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Festa e arte

Férias em BH

Janeiro na capital tem opções na rua, com os ensaios dos blocos; no teatro, com o VAC e a Campanha; abertura de mostra de artes visuais e muitas estreias no cinema

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PUBLICADO EM 23/12/17 - 04h00

Foi-se o tempo em que, nos primeiros meses do ano, Belo Horizonte fazia jus a um apelido tanto quanto maldoso: chamada de “cidade do tédio” desde os tempos em que o poeta Carlos Drummond de Andrade aqui viveu, a característica já parece coisa do passado.

Afinal, de uns poucos anos para cá, muita coisa mudou. E se hoje o Carnaval belo-horizontino se firmou como destino certo em Minas Gerais, a agenda entre janeiro e a folia também está cheia. “BH está passando por um momento de empoderamento”, arrisca Carolina Braga, jornalista do blog “Culturadoria”. “O belo-horizontino está sentindo mais orgulho da cidade”, completa.

É fato. Esse movimento afetivo a que Carolina se refere – um orgulho latente do lugar onde se vive –, é um traço individual, mas tem se aflorado coletivamente. Mergulhada no meio cultural há muito tempo, ela avalia o efeito prático desse sentimento. “Notei que há uma busca crescente pelo que fazer em janeiro”, pontua. É por isso que, em 2018, seus planos são permanecer em BH.

E o que desencadeou esse novo comportamento, esse desejo de abraçar a cidade? Carolina tem um palpite: a Praia da Estação. Descentralizada e periférica, acontecendo na região central da cidade, com apelo popular e partindo do princípio de ocupação do espaço público: “vejo que tudo partiu de lá”, avalia ela sobre o movimento que começou como um protesto em 2010 e tem grandes proporções na capital hoje.

Muito para fazer

Para Carolina Braga e para todos outros que vão abrir mão de uma viagem para experimentar o que a cidade tem a oferecer: não faltará o que fazer. A capital mineira, por exemplo, vai sediar mais uma edição do Festival Planeta Brasil, reunindo atrações nacionais e internacionais.

Abraçando várias searas artísticas, o Verão Arte Contemporânea (VAC), ocupa diversos espaços da cidade com apresentações ligadas a música, artes visuais, cinema, literatura, gastronomia, arquitetura, dança e teatro. Aliás, falando dos dois últimos tópicos, como já se é sabido, os palcos da cidade recebem no acordar de um novo ano a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança – uma oportunidade para assistir diversos espetáculos a preços populares.

No caso do VAC, vale dizer, o festival se inicia confirmando que novidades de 2017 vão permanecer presentes no próximo ano. A abertura, por exemplo, acontece ao som da cúmbia do grupo Orquestra Atípica de Lhamas.

E, claro, a cidade já entra em ritmo de Carnaval. Não é arriscado dizer que, para cada dia da semana, seja possível acompanhar o ensaio de um bloco diferente. É o que explica Bruno Perdigão, organizador do “Alô, Abacaxi”. “Nós, que estamos à frente dos blocos, usamos um jargão: ‘Carnaval é o ano inteiro’. Então, sempre fazemos alguns eventos esporádicos, mas é a partir de outubro que os ensaios começam a se tornar mais recorrentes e é em janeiro que estes encontros têm seu ápice”, explica.

E os membros da bateria de um grupo, geralmente, frequentam ensaios de outros blocos. Bruno, por exemplo, além do Abacaxi, que levanta a bandeira da diversidade, participa de outros mais identitários, como o Angola Janga, voltado para a questão racial, e o Bruta Flor, um bloco feminista. E o folião tem fôlego para mais. “Vou também a ensaios do Roda de Timbal, Tchanzinho da Zona Norte e Pula Catraca, estes são os espaços que habitamos”, enumera ele.

Bem, e se a sensação é que o Carnaval belo-horizontino está em fase de crescimento, a realidade se mostra exatamente esta – são 800 blocos inscritos, quase o dobro de 2017.

E, além de tudo isso, Belo Horizonte ainda tem opções de festivais de música e as sempre esperadas estreias de filmes que concorrem aos principais prêmios do cinema.

