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MÚSICA

Mergulho no universo caipira 

Mônica Salmaso apresenta show do récem lançado disco "Caipira" no Sesc Palladium, na próxima quinta (15)

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SALMASO
Apreço “BH é a única cidade que conheço que tem, em todas as artes, grupos que duram 30 anos ou mais”
PUBLICADO EM 10/03/18 - 03h00

“Mais urbana, impossível”, ri Mônica Salmaso, referindo-se ao fato de ter nascido e sido criada na maior metrópole brasileira. Há 15 anos, porém, Mônica começou a se enfronhar em um universo que, como ela mesma diz, “encosta num brasileiro muito profundo”: a música caipira. Maturado por todos esses anos, esse relicário acabou resultando no disco “Caipira” (Biscoito Fino), que ela lançou ano passado e que apresenta agora ao público belo-horizontino em show no Sesc Palladium, na próxima quinta (15). 

“O meu conhecimento desse universo era mais pontual, até que, em 2003, participei de um show cujo tema era o caboclo caipira, e o Paulo Freire (violeiro) me enfronhou nesse mundo, pelo qual acabei me apaixonando”, diz ela, que tratou de, no curso dos anos, abastecer um balaio imaginário com as pérolas que iam tocando sua sensibilidade. “De vez em quando, ela (a paixão pelo caipira) aparecia em projetos mais diluídos. Mas, agora, virou o foco”, diz ela, ressaltando, porém, que não se trata “de uma tese de mestrado” sobre o universo caipira. “Aliás, tem músicas no álbum que não nasceram assim, mas que, pra mim, faziam sentido no projeto. Como não sou compositora, e sim público de compositores, sempre acho que se aquela música ou aquela junção de canções tem um sentido pra mim, é possível que tenha para outras pessoas também. Então, esse projeto é exatamente isso, o meu olhar sobre esse assunto, um olhar que penso ser poético e sensível”.
 
Desafiada a falar sobre a música que tem lhe rendido mais retornos, Mônica faz uma ressalva: “Como não trilho uma carreira que tem música de trabalho, um carro-chefe, a ‘música da novela’, as pessoas chegam ao disco de maneiras diversas. Por vezes, são apresentadas por outra pessoa. Mas sim, tem algumas que chegam com mais frequência, caso de ‘Bom Dia’, da Nana Caymmi e do Gilberto Gil, originalmente concebida em outro contexto. Ou ‘Água da Minha Sede’ (Dudu Nobre e Roque Ferreira), que, no disco, virou caipira”. 
 
Mônica também cita “Leilão”, de Hekel Tavares e Joracy Camargo. “É uma música muito triste e forte, e já recebi vários retornos de arrebatamento. Mas, na verdade, cada retorno tem a ver com a história da pessoa: um vai parar numa música, outro em outra...”
 
O afeto, portanto, nortearia a audição. “Muitas pessoas me relatam que o disco as remete a pessoas da família, a uma coisa toda de memória afetiva. Mais que um retorno de linguagem musical, é isso que me emociona”, confessa.
 
Sérgio Santos
 
Vale lembrar que o trabalho traz duas músicas do mineiro Sergio Santos, “um grande compositor, além de cantar pra caramba, tocar violão...”. “A gente se conhece há muitos anos, encontrei com ele pela primeira vez em São Paulo, quando cantei uma música dele, num projeto de mapeamento de novos compositores. E ficamos amigos. Faz realmente muito tempo, sei lá, 20 anos. Desde então, canto músicas dele, mas nunca tinha gravado. Tinha essa dívida comigo”, assume.
 
Ao ouvir a leitura de “Açude Verde”, parceria de Santos com Paulo César Pinheiro, pela mineira Irene Bertachini, Mônica foi arrebatada. “Aliás, o CD dela é lindo, um trabalho super cuidadoso, amoroso. Admiro muito essa coisa de vocês, mineiros, de terem o tempo das coisas. Tudo feito aí tem o amor como ingrediente extra, um cuidado. Assim que ouvi a Irene, liguei para o Sérgio e acabei revelando meu desejo de um dia gravar essa música. Quando estava pensando no repertório desse disco, liguei, mais uma vez, e disse: ‘Lembra que falei que ia gravar?’. Aí, ele disse: ‘Putz, tenho outra coisa para te mostrar’. E me veio com ‘Saíra’. O disco já estava fechado, mas foi só escutar que percebi: ‘Não vai dar... Alguma vai dançar, essa ‘Saíra’ vai ter que entrar”, ri. 
 
Sobre a relação com Minas, ela esbanja simpatia. “Não sou mais turista aí, já tenho uma relação com a cidade. Não posso, por exemplo, não ir à ótica na qual compro meus óculos, não passear pela Savassi ou ir aos restaurantes que já me conquistaram. Agora, devo confessar que ainda me perco na avenida do Contorno (risos). Nunca sei exatamente em que ponto estou”, diz ela, revelando, ainda, ser fã de carteirinha dos longevos grupos locais, como Corpo, Galpão e Giramundo.
 
Mônica Salmaso
Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046). Dia 15 (quinta), às 21h. A partir de R$ 40 (inteira).

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