quase a fez desistir da empreitada. “No começo foi meio complicado, precisei de muita ajuda. Acho que sou muito travada. Mas agora tá legal. Eu me divirto”, afirma Tacy. 
 
Entrega
 
O ator e cantor Emerson Espíndola, que contracena diretamente com Tacy interpretando um dos grandes parceiros da cantora, Nando Reis, faz questão de lembrar da alma de artista da curitibana, que dribla a falta de experiência de atriz com sua entrega. 
 
“Eu gosto muitíssimo do jeito como ela pensa e age em cima do palco. Ela é uma menina em quem a arte pulsa muito. Você nem percebe que ela não é atriz. Ela canta e fala com uma graciosidade e com uma entrega artística muito boa, que deixa tudo muito interessante pra quem tá assistindo. Tacy tem um jeito de ser parecido com a Cássia – muito tímidas, e a doçura delas também é igual”, observa Emerson, rebatendo acusações de que o espetáculo se pareça mais com um show de covers do que com uma biografia musical. “Talvez tenham dito isso por causa da grande quantidade de canções. São 35 músicas em 2 horas e 20 minutos e, por isso, tem momentos em que a gente faz uma música atrás da outra. Comparando com outras produções, são pouquíssimos atores – são só seis quando normalmente tem mais de 20 pessoas em cena”, comenta Emerson. 
 
De forma simples e direta, assim como Cássia era, apenas algumas cadeiras completam o cenário e quase nenhuma coreografia existe. O texto, assinado por Patrícia Andrade, flagra a cantora ainda antes do início da carreira e acompanha toda a sua trajetória musical, sem deixar de lado seus exageros, seus amores, suas polêmicas e seus encantos. 
 
Família
 
A direção musical é da percussionista Lan Lan e a codireção é do baixista Fernando Nunes. Ambos tocaram anos ao lado de Cássia e, com total propriedade sobre a obra da cantora, montaram mais que um roteiro abrangente e poderoso. 
Tacy os definiu como “mainha” e “painho” e Emerson afirmou que a dupla de músicos são o grande ouro do trabalho. “Fernando e Lan Lan foram presentes. Todas as histórias que eles contaram nos ajudaram. Teve uma coisa muito importante, que foi o comentário sobre a banda ter sido uma família. Eles se admiravam e se adoravam. Quando o elenco ainda estava se conhecendo, eles trouxeram o clima de brincadeira e de família. Além da contribuição musical, esse clima foi valioso”, conta o ator e cantor.
 
Cássia Eller – O musical
Dir. João Fonseca e Viniciús Arneiro
Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450, 3431-9400). Sextas e segundas-feiras, às 20h, sábados e domingos às 19h. De 8 de agosto a 1º de setembro. R$ 10 (inteira).

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