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Preocupados com resoluções de Ano-Novo “batidas”, nos esquecemos de questões importantes: dados indicam que hábitos triviais como usar camisinha ainda não foram internalizados

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CAPA
PUBLICADO EM 13/01/18 - 04h00

Incrementar a prática de atividades físicas, reservar mais tempo para si, eliminar os maus hábitos (como o cigarro), controlar finanças e cuidar da alimentação – de quebra, perder os quilos extras. Essas são algumas das resoluções mais recorrentes nas tradicionais listas que precedem a virada de ano. Especificidades à parte, tais compromissos apontam, de maneira explícita ou não, para uma preocupação no que diz respeito à qualidade de vida.

Paradoxalmente, porém, muitos dos que dedicam tempo a idealizar mudanças insistem em manter hábitos que já deveriam ter sido eliminados há tempos – inclusive por irem frontalmente de encontro à ideia subliminar à estruturação das listas de resoluções: a adoção de hábitos salutares.

Caso das reprováveis atitudes de ter uma relação sexual sem o uso da camisinha ou de manusear o celular ao volante, seja para checar as redes sociais, enviar SMS ou WhatsApp, ou atender a uma ligação. A essas temeridades, adicione-se andar de carro sem cinto de segurança – sim, há quem ainda não tenha se rendido à obrigatoriedade do acessório.

Uma “nova doença”

Trocar a vida real pela virtual e mergulhar no universo dos videogames como se não houvesse amanhã é outro fenômeno dos tempos modernos. E o universo de jovens viciados cresceu a tal ponto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou no último dia 5, em Genebra, que o “transtorno do jogo” (ou “gaming disorder”) será incluído na 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID), que será publicada em junho.

 

FOTO: Daniel de Cerqueira
CRIANCAS VICIADAS EM GAMES COM CONTEUDO DE VIOLENCIA E SEXO.
Há um limite. A OMS incluiu o transtorno do jogo na Classificação Internacional de Doenças (CID)

Mas como identificar um viciado em jogos eletrônicos? Pesquisadora do Centro Regional de Referência em Drogas da UFMG, a psiquiatra Júlia Machado Khoury lista alguns sinais que merecem atenção. Um dos primeiros seria “quando o indivíduo passa a abandonar outras atividades, principalmente aquelas cuja prática precisa ser desenvolvida ao ar livre, em prol de mais tempo dedicado aos videogames”.

 

FOTO: Arquivo pessoal
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Júlia Khoury frisa que não é preciso demonizar os jogos

Outro ponto a ser averiguado, diz ela, é quando a dedicação aos jogos tem como consequência a queda no desempenho escolar ou profissional. Júlia Khoury também adverte que o viciado em jogos eletrônicos pode apresentar alterações em sua personalidade – como se tornar mais agressivo ou irritado, mais impulsivo ou mesmo incapaz de lidar com frustrações naturais da vida.

A médica enfatiza, porém, que não é preciso demonizar os jogos – que podem, por exemplo, estimular a memória, a coordenação motora ou a concentração. O sinal vermelho deve se acender quando o jogador ultrapassa um limite razoável do tempo dedicado ao jogo – na avaliação de Júlia, algo em torno de duas horas por dia.

A psiquiatra também lembra que, por se tratar de uma “nova doença”, não existem estatísticas oficiais (que apontem, por exemplo, um perfil mais definido do viciado em games). Mas ela entende que o transtorno é mais recorrente em pessoas do sexo masculino e na faixa etária situada entre 16 e 35 anos. Não há indicativos de uma classe econômica que registre uma maior incidência. Já no caso de países, Júlia cita os orientais (pelo próprio desenvolvimento tecnológico inerente a eles, caso da Coreia do Sul) e, ainda, Estados Unidos.

Em 2010, a citada Coreia foi cenário de um caso que chocou o mundo. Em março daquele ano, a polícia de Suweon, ao sul de Seul, prendeu um casal – um homem de 41 anos e uma mulher de 25 – que deixou a filha (um bebê de três meses) morrer de inanição por ter se viciado em um jogo, o Prius.