Festivais de arte

VAC Na sua 12ª edição, o Verão Arte Contemporânea terá 30 atrações e boa parte com preços populares ou até gratuitas. A abertura acontece em 7 de janeiro, domingo, no Sesc Palladium, com o show da Orquesta Atípica de Lhamas, que convida Maria Alcina e a Cia Café com Dança (ingressos a R$ 2). Outra atração de destaque é o “VER (ÃO) – O Jantar Secreto”, que acontece no dia 10 de janeiro, no Centro de Referência da Juventude. Entre 9 e 14 de janeiro, o artista Eder Oliveira é o convidado do projeto Parede, nele elabora um retrato da identidade o homem amazônico, a partir de fotos em jornais. Confira a programação em www.veraoarte.com.br

 

FOTO: Beth Freitas/Divulgação
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Na abertura do VAC, é a cúmbia que dá ritmo ao festival
Pop No início de janeiro, dia 4, tem início a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. um dos destaques é a viagem pelo cancioneiro de Chico Buarque pensado para crianças: “ParaChicos - Mariana Arruda Buarqueando para Crianças”. Confira programação em www.vaaoteatromg.com.br
 
FOTO: Tati Motta/Divulgação
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Musical infantil passeia pelo cancioneiro de Chico Buarque

Ensaio de blocos

 

FOTO: Henrique Sander Fernandes/Divulgação
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Alguns blocos de Carnaval já realizam ensaios conjuntos

Um dos organizadores do bloco carnavalesco “Alô Abacaxi”, Bruno Perdigão diz que, “carnaval é o ano todo”. Mas, reconhece: em janeiro o número de ensaios aumenta muito. Ele explica que, para se inteirar sobre as datas, horários e locais destes encontros, o melhor jeito é frequentando as baterias. E para ajudar o folião iniciante, Bruno fez uma seleção de ensaios que acontecem entre quinta-feira e domingo. “A maioria começa a partir da segunda semana do mês e se estende até o dia do cortejo”. Para começar: o grupo Angola Janga se reune debaixo do Viaduto Santa Tereza, por volta das 18h, toda quinta, a partir do dia 11 de janeiro. Na sexta, no mesmo horário, acontece o encontro do Garotas Solteiras, geralmente na Praça da Estação, perto do prédio do Conselho Regional da Juventude. No sábado pela manhã, por volta das 10h, o Bruta Flor se reúne no mesmo local. À tarde, normalmente a partir das 13h, é o Alô Abacaxi, que costuma variar os locais de ensaios. Juventude Bronzeada, por sua vez, ocupa as manhãs de domingo, enquanto o Roda de Timbal passa seu som nas tardes do mesmo dia.

 

FOTO: Henrique Sander Fernandes/Divulgação
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Alguns blocos de Carnaval já realizam ensaios conjuntos

Férias para os mais quietinhos

Se BH tem oferta de sobra para quem quer antecipar o Carnaval ou se organizar entre os espetáculos do Verão Arte Contemporânea e da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, também há opções para outros perfis. Caso do Festival Planeta Brasil, que acontece dia 27, com shows de grupos como Phoenix e O Rappa, além de Criolo.

E, claro, há alternativas para a turma que prefere, digamos assim, ficar mais quieta. Já de pronto, o pensamento recai sobre as salas de cinema – afinal, indicações a prêmios como o Globo de Ouro e o Oscar dão peso às estreias que começam a aportar nas telas do país. “É um período em que há, sim, uma maior busca por filmes”, lembra a jornalista Carolina Braga, do blog “Culturadoria”.

Para além do circuito comercial, vale se deslocar para a histórica Tiradentes, que sedia sua 21ª Mostra de Cinema entre os dias 19 e 27 de janeiro. “Não são poucas as pessoas que saem daqui para acompanhar o festival”, lembra Carolina, para quem tal feito acaba por influir no clima da cidade como um todo (a programação pode ser acessada no site www.mostratiradentes.com.br).

Para quem prefere ficar em casa, mas já contaminado pelo poderio da sétima arte, vale conferir as séries do Netflix que concorrem ao Globo de Ouro. Ou talvez seja uma boa hora para colocar a leitura em dia. Ricardo Ballarine, do blog “Capítulo Dois”, tem três boas sugestões para fazer de 2018 um ano literário (confira ao lado). Por fim, vale destinar atenção especial à nova mostra do CCBB BH: “Disruptiva” é o maior evento de arte e tecnologia da América Latina.

Exposições e shows

Mostra Reunindo 120 obras e instalações imersíveis, games e animações internacionais, a mostra “Disruptiva” chega ao CCBB de BH (praça da Liberdade, 450) a partir do dia 19 de janeiro, estendendo-se até março. Na exposição, que é gratuita e tem curadoria de Ricardo Barreto e Paula Perissinotto, o visitante poderá interagir com as obras de forma um tanto quanto diferente: completamente interativa, é possível que o público vá ao centro cultural, toque, pule, balance, jogue e brinque com as instalações.

