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ARTES CÊNICAS

Aquilo que às vezes não se vê 

“Suave Coisa Nenhuma” volta ao cartaz na próxima quarta (17), na programação do Verão Arte Contemporânea

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SUAVE
Peça traz a questão do relacionamento abusivo ao VAC
PUBLICADO EM 13/01/18 - 04h00

 

A inspiração veio de um verso da música “Amor”, de João Ricardo e João Apolinário, um dos sucessos do repertório do Secos & Molhados. E é exatamente disso – e também de outras coisas – que trata “Suave Coisa Nenhuma”, espetáculo que volta ao cartaz na próxima quarta (17), na programação do Verão Arte Contemporânea (VAC).
 
Desdobramento da cena curta “Last Dance”, a peça traz novamente os atores Henrique Cordoval e Lorena Tófani na pele de um casal de bailarinos que termina um relacionamento doente minutos antes de entrar em cena. A proposta é falar de relacionamentos abusivos. “Começamos bem na coisa do casal, o que tem de abuso dentro da relação deles, quais são as brechas que vamos dando para o outro ir tomando conta da nossa vida, e mesmo em que medida nos alimentamos disso também – afinal, se isso não acontecesse, o relacionamento não duraria”, observa Henrique Cordoval.
 
Daí, a discussão se expande traçando outros caminhos. “Partimos para a amplitude da coisa, porque esse tipo de relação se estabelece também em outros âmbitos, no trabalho, na família e também nas diferentes formações amorosas como o poliamor e outras”, completa.
 
Discussão relativamente recente, a questão do abuso nas relações ainda é difícil até de se identificar. Antes de montar a cena, os atores fizeram uma espécie de “laboratório”, frequentando bares e restaurantes para observar casais. “Muita gente briga e discute a relação nesses lugares. Então, nós começamos a observar como um imprime poder sobre o outro, ou recua demais e acaba sendo o abusado da situação”, conta. “Mesmo já tendo passado por relações abusivas nós mesmos, vimos coisas que ainda não tínhamos percebido, só por termos aberto o olhar para observar. Muita gente inclusive não consegue isso, identificar na própria relação. Passa como uma coisa normal, cotidiana”.
 
Ampliação
 
Da cena curta para o espetáculo, o que ocorreu foi um processo de agregação. Ao núcleo formado pelos atores, o coreógrafo Pedro Romero e Raysner de Paula, que assinou o texto, juntaram-se a diretora Samira Ávila e outros colaboradores, como Cris Moreira e Marina Viana, que trabalharam na nova versão da dramaturgia, e as arquitetas Branca Peixoto e Bruna Cosfer, que criaram o cenário. “O que fizemos foi trazer mais artistas com quem tínhamos vontade de trabalhar para o projeto”, comenta o ator.
 
A música do espetáculo, desempenhada ao vivo por Manu Ranilla e Nath Rodrigues nas primeiras apresentações, agora fica a cargo de Yasmin Umbelino, que vai tocar violino e outro instrumento, ainda a ser definido.
 
Pesquisa
 
Iniciado na cena curta, o trabalho de pesquisa das interseções entre teatro e dança – linguagem de origem de Lorena Tófani – tem continuidade em “Suave Coisa Nenhuma”. “Nosso coreógrafo trabalhou com a Pina Bausch (1940 – 2009) e trouxe muito dessa experiência, o olhar a danças que estão presentes no nosso cotidiano e que são cíclicas. E como o corpo se comunica pelo movimento”, conclui.
 
Suave Coisa Nenhuma
Temporada no Verão Arte Contemporânea (VAC)
CCBB (praça da Liberdade, 450, Funcionários, 3431-9400). De 17 (quarta) a 20 (sábado), às 19h. R$ 20 (inteira) 

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