Matéria veiculada há poucos dias pelo jornal “O Estado de S.Paulo” lembra que o governo daquele país chegou a criar uma lei para proibir menores de 18 anos de jogarem games entre meia-noite e 6h da manhã. Já no Japão, os jogadores recebem uma advertência caso passem mais do que determinada quantidade de tempo jogando, enquanto que na China, a gigante Tencent, dona de jogos mobile como “Clash Royale” e controladora da Riot Games, responsável por “League of Legends”, estabelece um limite diário de horas em que uma criança pode jogar.

Dependência

No Brasil, como salientado, ainda não há um levantamento quanto ao mau uso dos games, mas Júlia lembra que a dependência em tecnologia (que inclui o uso de smartphones, por exemplo) já foi aferida por alguns estudos e atingiria, hoje, de 8 a 10% da população. Aos 21 anos, o belo-horizontino Marco Túlio Matos Vieira nunca chegou perto da zona limítrofe entre apreço e vício.

 

FOTO: Benedita comunicação/divulgação
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Marco Túlio diz ter aprendido a administrar o tempo

No entanto, ele conta que a paixão pelos games – que inclusive o catapultou à condição de fenômeno da internet – já fez com que, no passado, um alerta se acendesse. “Houve uma época em que eu de fato estava obtendo notas ruins na escola, porque estava jogando em excesso”, reconhece o moço.

“Então, meus pais tiraram meu computador por um ano! O bom foi que aprendi a administrar melhor o tempo e a fazer as coisas com mais sabedoria. O ruim, claro, foi ficar sem jogar (risos)”, avalia.

Hoje, Marco reconhece a pertinência da máxima popular de que tudo em excesso faz mal. “Ficar o dia inteiro jogando, assistindo a vídeos, seja o que for... É importante sim, separar um tempo para primeiramente fazer as obrigações”. No caso dos mais jovens, acrescenta ele, “chegar da escola, fazer os deveres de casa, estudar”. E só depois reservar um tempo para se divertir. “A questão que mais aplico hoje na minha vida é saber administrar o meu tempo”, revela.

Hoje, Marco mantém, no YouTube, o canal AuthenticGames, que já superou os 12,3 milhões de inscritos. Desde sua criação, em 2011, os vídeos já receberam mais de 5 bilhões de acessos. A média mensal chega a 150 milhões de visualizações. Não bastasse, é, hoje, o maior vendedor de livros do segmento infantojuvenil do Brasil (500 mil exemplares dos três títulos), além de ter linha de roupa etc. Em tempo: ele apresenta o show “Festa dos Youtubers” na capital mineira no dia 25 de março, no palco do KM de Vantagens Hall.

Prevenir, o melhor remédio

Febre alta, vômito com bile. Mas foi só após a laparoscopia para drenagem de líquido infeccioso que veio o diagnóstico: peritonite pélvica provocada pela clamídia, doença sexualmente transmissível, causada por uma bactéria. A cirurgia a que Angela* se submeteu poderia ter sido evitada se ela tivesse se precavido nas relações sexuais usando camisinha. 

 

 

FOTO: Pixabay
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Relações estáveis. A camisinha ainda é o melhor meio para se proteger das DSTs

A clamídia é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns no planeta, afetando cerca de 4,2% das mulheres e 2,7% dos homens. Fãs do seriado “Sex and The City” devem se lembrar do episódio em que, com o diagnóstico de clamídia, Miranda (Cynthia Nixon) tem que ligar a todos os ex-parceiros (no caso, mais de uma dezena) para avisá-los da possibilidade não só de terem a bactéria em seu organismo quanto de serem potenciais transmissores – a doença é considerada “silenciosa”, mas pode causar infertilidade e até a morte.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, a cada ano, 92 milhões de casos de infecção por clamídia surjam no mundo; no Brasil, são cerca de 2 milhões de novos casos por ano. Não se trata, porém, da única DST cujo crescimento assusta profissionais da saúde – a ela se juntam gonorreia, sífilis, papiloma vírus humano (HPV), hepatite B e, claro, o HIV, entre outras. 

Embora o Ministério da Saúde revele que mais de 95% da população tenha consciência de que a camisinha é o modo mais eficiente de não contrair o vírus da Aids, bem como outras DSTs, um levantamento feito entre 2012 e 2015 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), apontou que um terço dos jovens ouvidos não usava preservativo. Um índice assustador, mas que, acredite, pode aumentar. “Há uma relação clara com a diminuição do uso da camisinha”, confirma Maria Inês de Miranda Lima, membro do Conselho Consultivo da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) e presidente da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG).

