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ARTES VISUAIS

Cem anos de fé e resistência 

Museu Inimá de Paula recebe a exposição “Reinado de Chico Calu – Repertórios Sagrados da Irmandade Os Carolinos”, que reúne acervo de peças das guardas de congado

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Integrantes das guardas do bairro Aparecida em cortejo, com estandartes
PUBLICADO EM 02/12/17 - 04h00

 

Uma festa de louvor e devoção, unindo religiosidade e música, que enche os olhos de quem a assiste, pela sua força e seu colorido. Ao mesmo tempo, por trás, uma história de luta. E de resistência. Tendo como foco uma das tradições de matriz africana presentes na capital mineira, o Museu Inimá de Paula recebe a partir do próximo sábado (9) a exposição “Reinado de Chico Calu – Repertórios Sagrados da Irmandade Os Carolinos”, que reúne fotografias, fardas, altares, santos de devoção, mastros, andores, cruzeiros e outros objetos que instigam o olhar tanto para o presente quanto para o passado. 
 
A iniciativa, que segue em cartaz até o dia 28 de janeiro, homenageia o centenário da irmandade fundada por Francisco Carolino (o Chico Calu), para louvar Nossa Senhora do Rosário. À época, a guarda se localizava nos arredores do recém-criado município de Contagem, na divisa com Santa Quitéria (hoje, Esmeraldas). 
 
Em 1937, a guarda migrou para Belo Horizonte com o filho de Chico Calu, Luiz Carolino, e fincou suas raízes no bairro Aparecida, onde se encontra até hoje, na avenida Américo Vespúcio, junto a outras duas guardas, o Congo Feminino do Aparecida e a Guarda de Moçambique do Divino Espírito Santo do Reino de São Benedito. Em setembro passado, foi lançado o CD “Aparecida, Reinos Negros”, com registros dos três reinados.
 
Na mostra que emula um terreiro de congado, as fotografias trazem a assinatura de Netun Lima e Patrick Arley. São mais de 30 cliques, impressos em tecidos e emoldurados com estandartes, propondo uma narrativa estética. “A ideia é que o visitante se sinta lá, dentro de uma guarda. Tanto que, na abertura, vamos ter um cortejo, convidando todo mundo”, diz Patrick.
 
“Uma coisa interessante é que, para a exposição, não participei da escolha das fotos, mas, vendo as imagens que foram escolhidas (que, aliás, gostei muito), consigo lembrar claramente o canto que estava acontecendo na hora (do clique)”, prossegue ele, que acompanha as guardas de congado há cerca de cinco anos. 
 
O também antropólogo (atualmente, fazendo seu doutorado na área) lembra que a maior parte das pessoas se contagia pelo caráter festivo da manifestação, mas frisa: “O cortejo é, sim, o centro dessa fé. Mas, por trás, há uma história de muita luta, que a gente, que acompanha o dia a dia, vê. É muito bonito observar como eles (congadeiros) conseguem reinventar uma maneira de estar no mundo que passa pela fé, pela devoção e pela solidariedade. Aprendo com eles todos os dias”, situa.
 
 
Patrick também enfatiza que a manifestação traz, em seu cerne, uma peculiaridade: “Muitas vezes, esconde gestos contidos de devoção. Porque se você for olhar para o histórico da fé negra, ela foi muito perseguida. E dentro deste percurso do festejo, há a missa congada, que se inicia de portas fechadas, repassando uma história de segregação violenta (o ritual evoca o lamento do negro por estar do lado de fora da igreja, excluído). E, no meio disso, há gestos de devoção que são muito sutis, que os brancos, por exemplo, não conseguiam enxergar. E até hoje o congado mantém isso”, analisa.
 
Reinado de Chico Calu – Repertórios Sagrados da Irmandade Os Carolinos
Museu Inimá de Paula (rua da Bahia, 1201, Centro – 3213-4320). Até 28/1/18. Entrada franca. 

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