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EM FAMÍLIA

Celebração e alegria 

Depois da estreia no Rio, Caetano e filhos apresentam espetáculo que repassa composições do músico baiano marcantes para a família na capital mineira

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CAETANOOO
PUBLICADO EM 07/10/17 - 03h00

 

Ansioso. Cheio de expectativas. “Às vezes, angustiado”. Este foi o estado de espírito que tomou de assalto Caetano Emanuel Viana Teles Veloso diante da estreia de seu mais novo espetáculo. Sim, pode soar inusitado que o sentimento de ansiedade ainda circunde um cantor e compositor de tal calibre, mas o certo é que a empreitada que traz o baiano de volta à capital mineira tem toda uma questão afetiva atrelada. Na verdade, não se trata de um show de Caetano Veloso, mas do artista, hoje com 75 anos, junto aos seus três filhos: Moreno, Tom e Zeca.

 
É fato. Profissionalmente, os caminhos desses quatro membros da família Veloso já haviam sim se cruzado. Moreno, o primogênito, por exemplo, foi arregimentado em projetos como “Recanto”, de Gal Costa, produzido por Caetano. A dupla também já havia feito um show em conjunto.
 
O quarteto é que reivindica para si o status de novidade. E, nesse caso, os meninos não são coadjuvantes: dividem as honras na mesma proporção, em um encontro no qual o afeto transborda. E a alegria também. “Nesses dias que antecedem a estreia do show, estou como a gente fica quando vai apresentar um trabalho novo. Todos esses sintomas de véspera de estreia aparecem, só que desta vez, tudo é ao mesmo tempo multiplicado por envolvê-los e amenizado pela alegria básica que é estar com eles”, disse o pai coruja, ao Pampulha, na semana passada, antes da estreia do show no Rio de Janeiro, na terça-feira (3). Já num texto que publicou em seu site, Caetano fez uma ponderação interessante: a de que o projeto de cantar com eles surgiu pelo que isso representaria de celebração e alegria, “sem dar importância ao sentido social da herança”. “Algo além até mesmo do ‘nepotismo do bem’, na expressão criada por Nelson Motta”.
 
 
O repertório de “Caetano Moreno Zeca Tom Veloso” abarca canções dos quatro pilares do show, democraticamente. “Foi mais orgânico”, diz Caetano, sobre o processo de seleção musical. “Sou do tipo que deixa acontecer. Milhões de ideias passaram por minha cabeça, muitas que nem cheguei a dizer a eles – e sei que eles também pensaram em muitas coisas que não chegaram a ser ditas. Mas é claro que conversamos muito e fomos formando um roteiro. Tinha música demais e o trabalho foi tirar algumas”, diz.
 
“Um Canto de Afoxé Para o Bloco do Ilê” ou “Sertão” foram de cara incorporadas. Já “Leãozinho” foi um dos pedidos dos filhos. “Reconvexo” entra na dança até pela relação com as origens do clã – a cidade de Santo Amaro da Purificação. Mas o público ávido por novidades pode se animar: todos vão apresentar músicas novas, inéditas – inclusive Caetano.
 
Aos 44 anos, Moreno Veloso chegou a cursar Física, mas o DNA acabou falando mais alto. Filho de Caetano com Dedé Gadelha, o moço firmou seu nome em projetos que alcançaram boa visibilidade pelo fator qualidade: caso de +2, com Domenico Lancelotti e Kassin. Aliás, o recém-lançado disco de Domenico, “Serra dos Órgãos”, traz Moreno assinando a letra e se incumbindo da interpretação de “Tudo ao Redor”. 
 
Tom e Zeca são frutos do casamento de Caetano com Paula Lavigne – e impressionam pela semelhança física com o genitor. Aos 20 anos, o caçula Tom integra a banda Dônica. E compõe. Já fez parcerias com Cézar Mendes, o Cezinha, outro baiano de Santo Amaro – numa delas, na qual os dois dividem a melodia, Caetano assinou a letra. Recentemente, pai e filho firmaram uma dobradinha também.
 
Zeca Veloso, 25, como o pai diz, começou a compor solitariamente. Um dia, apresentou um feixe de composições para ninguém menos que Djavan, que, súbito, foi arrebatada por uma delas – e exigiu que o jovem a fizesse soar para mais pessoas. O que ele atende agora. 
 
Em meio a todo esse movimento, o intercâmbio de conhecimentos é mais do que natural. “Há muito tempo que todos eles – cada um de um jeito muito pessoal – vêm me iluminando a relação com a música”, confirma Caetano. “Moreno se tornou meu parceiro aos 9 anos. Depois, além de me mostrar coisas que eu talvez nunca descobrisse sozinho, começou o trabalho com o +2, coisa muito refinada”.
 
Desdobramentos possíveis
 
Caetano lembra que Zeca, que a princípio se interessava por música eletrônica, passou a compor coisas “muito suas”. “Muito profundas e cheias de sentimento, além de me mostrar artistas novos que o instiga. Antes, ele e Tom tinham descoberto Beatles e cultuavam Michael Jackson. Tom, que pequeno nem ligava pra música, se revelou muito dotado para isso quando começou a aprender a tocar violão com o Cézar e a colaborar com os colegas da Dônica – e passou a me dizer o quê e como gostava de João Gilberto, Ella Fitzgerald e Jobim, além do funk e do pagode cariocas, que ouvia junto a seus colegas do futebol infantil”, repassa Caetano.
 
Quanto aos desdobramentos do show, Caetano pondera: “Vários caminhos podem se definir. Acho que algumas coisas merecem ser registradas. Mas não armamos o show com a ideia de abrir turnê gigante em lugares enormes e distantes. Nem de transformá-lo num álbum ou vídeo. Por isso começamos por teatros, sem pensar em encarar casas grandes e barulhentas. Depois, Moreno tem carreira estabelecida, com muitos outros compromissos, e Tom tem sua agenda com a Dônica, onde toca com garotos muito destros musicalmente. Zeca faz sua estreia como autor e cantor, e pode ser que venha a gravar um disco. Mas não sabemos como vai ser tudo isso depois das primeiras apresentações”, conclui. 
 
 
Caetano Moreno Zeca Tom Veloso
Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537). Nestes sábado (7), às 21h, e domingo (8), às 19h. A partir de R$ 180 (inteira; plateia superior)

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