Ela lembra que, quando os casos de pessoas infectadas pelo HIV começaram a pipocar, nos anos 80, a doença passou a ser associada à morte, em função do desconhecimento e, em consequência, dos poucos tratamentos possíveis à época. “Num segundo momento, quando os pacientes passaram a ter acesso, inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a medicamentos de controle do vírus, o medo (de contágio) foi diminuindo e, com isso, o uso da camisinha também”, diz.

 

FOTO: Reprodução/Youtube
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Comicholi usa seu canal no YouTube para falar sobre temas como a prevenção

Truvada

Uma boa novidade, anunciada nos estertores de 2017, tem, paradoxalmente, potencial para agravar ainda mais o descaso com a prevenção. O Truvada, medicamento que impede a propagação do vírus HIV na corrente sanguínea, já indicado como terapia antiretroviral nos EUA e em países da Europa, passou a ser disponibilizado pelo SUS (ainda que, num primeiro momento, a um grupo limitado). 

À Agência Brasil, Juan Carlos Raxach, coordenador da área de Promoção da Saúde e Prevenção da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, frisou que, embora tenha demonstrado 99% de eficácia nos testes para impedir a replicação do vírus HIV, o Truvada não substitui o preservativo. “Fala-se muito que a profilaxia pré-exposição vem para acabar com o uso da camisinha, mas não, veio para ampliar as possibilidades de se prevenir da infecção do HIV. Então, não vai substituir a camisinha”.

Mas o que falta para conscientizar o jovem quanto à necessidade do preservativo? Segundo Maria Inês, cujo tema de doutorado foi justamente a Aids, campanhas mais assertivas de conscientização, “maximizando riscos e prejuízos” (do não uso da camisinha). 

O ator curitibano Gabriel Comicholi, 21, pondera ser muito difícil achar a causa desse fenômeno (da resistência ao uso da camisinha) “numa sociedade em que pais e filhos não falam sobre sexualidade em casa, em que escolas acham que educar jovens sexualmente é incentivar o sexo, em religiões que oprimem e veem o sexo como algo impuro”. Ele, que é HIV positivo e está à frente do canal HDiário, no YouTubue, prossegue: “Escutar ‘use camisinha!’ duas vezes ao ano não é suficiente”.

Maria Inês adiciona que o esclarecimento é mais do que necessário num momento em que uma conjunção de fatores (anticoncepcionais, vacina contra HPV e novidades como o Truvada) podem levar à perda do medo (das DSTs). Quanto ao Truvada, ela diz: “É claro que é uma boa notícia, mas podemos fazer um comparativo à pílula do dia seguinte, que, sim, evitou muitas gravidezes indesejadas. Mas é óbvio que nenhum ginecologista, em sã consciência, vai recomendá-la como primeira opção (contraceptiva). Mesma coisa em relação a esse medicamento”.

A médica lembra, ainda, que outro obstáculo, tanto para os jovens quanto para os mais maduros, são as falsas relações estáveis, nas quais um dos parceiros, ao depositar confiança no outro, abre mão da camisinha. “E há casos em que a mulher ainda se sente insegura (de cobrar o uso), com medo de soar ofensiva”. 

*Nome fictício

Saiba mais

Sífilis Em 2016, o Ministério da Saúde identificou uma epidemia de sífilis no Brasil. No ano passado, a situação foi controlada, mesmo assim, ainda merece atenção: os casos de sífilis adquirida (em adultos) tiveram aumento de 27,9% de 2015 para 2016 no Brasil, revelou o boletim epidemiológico de 2017, divulgado em outubro passado.

Hepatite B De acordo com o Ministério da Saúde, milhões de brasileiros são portadores do tipo B e não sabem.

HIV No Brasil, a epidemia de HIV/Aids é considerada estabilizada, mas vem avançando entre os mais jovens. Na última década, o índice de contágio mais que dobrou entre jovens de 15 a 19 anos, passando de 2,8 casos por 100 mil habitantes para 5,8 casos. Também aumentou na faixa etária entre 20 a 24 anos, chegando a 21,8 casos a cada 100 mil habitantes. Atualmente, cerca de 827 mil pessoas vivem com o HIV no país, e aproximadamente 112 mil brasileiros têm o vírus, mas não o sabem. As informações são da BBC.

