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Literatura em movimento

O Bloomsday 2014 será realizado na Casa Una de Cultura

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Instalação: uma chuva de bilhetes com trechos joycianos cairá durante o evento
PUBLICADO EM 12/06/14 - 19h28

Em junho de 2004, cerca de dez mil pessoas se reuniram em Dublin, na Irlanda, para um café da manhã tradicional do país, com muita salsicha, torrada e feijão. O evento, que foi acompanhado de teatro, dança e música, remetia à forma como o personagem fictício Leopold Bloom começara o dia 16 de junho de 1904, e abria as celebrações do centenário da odisseia narrada em “Ulysses”, obra-prima de James Joyce (1882-1941).

Conhecida como “Bloomsday” (dia de Bloom), a data é comemorada desde 1954, e de lá pra cá vem se espalhando da Europa para diversas outras partes do mundo, como uma forma de reverenciar um dos mais importantes nomes da literatura mundial e uma das maiores obras escritas no século XX. Aqui em Belo Horizonte, o Bloomsday é promovido pelo Grupo Oficcina Multimédia e, nesta segunda (16), chega à sua 24ª edição, na Casa Una de Cultura.

Sob o tema “Chuva de James Joyce”, a programação deste ano do Bloomsday em BH contará com uma instalação plástico-sonora que trará “bilhetes aéreos”, simulando gotas de chuva, com pequenos textos joyceanos, para promover o contato direto do público com trechos da obra do autor.

Além disso, haverá leituras ilustradas de dois contos da obra “Dublinenses”, retrospectiva de outras edições do Bloomsday na capital e exibição de filmes relacionados à vida e obra de Joyce. No encerramento do evento, haverá um brinde ao escritor com chope irlandês e apresentação da banda The Celtas.

Erudição

A obra de Joyce confirma parâmetros que são permanentes em toda a história da arte. É o que ressalta Ione Medeiros, diretora do Grupo Oficcina Multimédia. “Ele era um estudioso. Se dedicava à literatura com uma paixão incrível. Sua erudição, cultura e aprofundado conhecimento, aliados à pesquisa, à experimentação e ao risco a que se submetia são o que todo artista precisa”, acrescenta.

Embora somente os fãs de Joyce que moram ou visitam Dublin possam refazer a rota de Leopold Bloom pela cidade – por pontos como a redação do “Freeman’s Journal”, a ponte O’Connell, a Trinity College e o antigo parlamento irlandês – as atividades do Bloomsday seguem as mais diversas programações ao redor do mundo. Se vestir com trajes de época e fazer refeições com bebidas e comidas típicas da Irlanda são a praxe. Maratonas de leitura de “Ulysses” – a mais longa chegou a 36 horas ininterruptas – e festivais de música, literatura e artes plásticas também são comuns.

“Em São Paulo, por exemplo, há um grupo de estudiosos que fazem conferências, cantam canções irlandesas e ficam girando em torno do conhecimento que já têm, mas é uma coisa que não atrai muito o grande público”, distingue Ione. “Aqui, nós queremos atrair novos leitores, chegar nas pessoas, porque era o que ele queria. Apesar de ser uma literatura difícil, ele quebrava parâmetros de hierarquia, era anti-elite”, afirma a diretora.

Forma e conteúdo

A história de “Ulysses” é baseada na “Odisseia” de Homero, porém, Leopold Bloom é um anti-herói, um homem comum. Sua mulher, ao contrário de Penélope, não fica tecendo e destecendo um tapete enquanto espera seu retorno, ela o trai. Pela aparente simplicidade da história, há quem subestime a importância da obra. Inclusive o escritor Paulo Coelho que disse, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, em 2012, que a obra “fez mal à humanidade. Não tem nada ali. Se você disseca ‘Ulysses’, dá um tuíte”.

A afirmação de Coelho, porém, é redutiva e desconsidera o minucioso trabalho de Joyce. “Ele colocou tantas possibilidades na literatura que até hoje não se esgotaram. Não era necessário um grande tema, algo filosófico, ele usava a linguagem pra falar com maestria do homem comum”, conclui. 

Bloomsday 2014
“Chuva de James Joyce”
Casa Una de Cultura (r. Aimorés, 1.451, Lourdes, 3235-7314). Dia 16 (segunda), das 18h às 22h. Entrada gratuita (sujeita à lotação do espaço).

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