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ARTES CÊNICAS

Espiritualidade pela dança 

Último episódio da "Trilogia Alquímica" do coreógrafo Maurício de Oliveira terá apresentação única no Sesc Palladium, "Rubedo" entra em cartaz no dia 15

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RUBEDO
'Rubedo’ fecha a ‘Trilogia Alquímica’, da Companhia Siameses
PUBLICADO EM 11/11/17 - 04h00

 

Quando o coreógrafo Maurício de Oliveira, da Companhia de Dança Siameses, teve seu primeiro contato com o livro “Psicologia Alquímica”, do psicólogo norte-americano James Hillman (1926-2011), ficou impressionado não só com a qualidade do texto, que, segundo ele, parece poesia, mas com o caminho que ele traça para demonstrar que a espiritualidade é experiência no corpo físico do homem.
 
“Ele diz que não existe possibilidade de se falar de metafísica sem falar de física, e isso fez cair muitas fichas pra mim. A gente busca a espiritualidade fora de nós, mas experimentar o pé no chão, o cotidiano saudável, integrado, isso em si é a espiritualidade que procuramos fora”, afirma o coreógrafo.
 
Foi a partir daí que ele criou a “Trilogia Alquímica”, composta pelos espetáculos “Nigredo”, “Albedo” e encerrada por “Rubedo”, que faz única apresentação em Belo Horizonte na próxima quarta (15). “Ela fala, metaforicamente, das três fases que qualificam o desenvolvimento humano intelectual, emocional e até físico. A ‘nigredo’ é quando o indivíduo está mergulhado numa densidade, numa escuridão. Nela, ele tem todas as possibilidades, mas não encontra nenhuma”, explica.
 
Em “albedo”, ele é atingido por um raio de luz. “Porém, este o cega tanto quanto a escuridão. Ele vê a possibilidade nascendo em suas mãos e não sabe como lidar com aquilo que chegou até ele como uma grande potência. Só em ‘rubedo’ as energias se equilibram, e esse é um momento de vivificação do corpo. É uma metáfora para o entendimento daquele indivíduo que teve clara compreensão do que é espiritualidade”, afirma.
 
A partir dessas metáforas do psicólogo, os espetáculos foram sendo criados. Em todos os três, o espectador tem a impressão de estar envolvido num sonho. “Em “Rubedo’, especificamente, fazemos projeções, numa tela, de imagens que surgiram dos meus sonhos. É um trabalho absolutamente surrealista, mas não é simplesmente a concatenação de imagens inusitadas, danças imprevisíveis. Há um simbolismo forte, que é a tentativa de representação visual do que está no texto de James Hillman”, observa.
 
Dois traços são marcantes na metodologia da companhia Siameses: a incorporação de informações da yoga clássica na vivência dos bailarinos e a expectativa de que o espectador não seja um mero observador da coreografia. 
 
“Percebi que a yoga é o meio de treinamento mais adequado para o aparato psicofísico do bailarino. Chegamos à conclusão de que, em nome da longevidade do artista do corpo, especialmente da dança, é preciso um trabalho que pense questões médicas, de não saturação do corpo. E percebemos que a yoga aliada à Técnica de Alexander era ideal”, diz o coreógrafo.
Quanto ao espectador, o grupo o vê como cocriador de suas obras. “Por isso gosto muito dos bate-papos que fazemos após os espetáculos, porque a devolução das informações é tão incrível quanto o que apresentamos. E essa devolução inclusive acaba servindo de base para o desenvolvimento de outras obras”, conclui.
 
Rubedo
Sesc Palladium (r. Rio de Janeiro, 1.046, centro, 3270-8100). Dia 15 (quarta), às 20h. R$ 20 (inteira)

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