 

FOTO: File/Divulgação
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No CCBB, público balançará entre mundo real e virtual

Planeta Brasil Para fechar janeiro, no sábado (27), a partir das 12h, acontece a 7ª edição do Festival Planeta Brasil, que volta a ser realizado na Esplanada do Mineirão. É lá que se apresentam grupos como a banda de rock indie francesa Phoenix, o grupo de reggae norte-americano Soja, além da celebração dos 25 anos de carreira de Gabriel O Pensador e de receber o último show de O Rappa na capital mineira, que fará uma pausa a partir de 2018. Ingressos a partir de R$ 240 (1º lote, pista, inteira).

 

FOTO: Planeta Brasil/Divulgação
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Cultuado grupo francês, Phoenix vem para Belo Horizonte

Estreias no cinema

Na telona Considerada uma premiação que é termômetro do Oscar, a lista de indicados ao Globo de Ouro foi divulgada em dezembro. Alguns dos filmes, é verdade, já passaram pelo circuito comercial de cinema, como “Dunkirk”, que concorre na categoria de melhor filme de drama. Outros indicados têm datas para estrear nas salas brasileiras em janeiro, caso de “A Forma da Água”, que lidera a disputa em número de indicações, com sete delas. Flagra o amor entre uma zeladora e um homem anfíbio, mantido em cativeiro, e tem estreia marcada para o dia 11.

 

FOTO: Fox pictures/divulgação
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Zeladora de um laboratório, Elisa se apaixona por um homem anfíbio, ali mantido em cativeiro, e luta por sua libertação

Na mesma data, chega à telona “O Touro Ferdinando”, adaptação do clássico infantil produzido pela Disney em 1938, que concorre entre as animações. Já “The Post: A Guerra Secreta”, com Tom Hanks e Meryl Streep, que aborda os bastidores do jornal “The Washington Post” prestes a revelar documentos sobre o papel dos EUA na Guerra do Vietnã, chega às telas dia 25. 

 

FOTO: Disney/Divulgação
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Passados 80 anos da 1ª adaptação, “O Touro Ferdinando” volta ao cinema

Dicas de leitura

Escolhas acertadas Do blog “Capítulo Dois”, o jornalista Ricardo Ballarine elencou três livros para começar um 2018 de acertadas leituras. Para começar, “A Filha Perdida” (Intrínseca), de Elena Ferrante, autora que, aliás, “ninguém sabe quem é”. Passeando pela ideia de maternidade, vale o aviso: “é daqueles livros que incomodam”.

 

FOTO: Intrínseca/Divulgação
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Uma das dicas é a obra "A Filha Perdida", de Elena Ferrante

Já “Múltipla Escolha” (Tusquets) é posto como “um dos livros do ano”. Lançado em 2017, foi escrito por Alejandro Zambra, “um dos autores sul-americanos mais interessantes dos últimos tempos”. 

A obra traz reflexões sobre a ditadura chilena. Prepare-se: “a melancolia, em algumas questões, é insuportável, assim como a indignação”. 

Da lavra brasileira, destaque para “Quarenta Dias” (Alfaguara), de Maria Valéria Rezende. “É um livro que planta a resistência por meio da personagem Alice”, anuncia. A obra joga luz ao exílio que “pode existir em nós mesmos”, que “pode ser cumprido no próprio país”.

Maratonas Netflix

Na telinha Janeiro é mês de renovação na Netflix. O catálogo ganha muitos novos títulos, entre séries, filmes e documentários. Na virada do ano, em 1º de janeiro, o canal de streaming libera “Malala”, filme documental sobre a adolescente paquistanesa baleada por defender o direito das mulheres em seu país e, mais tarde, laureada com o Nobel da Paz.

 

FOTO: Netflix/Divulgação
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Documentário sobre Malala

Indicada ao Emmy, “Grace and Frankie”, em que as protagonistas homônimas da série se tornam amigas depois que seus maridos pedem divórcio e se casam um com o outro, chega à 4ª temporada no dia 19 de janeiro. Já o filme “As Sufragistas”, com Carey Mulligan e Helena Bonham Carter, leva a luta das mulheres pelo direito ao voto para a Netflix no dia 15 de janeiro.

 

FOTO: Netflix/Divulgação
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“Grace and Frankie”: 4ª temporada

 

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