HPV Mais da metade da população brasileira pode ter HPV. É o que indicou pesquisa feita pelo Ministério da Saúde junto ao Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, e divulgada em novembro passado. A análise desses dados será feita este ano. Comportamento sexual de risco foi observado em 83,4% dos entrevistados. 

Se não agora, quando?

Os dados referem-se a ocorrências no feriado do Ano-Novo nas rodovias federais do país. De 29 de dezembro de 2017 a 1º de janeiro último, 1.646 motoristas foram flagrados sem cinto de segurança. E 308 motoristas com crianças sem cadeirinha (dispositivo de segurança). Na última terça (9), um acidente na rodovia dos Imigrantes deixou um saldo de duas mulheres mortas e quatro crianças feridas: os seis estavam no banco traseiro de um dos veículos, sem cadeirinha e também sem o cinto de segurança. Os motoristas dos carros estavam com as carteiras de habilitação cassadas por excesso de multas desde 2016. 

 

FOTO: LEO FONTES – 17.7.9
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Atenção redobrada. Uso do cinto no banco traseiro reduz em até 75% o risco de mortes em acidentes

O caso reverbera uma displicência incoerente com os dados alusivos ao trânsito. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, o cinto de segurança reduz o risco de morte em 45% para o motorista e em até 75% para os passageiros que sentam no banco traseiro. Mesmo assim, apenas 50,2% da população tem o hábito de colocar o cinto no banco traseiro. No dianteiro, há mais consciência: 79,4% das pessoas com 18 anos ou mais dizem sempre usar o item de segurança, segundo levantamento feito em 2015 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) junto ao Ministério da Saúde.

Foi um átimo de segundos, conta a industriária aposentada Ilza Araújo, 60. No dia 5 de agosto do ano passado, ela estava com familiares em um carro guiado pela irmã, que parou em um supermercado em meio a um curto trajeto na região de Igarapé. “Nesse meio tempo, minha mãe se deslocou para o meio do banco (traseiro) e tirou o cinto”, narra Ilza, que fez o mesmo. Quando a irmã voltou e ligou a chave, o carro, por uma falha mecânica, acelerou e acabou batendo em um ônibus em movimento. 

“A pancada na perna foi muito forte, estou fazendo fisioterapia até hoje. E minha mãe, que tem 81 anos, quebrou metade do rosto – ficou internada 15 dias no hospital, teve que colocar placas de titânio. Já minha irmã, que já tinha colocado o cinto, não teve nada”.

Celular

Outro comportamento temerário é o uso de celular ao volante. “Numa visão geral, há pouca consciência dos motoristas sobre o risco que há em dirigir e usar smartphone. Para se ter uma ideia, se trafega quase 28 metros em um segundo a 100 km/h. Vale questionar se a mensagem ou a informação que estamos consultando é mais importante do que o risco que temos de não olhar à frente”, alerta Alessandro Rubio, coordenador técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil).

Rancor? Não, obrigado.

Não existem dados científicos, mas pesquisas como a desenvolvida na Universidade de Pisa, por Pietro Pietrini, apontam que sim, o ato de perdoar traz, em seu rastro, benefícios físicos e psicológicos. “Carrego comigo um pensamento de que ninguém sai de casa com a intenção de errar. Mas por vezes erramos – e acabamos por magoar. E muitas vezes nossos erros se transformam em rancor para quem foi magoado. Em outras, nos sentimos prejudicados e com o orgulho ferido – e de novo o rancor aparece”, avalia Izabella Ceccato, mestre reiki e fundadora do movimento O Poder da Colaboração. Esse ressentimento profundo, prossegue ela, diretamente associado mágoa e à raiva, traz uma energia negativa densa, que pode afetar a saúde.

 

FOTO: Arquivo pessoal
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Izabella: “O ressentimento acarreta uma energia negativa”

Mas sim, ela reconhece que perdoar não é tarefa simples. “Vale fazermos um auto-exame. Se concluirmos que agimos corretamente, que tenhamos paz e harmonia. Acima da necessidade de sermos compreendidos, precisamos buscar a tranquilidade da nossa consciência no cumprimento das obrigações. Ter em mente que o que os outros pensam, falam e fazem é criação e ação que lhes pertence e se conseguirmos não nos magoar com isso, teremos dado um grande passo”.

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