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ARTES CÊNICAS

Arte como forma de resistência

Grupo Ponto de Partida estreia a montagem "Vou Voltar" em Belo Horizonte, a peça conta histórias de refugiados e a sobre a experiência do exílio

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História e luta do grupo uruguaio El Galpón será contada em cena
PUBLICADO EM 11/08/17 - 14h20
Quando o grupo Ponto de Partida adentrar o palco do Teatro Bradesco para estrear, em BH, seu mais recente espetáculo, além dos integrantes, outras 271 pessoas estarão no palco. Ao menos simbolicamente. É que este foi o montante que ajudou a viabilizar “Vou Voltar”, montagem que trata a questão dos refugiados a partir da experiência de exílio de um outro grupo de teatro – no caso, o mais antigo da América Latina, o uruguaio El Galpón.
 
Integrante do grupo de Barbacena há 13 anos, Júlia Medeiros fala sobre a gênese da empreitada: “O Ponto de Partida trabalha com a criação coletiva, após o mote proposto – no caso, a questão dos refugiados. Daí, cada ator sugere o seu personagem”. 
 
Foi no início deste processo que o grupo se lembrou do Galpón, que contabiliza nada menos que 68 anos de trajetória. Na verdade, o Ponto de Partida já havia feito algumas parcerias com a companhia hermana. “Decidimos, pois, contar a história deles”, diz Júlia, lembrando que, nas etapas iniciais, o grupo mineiro chegou a ir a Montevidéu, conversar com os colegas, em particular, os que se exilaram durante o período da ditadura militar uruguaia (1973-1985). “A partir daí, e de muitos estudos, a gente começou a propor os personagens à Regina (Bertola, diretora geral e dramaturga), que, então, foi dando os direcionamentos, costurando as cenas – na verdade, algumas, para dar liga, ela escreve”.
 
Júlia, então, propôs a sua personagem: Pilar. “Todos (os papéis) retratam integrantes do Galpón, então, isso já era um direcionamento que a gente tinha (na criação). No caso, a Pilar tem uma relação muito forte com a política: seu marido chegou a ser preso. Quando ela partiu para o exílio, deixou a filha no Uruguai, com sua mãe. Na verdade, partiu dividida entre a saudade e a vontade de reforçar o coletivo, de manter a chama ideológica acesa”, explica Júlia, acrescentando que a trupe uruguaia sempre teve em mente a convicção que a arte é um instrumento poderoso “tanto na transformação como na reflexão do tempo presente”.
 
A história do El Galpón é, de fato, particular. Em pleno recrudescimento da ditadura no Uruguai, muitos dos que eram perseguidos conseguiram, antes de partir para o exílio, abrigo na Embaixada do México em Montevidéu. “Houve um período em que até 200 pessoas ficaram ali”, lembra Júlia. Exilados por nove anos, o grupo viajou, neste período, por 17 países, não só fazendo espetáculos, como denunciando a situação do Uruguai “Nos outros países, o grupo atuava em uma configuração distinta: todo o dinheiro angariado era dividido irmãmente por todos os integrantes”.
 
A força da arte
 
No geral, a atriz entende que são várias as mensagens que o texto quer passar. “Uma delas é reforçar como a arte e os artistas são fundamentais na composição da história e nos rumos de toda nação. Tanto que toda vez que existe um movimento de repressão, artistas são os primeiros alvos. O El Galpón teve uma força absurda de lutar colocando em risco a própria vida”.
 
Mais especificamente sobre o tema “refugiados”, ela entende que a solução da questão passa pelo acolhimento, independentemente de país, crença ou língua. “Precisamos nos conectar ao outro até pelo fato de estarmos ligados por um fio inquestionável: somos todos seres humanos. É preciso que a gente consiga se despir dos preconceitos para tentar resolver o problema dos refugiados e, de uma maneira ampla, questões como a da fome no mundo”. Em tempo: Júlia conta que dois integrantes do Galpón vieram do Uruguai para assistir à estreia (em Barbacena).
 
Vou Voltar
Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244 – 3516-1360). Dias 18 (sexta) e 19 (sábado), às 20h. R$ 40 (inteira).

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